Notícias náuticas

De Ubatuba à África no Veleiro Soneca

Publicado por Capitão Mucuripe em 06/12/2017 às 09h59

Tio Spinelli, como é carinhosamente conhecido por todos, e seu fiel companheiro Soneca, um Samoa 33 com milhas e milhas navegadas. E na tripulação, mais dois grandes velejadores, Juca Andrade  e Alan Trimboli. Pronto, esse é o quarteto que irá zarpar de Ubatuba rumo à África do Sul, numa travessia que deverá durar pouco mais de um mês no trajeto de ida, passando perto da isolada ilha no meio do Atlântico Sul, Tristão da Cunha.

Recentemente marcamos um dia para conversarmos sobre Navegação Astronômica e sobre essa nova aventura pelo Atlântico Sul. Foi um dia pra lá de especial, com uma conversa muito boa a bordo do Soneca.

Abaixo segue uma pequena entrevista com o Tio Spinelli.

Em breve iremos publicar o link do spot para quem quiser acompanhar essa fantástica travessia!

A data provável de partida deve ocorrer entre os dias 29 a 31/12/17.

 

Como começou sua vida na vela de cruzeiro?

Há 40 anos atrás, como opção para mergulhar e devido ao cheiro do diesel me dar muito enjoo. Mas comecei com barcos pequenos tipo Holder 12 e Magnum 422.


Há quanto tempo dá aulas de vela e navegação em Ubatuba? (Vem gente do mundo inteiro fazer curso de vela e navegação com o Tio Spinelli)

Há 6 anos. Antes as aulas eram de mergulho, com alguma aula de vela no meio.


Qual a história do Soneca? Conte-nos um pouco do projeto do barco.

Depois de ter tido um BRM 18, um veleiro cabinado com duas quilhas retráteis, surgiu o sonho de ter um barco maior, mais adequado a grandes travessias. A escolha foi mais fácil pois já tinha alguma idéia, e com conversas com o Cabinho, ficamos sabendo de um projeto que ele iria lançar no final de 1994 que seria bem o que eu tinha em mente.

Com o pré-projeto do Samoa 33 na mão, o sonho começou a virar realidade


O que motivou fazer essa travessia de Ubatuba à África do Sul?

Em 2015, fizemos uma velejada para a Argentina, com a participação de 6 alunos em diversas etapas. O virus das grandes travessias tinha acabado de ser inoculado nas nossas veias.

Com um ano de 2016 voltado para aulas, tivemos pouco tempo para viagens, apenas alguns cursos avançados (+/- 300 Nm ). Mas, o Virus já estava se manifestando novamente e sempre me interessei pelas viagens para o Sul, sendo Cape Town quase que uma escolha natural para

uma velejada mais “séria”.


Foi necessária alguma reforma estrutural no barco para esta travessia?

Não. O Soneca é muito robusto e testado. Apenas a adição de um Gurupês para um melhor aproveitamento da genakker.


Como foi o planejamento de suprimentos de água e comida e medicamentos?

Temos 600 litros de água, que , bem usada é mais que suficiente. Comida, estamos fazendo conservas que não precisam de geladeira,

Assim, precisamos cozinhar apenas arroz, macarrão ou purê de batatas. Vamos sair com 60 dias de comida pronta.

Quanto aos medicamentos, tinha uma dessas famosas listas de farmácias de bordo que era extensa, antiquada e redundante.

Com uma ajuda do Alan, médico, capitão amador e um dos tripulantes, essa lista foi aprimorada e tivemos o patrocínio de uma rede de farmácias que montou uma lista bem eficiente e completa.


Vocês fizeram algum checkup quanto à saúde física de cada um?

Começando com uma vacina contra febre amarela, passei por um check-up completo, e acho que os outros tripulantes estão fazendo o mesmo.

JUCA E ALAN

JUCA ANDRADEALAN TRIMBOLI
A viagem está sendo patrocinada por alguma empresa?

Temos alguns apoiadores, a rede de farmácias e talvez uma fábrica de cabos que vai trocar todas adriças e escotas do Soneca.


Qual distância a ser navegada? Nos fale um pouco das rotas de ida e volta e época escolhida para zarparem.

São 3400 NM, com uma rota que começa em Ubatuba e desce direto pelo rumo 155º até o centro do Atlântico Sul, passando perto de Tristão da Cunha

Para então começar a subir até o sul da África.

A Época foi escolhida consultando-se as cartas de piloto, livro do Jimmy Cornell e o programa VPP2, que dá a ida entre novembro a março como a mais favorável e a volta, feita subindo-se até Luderitz na Namíbia e de lá para o Brasil, passando pela Ilha de Sta Helena, a qualquer época.


Quais são os instrumentos de navegação e comunicação a bordo do Soneca para esta travessia?

O Soneca tem muito poucos instrumentos eletrônicos, a saber : um gps plotter de mão, um gps com mostrador simples tipo Lat. e Long. um AIS passivo,

um VHF portátil e um fixo, um SSB com Pactor para receber faxweather, um telefone via satélite, um notebook com gps, um sextante e muuuita carta náutica papel.

Em que circunstâncias será utilizado o telefone satelital? Como é a limitação de uso devido ao custo?

Iremos utilizar o telefone satelital para recebermos as previsões meteorológicas, e teremos direito a um pacote de 09 ligações de 30 segundos por semana.

Temos dois sistemas para solicitação e recebimento de previsões do tempo: um usando o satfone como modem e recebendo no notebook, ou usando o SSB com um pactor que transforma RF em linguagem de notebook. Utilizaremos como fontes de informações as cartas sinóticas da MB, site do Windy e o plugin do OpenCPN.

E quanto à balsa, kit pirotécnico, drogue, velas e leme de reserva?

Balsa revisada, pirotécnicos novos, sem drogue nem leme reserva, pois o leme original é bem dimensionado.

Enxoval: Mestra, genoa 135% e genaker novas; trinqueta, tormentin e trysail.

Mestra e genoa de reserva.

Quais são as cartas náuticas necessárias para a viagem?

Locais Ubatuba, Tristão da Cunha e Cape Town. Na volta colsta leste da Namibia, local Luderitz e local Sta Helena, alem das Atlântico Sum Leste e Oeste.


E quanto à Navegação Astronômica, quais as opções de astros pretende utilizar?

Basicamente o Sol, mas se tiver tempo para rever, Lua e estrelas.


Qual o modelo de sextante tem a bordo?

Davis Mark 25

Qual a sua opinião sobre a importância da Navegação Astronômica nos dias de hoje?

Fundamental. Recentemente tivemos o caso de 02 GPS na entrada para o Joinville Iate Club, que marcavam nossa posição com 200m de atraso, indicando uma bóia no través e já tínhamos passado por ela há muito tempo! O outro se recusou a funcionar. Veja que até os próprios manuais dizem que o GPS é um equipamento auxiliar à navegação, e que eles não se responsabilizam por qualquer acidente que possa ocorrer por seu uso!

Bons Ventos ao Soneca e sua nobre tripulação!!!!

Agradecimento especial aos apoiadores:

Cusco Baldoso Escola de Vela Oceânica

Pharmacia Essencial

ABVC

Almanáutica

Sail Brasil

Phillipe Gouffon, Cláudio Renaud, Alexandre Dangas, César Pastor e apoiadores do Apoia.se.

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Revezamento da Tocha Olímpica no Lago Paranoá

Publicado em 04/05/2016 às 07h48

O Mar de Brasília ficou bastante agitado no dia 03/05/2016 com a chegada da Tocha Olímpica em suas águas. Muitas pessoas foram prestigiar o evento, aguardando o momento do cortejo náutico que foi acompanhado por veleiros, lanchas, canoas, jet, sup e barcos de passeio. O percurso nas águas do Lago Paranoá foi da Ponte JK até o Pontão, sendo que a Tocha foi revezada por atletas que embarcaram na lancha da polícia ambiental e mais adiante numa canoa havaiana. Para as embarcações mais lentas foi um pouco complicado acompanhar a primeira parte de perto, devido à velocidade com que a lancha navegou, fazendo com que alguns barcos ficassem mais distantes. Mas, no final, todos tiveram tempo de chegar no Pontão para se despedirem da Tocha Olímpica que seguiria pelas ruas do DF conforme a programação do GDF.

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