VISADAS COM SEXTANTE NO LAGO PARANOÁ - RETAS DO SOL

Publicado por Elson - Mucuripe em 06/05/2016 às 00h06

À primeira vista parece algo sem sentido utilizar o sextante a bordo de um veleiro no Lago Paranoá, e muitos me perguntam se é possível medir a altura dos astros com um horizonte tão limitado. Então, convido a todos a conhecerem um pouco mais sobre as possibilidades com o sextante e sobre o entendimento de horizontes de referência na Navegação Astronômica!

Quando medimos a altura do Sol, por exemplo, primeiramente estamos utilizando como referência o nosso horizonte visual, que a grosso modo podemos dizer que é um plano que passa pelo olho do observador tangenciando a superfície terrestre. Quando estamos no Mar, nosso horizonte visual é limitado pela linha do horizonte, e a distância que conseguimos enxergar estando a bordo de um veleiro, em boas condições de tempo, é mais ou menos de 04 milhas náuticas. Podemos saber dessa distância aproximada calculando a raiz quadrada da altura do nosso olho em relação à superfície, e multiplicar por 02, ou seja, se nosso olho estiver a 04 metros de altura em relação à superfície do Mar, nosso alcance visual será de 04 milhas aproximadamente.

Bom, mas essa altura obtida tendo como referência o horizonte visual, não é a altura verdadeira do Sol, pois a altura verdadeira tem como referência o horizonte verdadeiro, que é um plano que passa pelo centro da Terra e é perpendicular à linha zênite-nadir. Por fim, temos o horizonte aparente, que é um plano também perpendicular ao zênite e que passa pelo olho do observador, sendo assim, paralelo ao horizonte verdadeiro. Como o horizonte aparente é paralelo ao horizonte verdadeiro, fica fácil determinarmos a altura do Sol fazendo apenas algumas correções tabuladas no Almanaque Náutico, em função da refração atmosférica que projeta o astro acima do que realmente este se encontra, e outras correções como semidiâmetro e paralaxe.

Como vimos anteriormente, o horizonte visual tangencia a superfície terrestre, enquanto o horizonte aparente é um plano que passa pelo olho do observador, sendo perpendicular ao zênite. Então, em função da altura do olho teremos uma diferença entre esses dois horizontes, que chamamos de depressão aparente. Quanto mais baixo estiver o olho do observador em relação à superfície, menor será a depressão aparente, e quanto menor a distância ao horizonte, teremos menor refração terrestre, que nada mais é do que o desvio que o horizonte visual apresenta em função da curvatura da superfície.

Disso tudo podemos concluir que estando um observador a bordo de um veleiro no Lago Paranoá com um horizonte visual de uma milha, por exemplo, a diferença para um observador que estivesse no Mar também em um veleiro, seria de mais ou menos 03 milhas de distância ao horizonte, o que não implica em uma grande diferença em relação à refração terrestre. Nesse caso, o erro no cálculo da altura verdadeira do Sol seria de não mais que 03 minutos de arco. Sendo assim, levando em conta esses possíveis erros, nada nos impede de treinar com o sextante num local com o horizonte visual limitado e obter bons resultados. É certo que trata-se apenas de treinamento, tanto do uso do sextante como da prática do uso das tábuas e do raciocínio para determinar os elementos para as retas de altura.

Para quem tem familiaridade com o assunto, segue folha de cálculos e o traçado de retas do Sol de visadas com o sextante realizadas no dia 23/04/16. A diferença para o GPS foi de uma milha de longitude e duas milhas de latitude.

Bons Ventos!

 

Categoria: Estudos de Capitão

Comentários

Renato Santos em 13/05/2016 23:31:56
Valeu cmte Elson grato pelas dicas

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