viver a bordo

Veleiro Tá Lento, conquistando o Caribe e Europa

Publicado por Elson - Mucuripe em 20/02/2018 às 11h29

Sonhos de Mar são o combustível do Navegador. Chega um momento em que não há mais o que adiar, somente largar e partir!

Essa é mais uma belíssima história de quem ousou e foi viver seus Sonhos de Mar.

A bordo de Veleiro Tá Lento, um MJ 38, o casal Pedro Berlanga e Christina Goia está fazendo uma belíssima jornada pelo Atlântico Norte, nas águas do Caribe e seguindo para a Europa, para depois retornar ao Brasil.

Com a palavra, o comandante Pedro Berlanga:

Meu veleiro é um MJ 38 DS fabricado em 2014 que desde o início ficava na Marina 188, em Paraty.

Os planos de ir para o Caribe nasceram em 2005 quando construí um MJ 44 com essa finalidade. Infelizmente não pude ir pois minha esposa faleceu e também resolvi mudar minha empresa para Manaus, me mudando para lá. Vendi o barco.

Em 2012 voltei a morar em SP e resolvi iniciar a construção de um novo MJ, dessa vez um 38 DS, com a intenção de ir para o Caribe. Em 2014, subi a costa brasileira para participar da Refeno e retornei para Paraty já a bordo do novo MJ 38DS.

O planejamento da ida para o Caribe começou em 2016 com a reunião dos veleiros Fisker, Tantomar, Prix e Ta lento. Ficou definido a data de saída e que após a Refeno de 2016 seguiríamos para o Caribe. Era 15 de julho de 2016 quando saímos do Guarujá. Roteiro inicial= Guarujá, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Cabo Frio, Búzios, Vitoria, Abrolhos, Ilhéus, Camamu, Salvador, Maceió e Recife.

A minha atual esposa, que na época era minha namorada, embarcou nessa aventura sem ter idéia do que viria pela frente, pois não tinha nenhuma experiência no mar. Seu desempenho foi muito bom e poucas vezes enjoou. No trecho Guarujá- Salvador, tivemos a bordo um casal. De Salvador até o momento, apenas nós dois a bordo.

Durante a viagem minha esposa foi aprendendo tudo sobre o barco, como traçar rotas, a função de cada cabo, enfim passou a conhecer o barco e me ajudar.

Saímos com destino ao Caribe no dia 08-11-16, de Recife. Faríamos algumas   paradas como Natal, Fortaleza, Ilha dos Lençóis, Kourou e finalmente Trinidad.

Chegamos dia 04-12-16 em Trinidad. Estávamos no Caribe, finalmente. Nosso roteiro= Trinidade, Grenada, Carriacou, Petit Martinique, Union Isle, Mayreau, Tobago Cays, Bequia, Santa Lucia, Martinique, Guadeloupe, Antígua, Saint Kitts and Neves, Saint Barthelemy, St. Martin, Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Virgens Americanas, Porto Rico. Cada lugar com seu atrativo e assim íamos ficando sem pressa de sair.

No fim de maio de 2017, descemos para Bonaire para fugir da região durante a época de furacões. O furacão Irma devastou toda a região que estávamos, mas a flotilha estava segura em Curaçao. Nesse ponto a flotilha se separou, pois cada um teve que resolver problemas particulares.

Como no Sul do Caribe não é área de risco, permanecemos na região de Bonaire, Curaçao e Aruba de 08-06 a 25-10. Depois seguimos para Colômbia (Santa Martha e Cartagena), Panamá (San Blas, Puerto Lindo ). Agora estamos em San Andrés, aguardando uma janela do tempo para seguirmos para Cayman e Cuba.

Na maioria dos trechos temos companhia de outros veleiros brasileiros e até estrangeiros, pois geralmente todos aproveitam as janelas de tempo para se deslocar de uma ilha para outra.

Sempre ficamos alguns dias em cada ancoragem para conhecer o local e também para reabastecer o barco com comida.  Usa-se pouco combustível na região, pois sempre tem muito vento.

Com relação ao barco, não tivemos quase problemas, só’ os normais. Um vaso sanitário entupido, uma bomba de porão queimada, uma adriça que desgastou e coisas assim.  O nosso veleiro MJ 38 vem nos atendendo muito bem, pois além de muito seguro, leve e navega muito bem. Temos todos os controles do barco como escotas, adriças, rizos no coquit pit o que facilita os controles em caso de mal tempo.

Como é normal, durante esse ano e meio no mar passamos alguns apuros como vento forte, mar alto e tempestades repentinas tanto nas navegações como nas ancoragens.

Até o momento navegamos cerca de 8.500 milhas náuticas e temos pela frente mais 10.500.

Nossa programação é sair de San Andrés por volta do dia 24-02-18 para Cayman, Cuba, Key West e depois subir a costa americana até a Carolina do Norte, para de lá cruzar para Bermuda, Açores e Lisboa, onde deveremos chegar em junho desse ano.

Em outubro iniciaremos o retorno para o Brasil, descendo a costa de Portugal, Gibraltar, Canarias, Cabo Verde e Salvador.

Nessas duas travessias do Atlântico pretendemos utilizar um telefone satelital para baixar os gribs e também receber previsões de amigos em terra. Um outro aparelho fundamental é o AIS, pois por várias ocasiões cruzamos com navios em nossa rota.

Com relação a receptividade nos diversos países, nunca tivemos problema. Sempre fomos bem recebidos como brasileiros. O que difere de um pais para outro é a política de imigração e alfandega. Alguns lugares bastante rápido e simples e outros como Colômbia e Panamá, caros e burocráticos.

Cada ilha do Caribe tem sua particularidade com relação a topografia, colonização, costumes. Com isso fica difícil dizer qual é a melhor ou mais bonita depende do critério de cada pessoa.

Dicas do Capitão Pedro Berlanga para a Navegação no Mar do Caribe

O cmte Pedro Berlanga me passou algumas dicas sobre a navegação no Caribe, por exemplo:

Entre Panamá e Cayman, prefere usar o Open Cpn, o Navionics não é muito aconselhável devido aos erros de precisão , como na aproximação das ilhas de San Blas, um arquipélago com 360 ilhas. O Navionics funciona melhor a partir de Cuba.

Um leme de vento é fundamental , pois as travessias são longas e com ventos constantes.

Uma boa âncora com bastante corrente, pois é normal ventos de 30 nós nas ancoragens. Hoje Ele tem 50m de corrente de 8mm com âncora de 15kg, e disse que seria melhor uma âncora de 25kg e 80m de corrente de 10mm para o Tá Lento.

Ter a bordo um dessalinizador, visto que a água doce não é de fácil acesso em todas as ancoragens e não é de graça.

Além das placas solares, ter um gerador eólico para aproveitar os bons ventos do Caribe.

 

Cmte Pedro Berlanga, muito obrigado por compartilhar essa bela história de Mar! Bons Ventos ao Tá Lento!!!!

 

 

 

 

Categoria: viver a bordo
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A Espetacular Volta ao Mundo do Veleiro Petit Prince

Publicado por Elson Mucuripe em 01/07/2017 às 12h46

Paulo Vinícius, Velejador Brasileiro. Esse é um navegador com muita história para contar! A bordo de seu Veleiro Petit Prince, um Fast 345, está fazendo uma circunavegação espetacular, ora em solitário, ora recebendo tripulantes com ou sem experiência para vivenciarem essa magnífica aventura a bordo.

Há poucos dias a amiga velejadora Marina Bruschi me ligou dizendo que o Paulo estaria vindo ao Brasil, com passagem por Brasília, e que nos presentearia com um bom bate-papo sobre esta volta pelo mundo. Então, através da ABVC DF e da FNB, com o apoio do Clube da Aeronáutica, estamos organizando para o dia 10/08/2017 uma palestra com o Paulo Vinícius para conhecermos detalhes dessa circunavegação como: Escolha da rota, preparação para a viagem, preparação da embarcação, documentação para partida, alimentação, equipamentos de navegação, estudo meteorológico, situações vividas durante a viagem.

Para já irmos conhecendo um pouco sobre esta aventura e seu comandante, tivemos um bate-papo descontraído com o Paulo, onde Ele nos conta boas histórias. Dá até vontade de largar as amarras e se mandar por aí!

 

Quando e como surgiu a idéia de fazer a circunavegação?

Sonho de infância, conhecer o mundo inteiro a bordo de um navio, um barco. Desde leituras de Robson Crusoé do Daniel Defoe, sempre quis ter maiores contatos com outras culturas e morar fora do Brasil.

Papai não tinha dinheiro para nos comprar carrinhos de ferro, o que todos os coleguinhas de escola possuíam e eu ficava morrendo de inveja. Aos onze, papai nos aparece com um mini veleiro oceânico, o super bom Atoll 22. Baita brinquedão, muito melhor que carrinhos de ferro. Paixão instantânea, veleiros e vida no mar. Já naquela época vi gente falando que queria dar a volta ao mundo em um Atoll 22.

Desde aquele primeiro contato com o mundo da navegação, iniciei e continuei a vida toda lendo sobre pessoas cruzando oceanos, velejando ao redor do mundo. Aos 45 anos de idade, resolvi que aos 50 anos iria sim velejar por todo planeta, sem data para voltar. Preparei o barco e as finanças para poder partir enfim, em 2014.

Como foi a escolha da rota a ser navegada?

A ida à Patagônia se deu porque tinha ido com o Petit Prince, barco que é nosso desde zero, por dois verões consecutivos de Angra para Búzios, ao encontro da mana caçula e seus lindos rebentos. Crianças com menos de três anos.

Em 2012 esta mana reservou um hotel em Gramado para passar o Natal de 2014. Reunião gigante de toda nossa família. Pessoal de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Decidi então que iria naquele verão para Porto Alegre com o Petit Prince. Tenho tantos amigos velejadores no sul, mais a família gaúcha, por que não? Os primos gaúchos, desde adolescentes, sempre amaram navegar conosco.

E já que iria até Porto Alegre, por que não dar uma esticada até a Patagônia?  Sonho chegar lá com o nosso bravo barco. Resolvi então ir até Península Valdes, lugar que conheço desde quando tinha 20 anos de idade. Esta saída de Angra dos Reis para a Patagônia, em dois de dezembro de 2014, foi o início da circunavegação.

Após a nossa volta para Angra, a nova saída, final de julho de 2015, já tinha como destino, Tronso na Noruega. Ou seja, nossa ideia sempre foi cruzar do Atlântico para Europa por primeiro e conhecer de perto os povos dos países mais frios. Conhecemos um pessoal daquele extremo norte escandinavo, velejaram no Petit Prince em fevereiro de 2011, de Paraty para Ilha Grande. Norueguesas. Essas pessoas são as quais conheço que mais perto moram do Pólo Norte.  Resolvi então que um dia ia visitá-las em sua cidade.

Sou totalmente fascinado por aquelas regiões. Por tudo que li das aventuras dos primeiros aventureiros que foram "descobrindo" aquelas terras e mares. Navegadores, exploradores polares, tais como Fitz Roy, Cook, Bouganville, Bhering, Bird, Amundsen, Schakleton e tantos outros.

Resolvi que a volta ao mundo não seria a convencional pelos trópicos, mas sim por lugares que tenho gigantesca curiosidade em conhecer. Ter contato com a cultura dos povos que vivem nos mais duros invernos do planeta. Chegar navegando com nosso Petit Prince, e uma bicicleta, nas altas latitudes, à terra deles.

Existe um cronograma previamente definido para toda a rota a ser navegada com as datas prováveis de saída e chegada nos pontos principais?

Sim, existe um cronograma mais detalhado para os próximos 12 meses e estações do ano para os próximos trechos. Pretendemos navegar 43 mil milhas.

Nossos planos são sair para Cuba após o feriado americano de quatro de julho.

 

Quem são os tripulantes?

Variam de trecho para trecho. Poucas vezes navego em solitário. Talvez somente alguns trechos mais duros, ou quando tenho que ir para não perder a estação do ano, ou algum compromisso. Tais como encontrar alguém em um porto. Na maioria das pernas velejamos com amigos, antigos ou novos.

Muitos amigos são colaboradores. Financiam a viagem através de aluguel do Petit Prince, por cruzeiros que programamos. Ida de um trecho a outro, estadia em Saint-Martin e região, Cuba e por ai vai...

Outras vezes conseguimos que os amigos colaborem participando de algum evento. Tais como a Semana de Vela de Ilhabela, a Regata Recife - Fernando de Noronha, ou a Conch Republic Cup que iremos fazer.

A Conch Republic Cup é uma semana de regata que entre Key West, na Florida e Cuba. Velejaremos para Varadero e Havana, e retornaremos a Key West. Esta semana de vela e de 26 de janeiro de 2018 a três de fevereiro.

http://conchrepubliccup.org/

https://www.facebook.com/ConchRepublicCup/

Quando pretende fazer a travessia do Atlântico Norte e qual será a rota dessa travessia?

O caminho então escolhido foi através do Canadá. Terra Nova para o sul da Groenlândia, com escala na Islândia e seguir para Noruega. Dependendo das condições do verão boreal de 2018, talvez com escalas nas Ilhas Faroe e Shetland, que ficam um pouco mais ao sul do grande destino, o norte norueguês. Se conseguirmos, tentaremos sair direto da Islândia para Tronso.

Isto na temporada 2018. A navegação pelo norte do Pacifico dependera da nossa evolução na navegação pelo Mediterrâneo.

Caso possamos sim, cruzar o canal de Suez para o mar Vermelho e ir navegando até Cingapura, onde poderemos guinar novamente para as altas latitudes. Caso não encontremos a condição favorável no sul do mar Vermelho, como pirataria, teremos de circundar todo o continente africano.

Será feita alguma alteração estrutural no veleiro para esta navegada?

Planejamos reforçar a mastreação, mudando sua concepção original de sloop para cutter. Isto significa colocar um novo estai de proa, para suportar a vela trinqueta. Colocar dois estais volantes (runing's). Modificar o "back stay" de único para duplo. Na proa pretendemos colocar uma luva de aço inox. Não pretendemos navegar no gelo, porém, mesmo no verão, para onde iremos, existem sim alguns fragmentos de gelo.

E quanto aos custos envolvidos? Há patrocínio de empresas?

Os custos envolvidos estão sendo bancados da seguinte forma:

- poupança que fiz no Brasil antes de sair;

- trabalhos manuais que consigo fazer em países que remuneram com moeda mais forte, estilo Trinidad Tobago, onde trabalhei de pedreiro e muito pouco com manutenção de barcos;

- todos os trabalhos que envolvem manutenção de barcos, o que estou fazendo desde que cheguei aos Estados Unidos, no final de abril de 2017 até agora, final de junho;

- tripulantes que pagam estadias ou alugam o veleiro;

Não existem patrocínios.

Poderia nos contar um pouco sobre o trecho que já foi navegado desde dezembro de 2014?

Desde dezembro de 2014 já navegamos 9.730 milhas. Neste primeiro um quarto de volta ao mundo, os principais lugares já visitados foram:

- Península Valdes, no paralelo 42 S;

- Argentina entre Buenos Aires até a Península Valdes;

- Uruguai;

- Costa Sul do Brasil toda, incluindo duas idas a hiper querida Porto Alegre, tanto na ida, como na volta, onde o tradicional clube Veleiros do Sul foi nosso hiper anfitrião;

- A costa brasileira desde Angra dos Reis até o indescritível Delta do Parnaíba;

- Trinidad Tobago;

- Praticamente todas as ilhas de sota e barla vento do leste caribenho, entre Trinidad Tobago até Saint-Martin;

- Rapidamente as Ilhas Virgens Britânicas e Americanas;

- Passagem pela República Dominicana. Um mês em Cuba;

- Estamos em Key West, extremo sudoeste da Florida, Estados Unidos, desde o final de abril.

Saímos de Angra em dezembro. Escala em Itajaí, Rio Grande, onde embarcou o amigao Plinio Fasolo para nos conduzir pela Lagoas dos Patos ate seu clube, o tradicional Veleiros do Sul (VDS), em Porto Alegre. O VDS foi nosso grande anfitrião. Ficamos como seu convidado na ida para o sul até o dia 26 de dezembro/2014.

Nesta data zarpamos para Patagonia. Paramos em Tapes na lagoa dos Patos, e chegamos de volta a Rio Grande. De Rio Grande partimos para La Paloma, URUGUAI, nosso primeiro porto estrangeiro.

Neste porto passamos o ano novo. Seguimos então para Piriapolis e Montevideo, de porto do Buceo fomos para a ARGENTINA, em Puerto Madero, Yacht Club Argentina, por uma semana de cortesia. Seguimos para a baia de Nunes, onde ficamos em dois clubes por cerca de mais duas semanas.

De Nunes navegamos a jusante do Rio da Prata para La Plata, por cerca de 20 milhas. Lá ficamos em outro clube mais uma semana.

De La Plata fizemos uma excelente velejada para o sul, Mar Del Plata. Onde acredito que tenha ficado só dois ou três dias, porque tinha de aproveitar a janela de tempo para ir para a Península Valdes.

Mesmo eu tendo me programado dois anos antes que iria até a Península Valdes, o tempo todo, no caminho, via as alternativas. Caso as condições meteorológicas não favorecessem, abortaria a missão. Regressaria. Tava com muito medo mesmo.

De Mar Del Plata para a Península Valdes fiz em solitário. Todos os que eu tinha convidado para este trecho, por um motivo ou outro, não puderam se juntar a mim. Três dias espetaculares indo para o Sul. O grande companheiro desta viagem foi o senhor Medo. Visitas constantes de cardumes de golfinhos, cada dia aparecia um tipo diferente.

A chegada na Península Valdes foi muito tranqüila. Brisa de SW, dia de sol. Consegui parar o barco em uma praia isolada daquele fantástico lugar. Ficar apreciando de perto seus selvagens banhistas, irritadiços, agitados, medrosos leões marinhos, pacatos e dorminhocos adolescentes elefantes marinhos. Isto era final de janeiro, inicio de fevereiro de 2015.

Desta praia, na costa sul da península, entramos no final do dia dentro do Golfo Nuevo, em uma velejada memorável. Vento bom, mar liso, por do Sol espetacular. Jogamos ferro nas praias em frente Puerto Madryn. Gigante foi a  felicidade de ter conseguido chegar ali, sozinho. Quando a âncora unhou nas areias do fundo do Golfo Nuevo, parte de um sonho acabava de ser realizado.

Um par de semanas em Puerto Madry, outra semana em Puerto Pirâmides. Em Puerto Madryn foi o maior susto de toda a viagem, 60 nós de vento ancorado, em uma congelante noite. Ondas curtas, cavadas e rápidas. O barco pulava muito. Não tinha coragem de ir a proa verificar a corrente e o cabo da segunda ancora. Tal medo paralisante de cair n’água. Lembro de ter colocado três casacos de tempo, um sobre o outro. Duas calcas, mais a calca de tempo. Duas meias  e bota de borracha, gorro. Mesmo assim morria de frio. A grande preocupação eram as ancoras garrarem e o barco ser arrastado para o monumental pier de navios, com mais de 20 metros de altura, que estava a sota vento.

Foi um tormento aquelas horas da tempestade. Era sábado de carnaval de 2015. Uma hora pensei, “o Brasil inteiro se embriagando, pulando carnaval no maior calor, e eu aqui, quase pulando no bloco dos pingüins naufragados! Kekitofazendoaki pelamordideus??!!???”

Porem, sério, este stress leva a um cansaço físico. Acabei dormindo. As ancoras e as amarras aguentaram bem. Sendo que a danfort, de 15 quilos, envergou sua haste.

De Madryn naveguei 40 milhas para o outro lado do Golfo, Puerto Pirâmides.

Puerto Pirâmides é o pequeno povoado dentro do parque que é a Península Valdes. Lá a bandeira brasileira foi nosso grande cartão de visita. Chegamos em uma sexta feira linda, verão já adiantado, meio que final de estação. A amplitude de maré dentro do Golfo Nuevo atinge 4 metros. Então tivemos que ancorar bem longe da praia. O motor de popa do botinho não estava nada confiável.

Com o movimento de barcos que vi em volta, pedi carona para uma lancha inflável bem grande. Isto com a bicicleta pronta para desembarcar. O casal que me deu carona, de pronto me ofereceram um quarto no hotel deles. Porque tinham um amigo, local também, que ama o Brasil. Convidaram-me para jantar o salmão branco que tinham pescado e conhecer seus amigos lá de Pirâmides.

Assim fui fazendo amizade com estes argentinos que exploram turismo em um lugar que considero incrível, a Península Valdes. Lá, o forte é a estação das baleias, de junho a dezembro. Muitos barcos para avistar os gigantes cetáceos de perto.

Em Pirâmides, naquela noite de sexta feira, terminou os últimos goles da cachaça Gabriela, Tinha trazido três garrafões de 5 litros. Bom grogue de Paraty para fazer novos relacionamentos. Cachaça, melado de cana, cravo e canela. Memorável festa naquela sexta. Dizem que nunca fiz amigos oferecendo leite. Dizem!

O casal fez questão que eu ficasse no hotel deles a semana toda.

De Pirâmides começou o regresso. Uma bela francesa e um novo camarada italiano embarcaram conosco para o Norte. A previsão era pegarmos 40 nós de proa, nordeste que iria ser por um curto período, e depois passar. A saída do Golfo Nuevo é pelo sul. Então, aquele nordestão favorecia, mar plano e vento favorável, na saída sul, e depois través fora da boca do Golfo.

Chegamos na boca do Golfo por volta da meia noite. Caso não quisesse mar, tinha que navegar bem grudado a costa, na direção leste. Cansado como estava, dormi um pouco, para isto, coloquei o rumo no piloto automático um pouco mais para fora.

Quando amanheceu, estávamos 10 milhas longe da costa. Com o nordeste de 40 nós, o mar já tinha virado um inferno, com ondas fortes e aquele mar de proa, então eu reduzi ao máximo e entrei na capa, esperando aquela ventania acabar, conforme tinha visto na previsão.

Dito e feito, por volta do meio dia já tava tudo calmo. Tivemos uma baixa, o italiano queria me matar! A francesa aguentou firme, ela e o Petit Prince. Gozado como nestas horas parece que o Petit Prince fica tirando uma comigo. Meio que perguntando, ta com medinho, ta??? E ele diz para mim, eu não, seu bundão! kkkkkk. Sério, o barco é muito mais forte e valente que eu.

A previsão era para os próximos dias entrar novos nordestes. Então fomos para a alternativa San Blás, um estuário antes de Mar Del Plata. Lá, o amigão italiano se pirulitou de carona em um caminhão de levar pescado, para baia Blanca. Fiquei com a francesa em um hotel, por uns três dias, esperando a janela de tempo para podermos ir para Mar Del Plata.

Em Mar Del Plata entrou mais um amigo que tinha conhecido em Ilha Grande, ele foi conosco direto para Montevidéu. Na capital uruguaia, saiu a francesa e entrou um casal de italianos. Com os italianos fizemos Buceo, porto do Yacht Club Uruguaio para Punta Del Leste, La Paloma, Rio Grande, Porto Alegre, Rio Grande, Imbituba e Florianópolis.

Em Florianópolis reencontrei o grande amigo, e apoiador desta circunavegação, o Comandante, Físico, Professor, velejador do tradicional Veleiros do Sul, de Porto Alegre, amigo Plínio Fasolo. Conforme ja citado acima, Plínio já tinha vindo a bordo quando, na qualidade de nosso prático, nos conduziu de Rio Grande a Porto Alegre na primeira vez. Plinio, Cicerto Hartmam, Eduardo Ribas e toda a galera do Veleiros do Sul foram hiper parceiros conosco.

Plinio comentou algo como, que ele, em seus 50 anos que navega no rio Guaiba, sempre ve no veroes, ao menou um, ou mais barcos saindo de Porto Alegre para Angra dos Reis. Vir um barco de Angra para Porto Alegre, para passar o verao no sul, era primeira vez que via acontecer.

Com seu barco, o Feitiço, um exclusivo Delta 32 Pilot House, navegamos lado a lado de Florianópolis até o Caixadaço, em Porto Belo. Com direito a resgatarmos uma canoa virada em uma praia de Floripa.

A programação era estar em Itajaí em abril de 2015, junto com a Volvo Ocean Race. Consegui trabalhar no time Turco-americano Alvi Medica, como "shore crew".

Terminada festa da Volvo, navegamos para São Francisco do Sul. Ficamos no Museu do Mar e fui hiper bem recebido pela nova amiga Marina Bruschi. Plínio e seu muito bom Feitiço chegaram logo depois.

De São Francisco do Sul saí com uma amiga mexicana para Ilhabela, 40 milhas antes da lage de Santos, na madrugada, o eixo do hélice quebrou, 7 horas da noite, de um domingo, estávamos encalhados, com genaker içada, sem vento, no canal de acesso do Clube Internacional de Regatas – CIR, na Poca Farinha, Guarujá. Lá consertamos o eixo e fizemos pintura de fundo.

Destaque para a muito boa hospitalidade do CIR. Bom serviço dos estaleiros do Guarujá, e o auxilio dos pescadores da Poca Farinha.

Do Guarujá em solitário para Ilhabela. Dois dias por lá.

Cheguei a Paraty e encontrei o amigo Plínio Fasolo com seu Feitiço. Fomos para Angra e ele ficou um curto período no nosso clube, Angra dos Reis Marina Clube, ARMC.

No mês de junho tinha um compromisso, acredito que marcado com dois anos de antecedência, de receber a mana de Brasília e seus filhos, os pequenos de quatro e seis anos. Passamos o feriado de Corpus Christi na espetacular Ilha Grande, na muito agradável temperatura do ameno inverno fluminense.

Em julho participamos da famosa Semana de Vela de Ilhabela.  Vieram seis tripulantes. Novo reforço de caixa para o barco.

Final de julho despedida do ARMC.  Rumo a Tronso, Noruega. Sabia que ia dar a volta ao Mundo, porem sem muito planejar por onde ou quando.

Barco cheio de amigos. Argentinas, brasileira, argentino e uruguaio. Chegamos a Cabo Frio. Embarcou mais uma bela gata brasileira. Final de semana em Búzios.

De Búzios fui com um casal de amigos, ele argentino, ela uma gatinha mineira/italiana, para Vitoria, Abrolhos e Porto Seguro.

Em Porto Seguro embarca o amigão Gilson Prudente, que tem com base o Pontal do Sul, no Paraná. Navega muito a região de Paranaguá.

O Petit Prince estava nos flutuantes da Associao Nautica de Itajai, ANI, e o Gilson dia bateu no casco, me procurando. Fiquei meio surpreso. Disse que acompanhava as navegadas do Petit Prince pela redes sociais. Sabia que estavamos vindo da Patagonia e gostaria de me conhecer pessoalmente.  Virou um amigão instantaneamente. Junto com o Plínio, e outros velejadores, fizemos uma super festa no Itajaí StopOver, da Volvo Ocean Race.

Com Gilson fomos para Ilhéus, e seguimos para Barra Grande, no litoral baiano, em Camamu. Na Ilha do Sapinho conhecemos o casal do Andante, um Delta 36. Paula e Fernando e seu amado cãozinho Chopinho. Eles já tinham ido e voltado com seu veloz Andante ate Portugal. Quando nos encontramos em Barra Grande, Bahia, os dois veleiros estavam subindo a costa brasileira para a Refeno.

Continuamos Gilson e eu para Morro de São Paulo, onde ele desembarca.

Sigo solo para Salvador, e de lá para Aratu, outro lugar bem legal. Em Aratu embarca um camarada francês para fazer a perna para Recife. Isto já estamos em setembro de 2015.

Participamos da Refeno. Estávamos em cinco tripulantes. Em Fernando de Noronha conheço o hiper simpático e anfitrião casal Edna e Eder, do barco de aço Piata. Eles nos convidaram para irmos para sua casa em Barra do Cunhau, sul de Natal, ao lado da cidade de Baia Formosa, ainda no Rio Grande do Norte.

Saí de Fernando de Noronha para Natal na Fenat, em solitário. Por Natal algumas semanas, fomos junto com mais três barcos para Barra do Cunhau e para sermos recepcionados pelos amigos Edna e Eder.

Os barcos eram a Argos, outro Fast 345 do casal Mariana e Andre, o Andante, Delta 36 do casal Paula e Fernando e o Carapitanga, Aladin 30, do casal Viviane e Filipe. Chegou mais o Pura Vida, catamaram da família Artur, acho que quatro anos, Elaine e Peter, de Florianópolis;

Ficamos neste grupo por poucos meses na agradabilíssima Barra do Cunhau. O Andante de Paula e Fernando voltou para o sul, os outros três foram para o norte, para seguirem para o Caribe.

Fiquei sozinho por novembro e dezembro e passei Natal e ano novo lá em Barra do Cunhau. Em janeiro voltei solo para Natal. De lá, junto com um amigo potiguar, fomos para Galinhos, RN. Este amigo desembarcou e então embarcou um novo tripulante com o qual fomos até Jericoacoara, Ceara.

Em Jericoacoara ele desembarca e entra um grupo de três meninas e um camarada. Fomos nós cinco para Tutoia, Maranhão, e Ilhas Canárias, no Piauí. Este pessoal desembarca naquele paraíso.

Fico por um par de meses "hospedado" na comunidade do Morro do Meio, nas Ilhas das Canárias. Eita povo maravilhoso. Atividade principal daquele povo: catadores de caranguejo. Famílias muito bacanas.

Fiz amizades com eles, reformamos a chalana escolar, matamos dois bodes, algumas pescarias. Lugar bom demais!

Penso em me aposentar por lá, caso consiga sobreviver a todas as navegações que ainda me proponho até os 85 anos de idade.

No Delta do Parnaíba embarcou uma amiga Luiza Torquato.

Luiza tinha conhecido junto com o Gilson, quando paramos em Porto Seguro. Paulistana hiper do bem, garota nova. Nos vendeu uns “chot’s” doidos la em Arraial d’Ajuda no bar restaurante onde trabalhava.

Com Luiza fizemos direto Tutoia para Tobago em 14 dias. Tive que evitar entrar em Belém, e outros lugares devido ao medo de pirataria. Tinha ouvido alguns causos. E com uma menina a bordo, mais medo ainda.

Em Tobago chegamos por Charloteville, um encanto de lugar. Tobago é o grande resort deste rico país que é Trinidad Tobago. Eles têm petróleo. E uma antiga colônia do Reino Unido.

Em Tobago praticamente toda a população é descendente de africanos. Pense em um povo grande, são os tobaquenses. Lá trabalhei de pedreiro e Luiza de garçonete por 20 dias. Fez sucesso fazendo caipirinhas e distribuindo “fartos e belos sorrisos brasileiros”. Conseguiu boas gorgetas, que tinha de dividir com a hiper mal humorada colega no boteco lindo a beira de uma praia cartao postal caribenha.

Depois de ficar por dois meses em Tobago, rumamos para Chaguaramas, em Trinidad. Era já o inicio da temporada de furacões de 2016.

A Luiza conseguiu um barco para trabalhar, e foi com este barco para o norte caribenho. Fiquei de castigo por lá até novembro. Sem poder trabalhar em Trinidad. Chegou uma nova tripulante italiana. Com ela saímos dia 11 de dezembro, para ir subindo as ilhas caribenhas de sota e a barla vento até Saint-Martin.

Fizemos Granada, São Vicente e Granadinas, onde passamos o Natal e ano novo 2016/17.

De Bequia, nas Granadinas, seguimos para Santa Lucia, Martinica, Dominica, Guadalupe. De Guadalupe direto para Saint-Martin, onde iria receber uma amiga velejadora gaúcha. Com a gaúcha e mais dois amigos de Florianópolis, navegamos por Anguilla, Saint Barthelemy e Saint-Martina. Foram os meses de fev e mar de 2016.

Combinei com uma amiga, que conheci lá na Patagônia, de dançarmos salsa em Cuba. Consegui convencê-la a vir lá de Península Valdes para Havana. Tinha de pegá-la no último dia de março no aeroporto.

Saiu comigo de Saint Martin, Marigot, capital da parte francesa, uma nova amiga portuguesa, a Sonia Silva. Sonia já estava há uns meses velejando de carona, morando em fazendas orgânicas, trocando trabalho por teto e comida. Tranqüila e brava. Mais uma amizade formada. Com Sonia, fomos direto para Ilhas Virgens Britânicas. Chegamos à Virgem Gorda, espetacular, com Iates gigantes e muito veleiros. Tivemos a colher de chá do super resort Bitther End Yacht Club. “Iate Clube Amargo Fim”, em traducao livre.

De amargo nao tinha nada. E sim, como foi doce nosso inicio junto as virgens. Mesmo ela sendo uma a virgem mais fofa.  Serio, lugar super lindo, pessoas hiper educadas.

Da Virgem Gorda navegamos para Saint Thomás. Foi nossa entrada nos Estados Unidos. Esta ilha faz parte do arquipélago da Ilhas Virgens Americanas. De Saint Thomás para Puerto Rico e de Puerto Rico para Republica Dominicana, RD.

A parada na RD foi estratégica. Acabar de abastecer o barco de comidas legais para receber a amiga pinguina. Estava em uma baita dúvida se encontraria comida ou não em Cuba. Já tinha escutado coisas muito ruins sobre a RD e suas autoridades. Sonia e eu entramos por Luperon, litoral norte, bem oeste do país, próximo a fronteira com o Haiti.

Chegamos na calada na noite, em uma sexta feira, naquele porto que é um excelente "hurricane hole", abrigo para se proteger de furacões. Sábado bem cedo, já tem alguém batendo papo com a Sonia logo pela manha. Já tinha me desacostumado disto.

Nos países, ilhas, mais pobres caribenhas, tu és abordado por todos. Pessoal oferecendo serviços. Água, combustível, lavanderia, poita, o que seja para conseguirem te tirar algum e poderem sobreviver.

Já estava há quase dois meses só passando por ilhas ricas. Puerto Rico, Virgens Americanas e Britânicas, Saint Martin, Anguila, a caríssima Saint Barthelemy, onde o Sylvester Stallone passa o ano novo. Tu te esbarras com o Leonardo DiCaprio comprando sapato. Assiste a Bruna Marquezine e a Sasha, filha da Xuxa, nervosas porque a mega celebridade internacional tá na área.

Nestas ilhas ricas, entra e sai sem ninguém lhe dar um simples bom dia. Nas ilhas pobres caribenhas, de longe os prestadores de serviços já vêm como podem, de barcos a motor, ou mesmo a remo, oferecer seus préstimos ou mercadorias.

Entrando na RD, não foi diferente. Tinha um senhor local, que há anos limpa fundos de barco e auxilia bem quem está chegando ao seu país. Vende a bandeira de cortesia e tudo mais. Fizemos lavanderia e compramos água com aquele senhor. Era sábado pela manhã, e perguntei onde ficavam as autoridades para fazermos o "clearance".

Tudo certo, saí para a cidade mais próxima, para terminar o abastecimento de alimentos. Na volta, à noite, encontro Sonia dentro de um minúsculo barco oceânico. Tava de maior papo com o jovem polonês, seu capitão. Claro que me enturmei com os dois. Combinamos no domingo, de irmos passear pela agradável e pequena cidade de Luperon. Almoçamos, tomamos um par de cervejas, e resolvemos ir ao boteco onde se reúnem os velejadores locais. Estava cheio de veleiros em Luperon.

Boteco bem meia boca, com um povo de astral não tão alto. Porém tinham três mochilas lá, e já a noticia correndo que três russas que tinham chegado. Estavam procurando um barco para irem até Cuba. O Michal, polonês, estava indo para a Bahamas, no seu rumo para cruzar o atlântico de volta para Europa com aquele botinho a vela.

Bom, olhei para ele, e disse, vum bora ver como são estas pobres soviéticas, aí nois decide se podemos ajudá-las ou não. Bão, não demorou dez minutos aparecem as moiçolas, duas lindas siberianas e outra bela forte moscovita. Papu vem, papu vai, vum bora todo mundo para Cuba. Assim o Petit Prince chegou em Puerto de Vita, no final de março, com a Sonia, portuguesa, e duas hiper agradáveis, meninas hiper cultas e descoladas, alem de serem super gatinhas. As siberianas.

A chegada em Cuba foi um show a parte. O motor quebrou nos baixios do porto. Eu tentando desencalhar o barco. Fomos rebocados para a marina. Antes disto, eles fizeram todos os procedimentos de entrada como lemos nos manuais. Bandeira Q, de Quebec, quarentena hasteada. Fundeados fora, veio o médico. Examinou um por um de todos nós. Todos saudáveis, arria a bandeira Quebec, hasteia a de Cuba e vamos para os outros procedimentos. Dois cães vêm a bordo, procurar explosivos e narcóticos. Fora as revistas, trocentas perguntas das autoridades. Em Puerto de Vita desembarcam as meninas, e sigo solo, sem motor, para Havana. Saio em um ventão, porem a favor, sozinho nas 400 e poucas milhas.Cheguei na marina Hemingway, 8 milhas oeste do porto de Havana. Depois de dois dias fui buscar a querida no aeroporto, em um lindo classico azul Chevrolet dos anos 50.

Consertamos o motor em Hemingway. Bailamos salsa no Malecon e em belo hotel da marina Hemingway, a beira da piscina, em uma caliente noite cubana. Fomos navegar para os cayos, a oeste. Espetaculares! Lembram a tranquilidade das águas de Paraty, porém, muito mais transparentes e quentes. Fizemos turismo rural pelo interior de Cuba. A amiga voltou para a Argentina e nós, Petit Prince e eu para Hemingway.

Da marina, parti solo para Key West, Florida, EUA à 90 milhas. Chegamos ao final de abril. Nossos planos são agora, depois do feriado de quatro de julho, sairmos de Key West e voltarmos para Cuba.

 

Como é a questão da permanência nos diferentes países?

Cada país tem sua regra de permanência. São acordos de reciprocidade com o governo Brasileiro. 

Faço da nossa permanência, o interesse em esticar ou não nestes países. Estilo ficar em Trinidad Tobago aguardando o final da temporada de furacões ou ir para outros países porque temos passeios agendados, ou a busca de trabalhos e fazer turismo.

Qual a data da próxima etapa e qual o trecho a ser navegado?

Até fevereiro de 2018, estaremos navegando entre Flórida, Cuba, México e Bahamas. Os próximos trechos serão: a ida até Nova Iorque, Montreal, no final do inverno boreal e começo da primavera. No final da primavera, já deveremos estar na Terra Nova, Canadá, aguardando a janela de tempo para podermos navegar para o sul da Groenlândia. Nossa rota cruzando o Atlântico Norte será esta. Caso as condições recomendem irmos direto para Noruega, assim o faremos. 

Como está sendo documentada essa circunavegação?

Muitas publicações na rede social Facebook. Fotos e filmes, um pouco registro no diário de bordo.

Pretendem publicar algum trabalho impresso ou em vídeo?

Sim, após completar esta primeira circunavegação, pretendo escrever um livro e porque não editar as filmagens e publicar no Youtube também, afinal de contas, acredito que assim, muitas pessoas são inspiradas pelos sonhos de nosso caminho e acabam tomando coragem para realizá-las!

 

Bons Ventos ao Petit Prince!

 

 

Categoria: viver a bordo
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Do Brasil ao Caribe no Veleiro Unforgettable

Publicado por Elson - Mucuripe em 14/06/2017 às 07h44

Esta é uma bela história de um casal apaixonado pelo Mar e por navegar. É uma história que vem sendo vivida a bordo do Unforgettable, um belo veleiro clássico de 32 pés.

Diego e Georgia, unidos pelo Mar, estão fazendo uma belíssima navegada que se iniciou nas águas do Guaíba e ganhou os mares, subindo a costa do Brasil até o Caribe, onde sacramentaram a união numa belíssima cerimônia à beira-mar.

O que é muito bom nessa história é que estão fazendo um rico registro da viagem em vídeos, mostrando as belezas do Caribe e contando sobre as diferentes culturas e atrações turísticas de suas ilhas.

 

 

Bate-papo com o amigo velejador Diego Maio

 

Onde e quando vocês se conheceram?

Eu e Georgia nos conhecemos quando adolescentes num balneário litorâneo no Rio Grande do sul final dos anos 90, éramos bons amigos e fazíamos parte da mesma turminha. Apos alguns anos cada um foi para o seu lado, e nos reencontramos em 2011, quando começamos a namorar.

 

 

 

Já velejavam nessa época?

A Georgia nunca tinha velejado antes de nosso reencontro, mas logo no começo do namoro já saímos para velejar no Rio Guaíba, onde o Unforgettable morava na época. Eu comecei velejando na classe Optimist aos 11 anos e aprendi a velejar no Unforgettable na mesma época.

 Conte-nos um pouco sobre o Unforgettable. Desde quando está com a família?

O Unforgettable foi adquirido pelo meu pai em 1996, durante 5 anos saímos muitas vezes pelo Rio Guaíba para passeios durante os finais de semana. Em 2001 foi vendido, e o então dono iniciou uma reforma que nunca terminou, em 2009 meu pai comprou o barco novamente e o pôs para navegar ainda no Rio Guaíba. Em 2012, com a mudança da família para Florianópolis decidimos levar o Veleiro, então com 46 anos, para o mar, onde foi reformado à atual condição, apto para longas navegações até novembro de 2015, data da nossa partida.

Como foi surgindo a idéia de morar a bordo? A vontade de ir velejando para o Caribe surgiu ao mesmo tempo?

Desde o início do namoro tínhamos a idéia de fazer uma grande viagem, de experimentar algo além da vida cotidiana. O veleiro era uma das possibilidades que ao passar dos anos foi tomando forma. Sempre pensamos em vir ao Caribe, mas não sabíamos se nós e o veleiro seríamos capazes de suportar, então nos propusemos a ir até o Rio de Janeiro. Após alguns meses em Angra dos reis já sabíamos que queríamos ir além.

Já haviam velejado no Unforgettable em Alto Mar?

A  vida salgada do Unforgettable começou em 2012, com velejos  ao redor da Ilha de Santa Catarina, e pernadas até Itajaí, Porto Belo, Ilha do Arvoredo etc.

Quanto tempo ficaram pela costa do Brasil até decidirem ir para o Caribe?

Velejamos pela costa brasileira por um ano, entre novembro de 2015 e novembro de 2016 parando e explorando muitas localidades até então desconhecidas para nós. Vale aqui destacar a Baía de Paranaguá e o canal de Varadouro, Ilha Bela, Baía de Ilha Grande, Búzios, Abrolhos, Itacaré, e Baía de Camamu. Ao sairmos de Salvador já estávamos decididos a ir até o Caribe e por já ser um pouco tarde na temporada de subida ao Caribe só paramos para descanso e reabastecimento.

No Aratu Iate Clube - Salvador

Como foi esse planejamento de seguir para o Caribe?

O planejamento para o Caribe foi feito de forma séria e com muita humildade e respeito ao mar. Quando estávamos em Salvador já tínhamos muita confiança no barco e na capacidade dele de navegar em condições duras, já tínhamos também uma certa experiência e preparo mental. Conversar com velejadores mais experientes foi fundamental e pegamos muitas dicas e ouvimos muitas palavras de incentivo. Preparamos o barco de maneira criteriosa tendo peças de reposição e planejamento para situações de emergência.

Como foi a velejada até o Caribe?

A velejada ao Caribe não pode ser descrita de outra maneira senão mágica. Contávamos com mais dois tripulantes que abrilhantaram nossa travessia com entusiasmo e alto astral. Onze dias se passaram desde o zarpe em Fortaleza até chegarmos na fabulosa Carlisle Bay em Barbados. O vento foi constante entre 15 e 25 nós, o Unforgettable nos surpreendeu com uma ótima velocidade e não tivemos nenhum problema com o barco durante a travessia. O piloto automático havia parado de funcionar alguns dias antes da nossa partida, então levamos o barco no braço, o que foi um pouco puxado, mas também ajudou a tornar essa aventura ainda mais inesquecível. A Georgia parecia uma maruja de longa data acostumada a travessias oceânicas, foi o lastro de tranquilidade da tripulação, cuidando do bem estar de todos.

 

 Quais as ilhas que mais gostaram de conhecer no Caribe até o momento?

A nossa porta de entrada no Caribe, Barbados vai ficar sempre em meu coração, a emoção de chegar em Barbados me faz arrepiar sempre que penso nisso, depois de tanto empenho o nosso sonho se realizava. Barbados é um lugar lindíssimo com belas praias e um povo muito hospitaleiro. Também gostamos muito das ilhas francesas Martinica e Guadalupe, principalmente pela estrutura oferecida aos velejadores. E agora estamos desfrutando das Ilhas Virgens Britânicas que são possivelmente o lugar de maior beleza cênica do Caribe.

Quanto tempo pretendem ficar pelo Caribe e quais lugares pretendem conhecer?

Devemos ficar a próxima temporada no Caribe, não temos um planejamento de longo prazo, mas ainda queremos conhecer St Martin, St BArths, Antigua, Barbuda, Anguilla, ST Vincent Grenada Tobago, Los Roques, Curacao, Aruba e Bonaire e finalmente Panamá. São muitos lugares para visitar e cada um tem seu charme  e peculiaridades com certeza.

Há muitos velejadores brasileiros pelo Caribe?

Sim, bastante, há algumas semanas atrás  tivemos um encontro histórico de onze barcos brasileiros na  Norman Island nas ilhas virgens Britânicas. Acredito que tenha muitos brazucas navegando por aí sim.

Como estão sendo recebidos pelos habitantes das Ilhas?

O fato de sermos brasileiros sempre gera uma simpatia imediata por parte dos locais. O povo caribenho é alegre e preza pela tranquilidade, estão acostumados aos visitantes e fazem do turismo seu principal negócio.

O que tiveram que providenciar para fundear e desembarcar nos lugares em que chegaram?

Cada lugar tem suas regras e burocracias e taxas especificas. mas são necessários apenas os Passaportes da tripulação, documento do barco e declaração de saida do porto anterior.

Como estão sobrevivendo?  

Eu sou oceanógrafo ,trabalho ocasionalmente como free lancer em pesquisas geofísicas. Durante o período de preparação fizemos uma poupança e agora mais recentemente estamos produzindo vídeos sobre a viagem e contamos com apoiadores, no entanto o recurso dos vídeos ainda está sendo totalmente investido na aquisição de material para melhoria das produções.

Além da produção de vídeos sobre o Caribe, pretendem fazer charter?

Sempre consideramos essa possibilidade, com o novo barco será mais fácil, ainda estamos pensando no assunto

O que dizem por aí sobre a temporada de furacões? O que pretendem fazer nessa época?

A temporada de furacões oficialmente compreende o período entre Junho e Novembro, sendo Agosto e Setembro o período mais crítico. Existem ilhas que são mais atingidas e outras menos, mas na verdade é sempre uma grande loteria. Vamos tirar o barco da água e deixar no seco entre Agosto e Novembro.

Pretendem voltar ao Brasil com o Unforgettable?

O Unforgettable está à venda, compramos um novo barco aqui no Caribe, isso impossibilita um retorno ao Brasil de barco por questões burocráticas. O Unforgettable está apto para retornar ao Brasil se o  comprador assim desejar.

Como as pessoas podem contribuir para que continuem com a produção de vídeos sobre o Caribe?

Atualmente nossas produções de vídeos podem ser apoiadas através do site APOIA.se, trata-se de financiamento coletivo e recorrente. Os interessados podem apoiar nossas produções com quantias variadas de maneira mensal, iniciando com 5 reais. Em troca além dos vídeos os apoiadores recebem recompensas e têm acesso a conteúdos exclusivos . Em breve colocaremos no ar uma lojinha virtual para aquisição de diversos itens com a marca do Unforgettable Sailing ( camisetas, canecas etc.) 

As pessoas podem nos apoiar ainda, compartilhando e curtindo nossas publicações nas redes sociais e mandando mensagens de apoio , críticas, sugestões, pedidos e dúvidas. A energia que sentimos ao receber o carinho daqueles que nos acompanham tem sido algo fantástico.

 

Diego e Georgia, desejamos a vocês muitas milhas de Amor e União a bordo do Unforgettable. Que o Mar seja sempre o doce lar desse casal magnífico!

Aproveito para registrar aqui uma recordação de quando velejamos no Unforgettable em Salvador:

 

 Essa é uma aventura que merece todo nosso apoio. Segue o link para fazer sua contribuição:

https://apoia.se/unforgettablesailing

Saiba mais sobre o Unforgettable Sailing:

https://unforgettablesailing.com.br/

Categoria: viver a bordo
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Morando, vivendo e trabalhando a bordo de um veleiro

Publicado por Elson - Mucuripe em 30/05/2017 às 22h43

Parece até que viver a bordo de um barco está virando moda! Não, não é bem assim, pois viver a bordo requer muito desprendimento. Mas, alguns casais estão descobrindo que essa forma de vida não é lá tão complicada assim, e que não é privilégio de quem tenha muita grana, muito pelo contrário. Temos visto que vários casais brasileiros estão investindo suas pequenas economias, e até mesmo vendendo o que têm para realizarem o sonho de viver a bordo. Comprar um barco usado e em boas condições de moradia não é algo tão dispendioso, é até bem mais barato do que comprar um imóvel simples. Mas, ter esse desprendimento e coragem, isso sim é para poucos.

Recentemente conheci em um grupo de velejadores que participo, um casal do Sul do Brasil que resolveu soltar as amarras, vendendo tudo o que tinham para investir numa nova forma de viver, num veleiro de 37 pés. Bruna e Jairo não pensaram duas vezes para fazer essa escolha, e estão felizes morando, vivendo e trabalhando a bordo do Caboges.

Bruna tirou um tempinho para nos contar um pouco sobre a vida a bordo do Caboges:

 Há quanto tempo moram no barco?

Desde Janeiro de 2015

Como surgiu a idéia de morar a bordo?

Já tínhamos o barco que era nossa casa de praia, que estava em reforma. Morávamos no sítio do meu pai. Compramos uma casa na planta que seria entregue em março de 2015. Pensamos em ficar no barco esses 3 meses e adiantar a reforma. A casa foi entregue somente em 2017, então fomos ficando no barco até não querermos mais ir para casa, onde nunca dormimos uma noite sequer e que vendemos recentemente.

Há quanto tempo velejam? onde começaram?

O Jairo veleja há uns 10 anos e eu desde que estamos juntos, há 6 anos. Tudo começou no Lago Guaíba com um atol 23 e depois um S2 minuano 28. O jairo sempre foi apaixonado por água, surfava todos os finais de semana mesmo no inverno Gaúcho. Quando pisou no veleiro passou a surfar as ondas do Guaíba de barco.

Por quais lugares já passaram desde que decidiram morar a bordo?

Conhecemos o Guaíba de ponta a ponta, algumas partes do Rio Jacuí e Lagoa dos Patos, a qual recomendamos a todos conhecerem. Há muitas belezas escondidas e uma navegação bem diferente. Viemos em uma única perna de Rio Grande a Garopaba.  Conhecemos toda a região de Florianópolis e Porto Belo, depois tocamos em outra perna para Ilhabela, Ilha Anchieta e região de Ubatuba. E agora ficamos entre Paraty e Angra.

Quanto tempo pretendem ficar pela região de Paraty?

Não temos previsão, a idéia é de ficarmos pelo menos até a Páscoa do ano que vem, quando começaremos a subir para Refeno. A partir daí não sabemos.

Vocês ficam em alguma Marina?

Não, ficamos na âncora,  nos deslocamos com o bote de apoio. Mas ainda somos sócios do iate clube Guaíba, Porto de origem.


Como foi a escolha do barco?

A idéia sempre foi um barco de aço com quilha retrátil para se deslocar no Guaíba e lagoa dos Patos, onde o calado é baixo. E o Caboges foi um achado.

Barco de aço dá muita manutenção?

MUITAA, requer uma atenção maior.


Qual é o modelo do Caboges? onde foi construído? onde compraram?

Construção de aço francesa projeto Caroff-Modelo Bulle de Soleil 37 pés. Compramos ele na Bahia, foi projetado para desbravar a Antártida. 

Por onde pretendem navegar?

o jairo não abre mão de conhecer a Patagônia e o Caribe. E não descartamos a possibilidade de volta ao mundo. Mas nossa casa por enquanto será entre Ilhabela, Paraty e Angra.

O que faziam antes de morar a bordo?

Jairo, fisioterapeuta.

Bruna, formada em direito, assistente jurídica. 

Hoje qual é o meio de sobrevivência?

Charter


Quando começaram a fazer charter?

No início de fevereiro deste ano.

Quais são as opções de serviços oferecidos no charter?

Conhecimento de navegação e de vela; Day Charter, Pernoite, refeições, bebidas e drinks, snorkel, bote para deslocamento para a praia, stand up, e troca de conhecimentos de como funciona a vida a bordo.

Pretendem ter filhos e criá-los a bordo?

Pensamos muito sobre o assunto, mas nunca decidimos nada. Deixar acontecer. Se tivermos, serão criados a bordo.

Como a família encara essa opção de vocês?

No começo achavam que era loucura. Hoje gostam, e acham que não poderíamos ter escolhido melhor estilo de vida, em tempos com tanta violência. 

 

Muito obrigado, Bruna e Jairo, por compartilharem essa bela história de vida a bordo!

Bons Ventos ao Caboges!

Categoria: viver a bordo
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A volta ao mundo no Guruçá Cat

Publicado por Elson - Mucuripe em 04/08/2016 às 23h35

A vida é mesmo feita de sonhos, e estes são para ser vividos. Soltar as amarras em busca de um grande sonho é para muitos um ato de loucura, mas para os corajosos é um ato de pura sanidade. Guta e Fausto não mediram esforços, se entregaram de corpo e alma e realizaram muitos desses loucos sonhos, e nessa magnífica loucura dos bravos velejadores, soltaram as amarras e abriram os panos para uma pequena volta ao mundo de quase quatro anos a bordo de sua casa-barco, o belíssimo Guruçá Cat.
Guta e Fausto, muito obrigado por compartilhar esse belo sonho!
 
Entrevistando Guta Favarato

-Há quanto tempo moram a bordo?
Fausto há 28 anos e eu, Guta, há 14 anos na vida náutica. Variou entre morarmos a bordo e o tempo em terra construindo os barcos.


-Sempre tiveram o sonho de dar a volta ao mundo num veleiro? Como e quando ocorreu essa idéia?
Essa idéia surgiu quando começamos a acompanhar outros velejadores viajando pelo mundo.  Nossa idéia era trabalhar a bordo e vivermos na costa brasileira, mas depois com os relatos e fotos de viajantes,  a vontade ficou cada vez maior.


-O que levou vocês a construírem um veleiro para poder colocar esse plano em ação?
Já morávamos em um catamarã 62' projetado e construído pelo Fausto para morarmos a bordo e fazermos charter pela costa brasileira.
Foi um barco projetado para charter, era muito grande para uma volta ao mundo.  Então,  decidimos vender e construir outro projeto de Fausto, o atual Guruçá Cat de 54 ' ideal para longas viagens.


-Como foi construir o novo catamaran? O nome é o mesmo do primeiro?
Foram três anos e três meses trabalhando de 6 da manhã até as 19 da noite todos os dias da semana. Somente nós dois construindo.  O primeiro barco de Fausto se chamava Guruçá (o apelido dele na infância),  hoje se chama Utopia.
O Cat Guruçá e o atual Guruçá Cat.  Cat de catamarã.  Não é lá muito criativo,  mas gostamos do nome e não queríamos colocar em sequência,  tipo: Guruçá 2, 3...


-Qual a rota planejada para a circunavegação? Vocês planejaram detalhadamente todo o percurso?
Não planejarmos detalhadamente e na viagem descobrimos que não adiantava planejar.  São muitos fatores que acontecem durante a viagem que te faz mudar de idéia.  O que faz tudo ficar muito mais interessante.


-E quanto a reabastecimento de alimentos e combustível no percurso?
Abastecimento de alimentos fiz a grande parte na cidade do Panamá onde tem excelentes supermercados com ótimos preços. Compramos quase 4 mil dólares em comida (massas,  enlatados etc...)  guardei a maioria dos produtos em embalagem a vácuo e tenho a bordo até hoje... Não estraga com umidade,  não dá broca.  Foi um ótimo investimento (maquininha de vácuo).
Abastecer de água,  apesar de termos o dessalinizador,  o que mais usamos foi captar água da chuva. Diesel é complicado na maioria dos países porque não tem postos de combustível náutico como estamos acostumados na nossa costa. Temos que carregar em bombonas,  um trabalho de formiguinha que é muito cansativo.  Para nós que temos 1200 litros de armazenamento,  haja coluna! Rsrsrs


-Quais os equipamentos utilizados na navegação? Utilizaram navegação astronômica também?
Radar,  AIS,  piloto automático,  VHF,  2 chartetplotters,  IPad com o programa de navegação NAVIONICS foi o que mais usamos. Não usamos navegação astronômica.  Amém rsrsrsrs
-Que documentação tiveram que providenciar para sair do Brasil?
Só demos a saída da capitania dos portos para termos um documento de entrada no nosso primeiro porto internacional, que no caso foi Tobago,  no Caribe..


-É necessária permissão para fundear em águas internacionais? ou somente no caso de desembarque?
Em todos os países que chegamos,  temos que fazer os papéis de entrada, pedir autorização para permanecermos, mesmo que só fundeados.  As autorizações (vistos) podem variar de 3 meses há 6 meses. Alguns países renovam esses vistos e outros não.  Em alguns países como Galápagos (pertence ao Equador),  e a Indonésia, tivemos que pedir a autorização de entrada antes de chegarmos.. Essas informações se encontram em guias e sites náuticos.


-Quanto ao planejamento meteorológico, como faziam no decorrer do percurso e nas grandes travessias?
Não tínhamos um telefone via satélite ou outra forma de baixarmos a previsão do tempo em alto mar. Fazíamos a previsão na saída,  mas pela nossa experiência,  só é confiável por três dias, então saíamos preparados para o que viesse! Fausto é muito bom em metereologia e sabia identificar quando a coisa iria ficar brava. Rsrsrs


-Em algum momento pensaram em desistir do plano e regressar de onde estavam?
Nunca pensamos em desistir.


-Quanto tempo durou toda a viagem? Ficou próximo do planejado?
A viagem durou o tempo que a grana durou,  rsrsrs,  quase 4 anos.


-Vocês trabalharam com charter em alguma fase da viagem?
Sim,  recebemos brasileiros para charter durante a viagem e também trabalhamos na Malásia.


-Tiveram alguma situação de dificuldades na navegação? Pegaram algum mar bravo?
Passamos por um sufoco com a formação de um tufão na Micronésia,  que desviou da rota. A rota seria passar em cima de nós (estávamos fundeados em um atol na Micronésia). "Mar bravo"  pode ter vários significados. Para mim é quando as ondas são grandes e desencontradas,  atrapalhando muito o barco desenvolver velocidade e velejar. A travessia do Pacífico foi assim. Ondas grandes,  desencontradas e pouco vento. Foram 22 dias super cansativos.


-Encontraram mais velejadores realizando uma volta ao mundo?
Tem muitos velejadores fazendo a volta ao mundo.  Famílias com até 6 filhos,  casais jovens,  casais de idade.. A maioria dos veleiros bem equipados e na faixa dos 40' 45'. É  raro ver veleiros menores e não equipados fazendo a volta ao mundo.

-Planejam uma nova volta ao mundo?
Outra volta ao mundo acho que não,  mas a rota do Atlântico e mediterrâneo daqui há uns anos quem sabe!?


-Enquanto não decidem partir novamente, quais os planos de vida e navegação no Brasil?
Agora voltamos a trabalhar com charter aqui em Angra /Paraty até o verão e depois subiremos a costa recebendo tripulantes e participaremos da REFENO 2017 também com vagas para tripulantes. Continuaremos vivendo a bordo e trabalhando até vendermos o barco. Nosso plano é passar um tempo em terra construindo o novo projeto de Fausto. Um catamarã de 57' ainda mais bonito que o Guruçá Cat rsrsrsrsrs


-Como se sentiram ao final da viagem?
Como se tivéssemos ganhado uma medalha de ouro!  E o que mais desejamos e que todos ganhem sua medalha de ouro naquilo que eles sonhem.

É isso aí...Bons Ventos ao Guruçá Cat!!!

Acesse o site e viaje no Guruçá: http://www.gurucacat.com.br/

Categoria: viver a bordo
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Entrevistando o #SAL

Publicado por Elson - Mucuripe em 28/03/2016 às 21h00

No mundo náutico encontramos pessoas iluminadas, e assim vamos ficando cada vez mais encantados com esse universo paralelo ao nosso cotidiano, onde pessoas especiais estão ali para compartilhar impressões e momentos de uma vida forjada no Sal do Mar.

Adriano Plotzki é uma dessas pessoas. Quem nunca ouviu falar do #SAL?!

Tive essa grande honra de poder entrevistá-lo e conhecer um pouco mais de tudo o que o #SAL vem proporcionando de bom a todos que admiram as coisas do Mar.

Adriano e seu veleiro Brutus, com a parceria primordial de Aline Sena, nos presenteiam com belíssimos filmes sobre a vida de quem tem o Sal correndo nas veias.

Obrigado #SAL!

 

Quando o #SAL surgiu, muitas pessoas nem sabiam ao certo o que é uma hashtag. Você escolheu esse termo pensando nessa inovação?

Antes de escolher o canal pensei em várias outras idéias e esta parecia a mais simples e elegante. Queria fazer um canal que mostrasse o mundo da vela como ele realmente é, mas de uma forma que pessoas fora do mundo náutico se interessassem também. Por isso fugi um pouco da estética já estabelecida usando muitos termos náuticos e de símbolos que hoje nem usamos mais, como uma âncora de almirantado por exemplo, nunca vi alguém usando uma, não faz parte do que se vive hoje na vela. Dentro deste espírito a palavra Sal identifica o mar imediatamente e o “hashtag” liga o programa a vida das pessoas que utilizam as redes sociais todos os dias. É um programa que fala sobre simplicidade, a vida no mar que realmente vejo, mas não nega o presente.

Qual o objetivo do #SAL?

Tenho muitos objetivos com o #SAL, mas não vou conseguir te responder um principal. Acho que é como muitos começam uma grande viagem à vela, sem saber se vai dar a volta ao mundo ou não. O que sei de fato é que é algo que gostaria de fazer a vida inteira. Não sei se vou ter energia, dinheiro, apoio ou assunto para tudo isso (risos), mas gostaria. Incentivar a cultura náutica no Brasil, dar visibilidade a quem mora no mar (velejadores e não velejadores) e trazer mais adeptos à vela, certamente são pontos importantes. Um objetivo mais próximo é conseguir me dedicar a isso em tempo integral. Já somos o maior canal de náutica do Brasil no Youtube, temos 7.000 assinantes e mais de 45.000 views por mês, que dão mais de 390.000 minutos assistidos a cada mês. Mais importante que isso, temos uma conexão muito sincera com o público. Acredito que esta conexão vem da sinceridade do programa, sem criar um universo mais lindo do que a realidade, como na publicidade e em boa parte dos programas de TV.

Como é elaborada a pauta do #SAL? Há uma lista de futuras produções?

Eu tenho um software com uma carta náutica da América do Sul no meu computador, cada vez que alguém me dá uma dica bacana de pauta eu coloco lá na posição em que o entrevistado se encontra. Quando já sei a data que eu vou sair para gravar, entro em contato com os entrevistados e vejo se é possível. Por este motivo tenho um grande número de pessoas que gostaria de entrevistar, mas a agenda não bate, o que é uma pena! Mas estão todos na “listinha” do #SAL.  Um outro fator que limita um pouco, mas que na minha opinião é muito importante, é o fato de só irmos navegando até os nossos entrevistados. Nos outros quadros como dicas, até podemos pegar um avião uma vez ou outra, mas não no quadro principal. Para mim isto é o que torna o #SAL algo diferente de um programa só de entrevistas, além de ser uma bela desculpa para velejar mais.

O #SAL conta com algum patrocínio ou parcerias?

Sim, tivemos importantes parcerias! A Copel patrocinou a apresentação do programa na TV Educativa do Paraná nos sábados ao meio dia e a Santosha, loja de artigos náuticos, apoiou vários episódios do programa. Quando caiu um raio no Brutus tivemos a melhor parceria que poderia imaginar, dezenas de pessoas contribuíram para colocarmos o Brutus Navegando novamente. Foi um carinho muito grande que recebemos mostrou o quanto é importante o que fazemos. Deu um grande impulso para continuarmos.

Quais os serviços e produtos oferecidos pelo #SAL além dos filmes?

Temos a loja do #SAL, onde vendemos produtos com a marca, charters e cursos de parceiros e livros; produzimos conteúdos patrocinados como um concurso realizado com a Wind Charter e estamos sempre procurando novas parcerias que possam ser boas para quem a acompanha o programa. Muito mais está por vir.

Qual sua atividade profissional? Como consegue conciliar com o #SAL?

Eu tenho uma produtora de filmes publicitários e corporativos, chamada AiÁ Produtora. Fazemos muitos lançamentos de carros, conteúdos de marcas para o YouTube e treinamentos para empresas. Tenho conseguido conciliar bem, especialmente por que tenho a ajuda da Aline Sena, minha sócia nos negócios e na vida, que também trabalha neste ramo há muitos anos, na verdade antes de eu começar. Conheci a Aline quando trabalhava no SBT. Ela editava os programas do Silvio Santos e eu gravava o Lombardi, entre outras coisas.

Como o velejador Adriano Plotzki consegue conciliar a produção de filmes com as velejadas?

O #SAL é a melhor forma de conciliação possível. Às vezes me sinto até culpado, parece bom demais pra ser verdade!!!… Ou pelo menos vai ser (risos).  Na produção de filmes há muitos momentos em que você não consegue dormir, de tanto trabalho, e outros em que não há nada acontecendo. Apesar de ser bastante cansativo essa falta de rotina ajuda a ter tempo para velejar.

Qual sua formação náutica? Como entrou para o mundo da vela?

Eu me interessei pelo tema quando nadava com a Aline entre veleiros lá no Abraão e vi uma família fazendo churrasco em um. Comecei porque queria fazer churrasco no mar (risos)! Logo depois conheci o Paulo Pêra, que virou um grande amigo. Ele me ensinou quase tudo que aprendi na vela. O primeiro barco que comprei foi um Flash 165, que deixava na Guarapiranga, mas no verão levava a Paraty. Cheguei a ir até o Abraão com ele, o que era bem divertido, mas notei que seria melhor comprar um barco maior.

Você já morou a bordo ou tem planos de morar?

Pretendo sim! Estou preparando o terreno. Tenho ainda algumas coisas para resolver. Não saberia te dizer quando vai acontecer ao certo, mas eu e a Aline já temos isso em vista.

Você já pensou em mudar o nome de seu veleiro para #SAL?

Já pensei sim, mas por enquanto acho que é legal o barco ter personalidade própria. Também não gosto de trocar o nome do barco, só pensaria mais seriamente se comprasse um barco novo, como foi com o Flash 165, que batizei de Sputnik. Não sou supersticioso, é que há muitas vantagens em manter o nome do barco. Uma vez um cara me falou: “Eu ja velejei no teu barco, conhecia o dono…” Isso é muito legal! Ficamos um bom tempo conversando. Um barco deve ter sua própria história.

Quais os planos de futuro para o #SAL?

Dos trabalhos que fiz na vida, o #SAL é o que parece ter mais sentido até hoje. Quero seguir fazendo ele e ajustando as velas conforme o vento, escolhendo o próximo porto a cada janela de tempo que se abre.

Valeu, Adriano, Aline e Brutus! Bons Ventos e muito #SAL!

 

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Vivendo a bordo - Entrevista com o casal Avoante

Publicado por Elson Fernandes em 01/12/2015 às 07h56

Sempre que conto a alguém sobre o casal Avoante, os amigos Nelson e Lúcia, que mora no veleiro Avoante há 10 anos, me fazem uma série de perguntas e afirmações. Uns, ficam admirados e curiosos, querendo saber mais sobre a história do casal, o que os levou a morar num veleiro, o que fazem para sobreviver, quais os planos para o futuro. Outros, já afirmam logo: são malucos! Como pode ter tanto desprendimento?!

Então, decidi juntar algumas perguntas para fazer aos amigos Nelson e Lúcia, para conhecermos um pouco mais sobre o casal Avoante.

 

Há quanto tempo estão morando no Avoante?

Caro Elson Fernandes, primeiramente gostaríamos de dizer que é uma alegria e um prazer conceder-lhe essa entrevista. Em janeiro de 2016 completaremos 11 anos a bordo do nosso querido veleirinho que sempre nos acolheu com muito carinho e conforto.

O que os motivou a morar no barco?

Na verdade não sabemos dizer se existiu um motivo, um sonho ou simplesmente a vontade de ver e viver novos horizontes. Lemos vários livros, conversamos com inúmeros velejadores de cruzeiro, estudamos os manuais de navegação, porém, nada nos levava ao que buscávamos. As respostam não eram claras. Que mundo era aquele que entancava a alma de meia dúzia de felizes moradores do mar? Precisávamos viver tudo aquilo para ter as respostas e acho que o desafio foi o grande motivo.

O que foi preciso deixar para trás?

Tudo aquilo que não cabia no barco: A empresa, a pressa, as teorias, a terra firme, a vida louca das grandes cidades, o medo, as certezas e principalmente as amarras urbanas.

Qual era a atividade profissional de vocês antes de morar no Avoante?

Trabalhávamos com panificação e supermercado.

Vocês tiveram que abrir mão de muita coisa para morar num barco? Foi difícil de se adaptar?

Acho que já respondemos a primeira parte da pergunta anteriormente, contudo, podemos complementar e dizer que: Abrir mão do convívio diário da família e dos amigos foi à decisão mais difícil. Quanto à adaptação, não tivemos nenhum problema. Até parecia que já morávamos a bordo há muitos anos.

Na vida de vocês existe hoje alguma rotina?

Gosto de dizer que nossa vida é um diário sem rotina. Não pode existir rotina em um ambiente que nunca para de balançar, em que a paisagem muda a cada segundo e onde se vive em total integração e sob os efeitos da natureza.

Do que vocês precisam hoje para viver a bordo?

Nada além do que paz, saúde, alegria e bons amigos. Alias, o mar é um grande celeiro de boas amizades.

É verdade que nunca tiveram um fogão a bordo e nem geladeira? (ops, aqui errei na pergunta, era só geladeira...)

Fogão? Temos sim e a cozinha do Avoante é famosa, simplesmente maravilhosa e eu sou suspeito de falar. Quanto à geladeira, não temos mesmo e nunca nos fez falta.

Como fazem a conservação e estoque de alimentos?

Na verdade não precisa estocar alimentos, porque hoje em dia encontramos tudo em todos os lugares. Temos uma pequena despensa com o básico e em quantidades que se renovam com no máximo 15 dias. Carne, frango e outros, compramos de acordo com o desejo diário. Frutas e verduras compramos sempre fresquinhos. Quando vamos fazer grandes viagens abastecemos com folga para o dobro do tempo planejado.

E a questão do uso e abastecimento de água doce?

Em um barco precisamos estar sempre focados na economia. Água doce é um bem valioso a bordo e precisamos usar com moderação. Quando não estamos atracados em um píer e sim ancorado ao largo, sempre desembarcamos com um vasilhame para complementar a água. Quando em um píer a coisa fica mais fácil, mas precisamos lembrar que muitas marinas e clubes cobram a parte pela água.

Como é morar num veleiro de 33 pés? E quando a capitã está brava, pra onde correr(rsrs)?

Morar em um veleiro de 33 pés é igual a morar em um veleiro maior, o que muda é que o trabalho num 33 é menor do que em um de 50. A questão é de adaptação. Existe muita fantasia e romantismo quando se fala em morar a bordo de um veleiro. Muitos desistem antes de embarcar, ou poucos meses após ter embarcado. Outros entopem o barco com uma enorme parafernália de eletrodomésticos, na tentativa de driblar o bom senso, e esquecem os ideais de simplicidade que os levaram a se encantar com o mar. A vida a bordo só requer prioridade e nada mais. Quanto à fúria capitã, aqui em nós tem isso não. Mas já vi muita relação desfeita por motivos banais ou mesmo por falta de uma palavra carinhosa. A desculpa da individualidade é a prova maior da falta de cumplicidade e companheirismo que é base de qualquer relação.

Hoje em dia quais suas opções de fontes de renda?

Fazemos translado de embarcações, damos curso de vela de cruzeiro, charter, trabalhos artesanais – que era hobby de Lucia e virou fonte de renda.

Vocês encaram essa forma de vida como umas longas férias?

Não! Encaramos como uma nova forma de viver a vida.

Pensam em um dia deixar de viver a bordo?

Sim, porque a idade é um limitador para tudo e em um barco a saúde e a forma física é fundamental.

Muitos casais já se iniciaram no mundo náutico a bordo do Avoante. Qual a mensagem que costumam transmitir para esses casais?

Muitos, e alguns já adquiriram seus veleiros e navegam por aí. O nosso curso de vela de cruzeiro foi montado para desmistificar a vida a bordo de um veleiro e mostrar tudo sem segredos. Para isso fazemos questão que o aluno fique a bordo durante os quatro dias de duração. Não mudamos em nada a nossa rotina a bordo e deixamos o aluno muito à vontade para que tire suas conclusões. Alguns desistiram desse sonho e desembarcaram dando graças por termos proporcionado a eles uma visão tão clara e objetiva. Esse é o propósito do curso, que as pessoas não vejam o mundo de quem vive a bordo apenas pela lente do romantismo e da poesia. Um veleiro é um bem que pode trazer alegrias e tristezas profundas, além de se tornar um fardo pesado demais quando não é utilizado. Adoramos viver essa vida de sonhos em que muitos tentam e não conseguem, por isso, em nosso curso, tentamos desmitificar algumas lendas e “verdades”.

 Nelson é autor do livro Diário do Avoante, que é também o nome de seu site. Para mais informações sobre o livro, cursos oferecidos a bordo do Avoante, Charter, visitem o site DIÁRIO DO AVOANTE

Agradeço muito ao casal Avoante por essa modesta entrevista, pois não sou jornalista, somente um admirador das coisas do Mar.

Mucuripe.

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