Navegação Astronômica versus GPS

Publicado por Elson - Mucuripe em 02/09/2017 às 10h50

A Navegação Astronômica surgiu da necessidade de nossos antepassados Navegantes poderem cruzar os oceanos com uma maior precisão em relação à sua localização geográfica. No início, a resolução do que chamamos de Triângulo de Posição ou Triângulo Astronômico, que corresponde a um triângulo esférico compreendendo a posição geográfica estimada do navegante, o pólo equivalente ao hemisfério em que se encontra (conhecido como pólo elevado) e a posição do Astro quanto às suas coordenadas horárias, era feita através de cálculos complexos de trigonometria esférica. Em seguida, foram surgindo as tábuas astronômicas, que simplificam os cálculos para resolução do triângulo de posição, obtendo uma linha de posição astronômica.

Diante de toda essa complexidade, o navegante de hoje se pergunta: Pra quê eu vou querer aprender navegação astronômica se tenho o GPS?

As respostas podem ser várias. Muitos já têm a resposta pronta em função de apenas levarem em conta a necessidade de usar ou não a Navegação Astronômica a bordo de um veleiro, ou seja, estou me referindo aos velejadores de cruzeiro. Se estendermos a pergunta aos oficiais de Marinha, com certeza serão a favor do aprendizado da Navegação Astronômica por questões de segurança, visto que o controle do sistema GPS está na mão de poucos.

O sistema GPS é fantástico e de fácil uso, e com o avanço tecnológico na área de softwares de navegação, temos hoje a facilidade de utilizar vários aplicativos de auxílio à navegação integrados com o sistema GPS, bem como vários modelos de equipamentos de GPS náutico, o que faz com que realmente a Navegação Astronômica caia no esquecimento, e que muitos nem sequer pensem em conhecer um pouco do assunto.

Grande parte dos velejadores de cruzeiro navega apenas em águas costeiras, o que descarta por completo a necessidade de conhecer a Navegação Astronômica, cujo uso se aplica à navegação oceânica, principalmente em travessias de um continente a outro.

Sempre que possível utilizo meu sextante tanto navegando aqui no Mar de Brasília quanto nas navegadas no Mar do Brasil, simplesmente pelo fato de admirar muito essa forma de auxílio à navegação, por me sentir mais próximo do espírito dos grandes navegantes de outrora, por estar mais conectado com nosso pequeno universo dentro de nossa Esfera Celeste, interagindo com nossos astros, observando o caminho diurno de cada um, percebendo as estações do ano de uma outra forma. De forma alguma abro mão da navegação eletrônica, principalmente porque a Navegação Astronômica tem seu uso específico na navegação oceânica, bem ao largo da costa. Mas, o simples fato de fazer o exercício da Navegação Astronômica com todos seus cálculos possíveis me traz um grande sentimento de liberdade!

Tanto a Navegação Astronômica quanto o sistema GPS são auxílios à navegação, permitindo ao navegante ajustar seu rumo e navegar com segurança. Nenhuma forma desmerece a outra, e todo conhecimento enriquece mais ainda o espírito do Navegador. Então, fica a pergunta para reflexão: Mesmo que eu tivesse a certeza de que nunca ficaria sem o auxílio do GPS, por que motivo deveria descartar o estudo secular da Navegação Astronômica?

Conheça nossos vídeos de Navegação Astronômica:http://velas-do-mucuripe.sitepx.com/videos-de-navegacao-astronomica.html

 

Ilustração retirada do livro Navegação: A Ciência e a Arte, do cmte Altineu Miguens.

Bons Ventos!

Comentários

Rocco em 03/09/2017 00:40:28
Muito bom

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