Morando, vivendo e trabalhando a bordo de um veleiro

Publicado por Elson - Mucuripe em 30/05/2017 às 22h43

Parece até que viver a bordo de um barco está virando moda! Não, não é bem assim, pois viver a bordo requer muito desprendimento. Mas, alguns casais estão descobrindo que essa forma de vida não é lá tão complicada assim, e que não é privilégio de quem tenha muita grana, muito pelo contrário. Temos visto que vários casais brasileiros estão investindo suas pequenas economias, e até mesmo vendendo o que têm para realizarem o sonho de viver a bordo. Comprar um barco usado e em boas condições de moradia não é algo tão dispendioso, é até bem mais barato do que comprar um imóvel simples. Mas, ter esse desprendimento e coragem, isso sim é para poucos.

Recentemente conheci em um grupo de velejadores que participo, um casal do Sul do Brasil que resolveu soltar as amarras, vendendo tudo o que tinham para investir numa nova forma de viver, num veleiro de 37 pés. Bruna e Jairo não pensaram duas vezes para fazer essa escolha, e estão felizes morando, vivendo e trabalhando a bordo do Caboges.

Bruna tirou um tempinho para nos contar um pouco sobre a vida a bordo do Caboges:

 Há quanto tempo moram no barco?

Desde Janeiro de 2015

Como surgiu a idéia de morar a bordo?

Já tínhamos o barco que era nossa casa de praia, que estava em reforma. Morávamos no sítio do meu pai. Compramos uma casa na planta que seria entregue em março de 2015. Pensamos em ficar no barco esses 3 meses e adiantar a reforma. A casa foi entregue somente em 2017, então fomos ficando no barco até não querermos mais ir para casa, onde nunca dormimos uma noite sequer e que vendemos recentemente.

Há quanto tempo velejam? onde começaram?

O Jairo veleja há uns 10 anos e eu desde que estamos juntos, há 6 anos. Tudo começou no Lago Guaíba com um atol 23 e depois um S2 minuano 28. O jairo sempre foi apaixonado por água, surfava todos os finais de semana mesmo no inverno Gaúcho. Quando pisou no veleiro passou a surfar as ondas do Guaíba de barco.

Por quais lugares já passaram desde que decidiram morar a bordo?

Conhecemos o Guaíba de ponta a ponta, algumas partes do Rio Jacuí e Lagoa dos Patos, a qual recomendamos a todos conhecerem. Há muitas belezas escondidas e uma navegação bem diferente. Viemos em uma única perna de Rio Grande a Garopaba.  Conhecemos toda a região de Florianópolis e Porto Belo, depois tocamos em outra perna para Ilhabela, Ilha Anchieta e região de Ubatuba. E agora ficamos entre Paraty e Angra.

Quanto tempo pretendem ficar pela região de Paraty?

Não temos previsão, a idéia é de ficarmos pelo menos até a Páscoa do ano que vem, quando começaremos a subir para Refeno. A partir daí não sabemos.

Vocês ficam em alguma Marina?

Não, ficamos na âncora,  nos deslocamos com o bote de apoio. Mas ainda somos sócios do iate clube Guaíba, Porto de origem.


Como foi a escolha do barco?

A idéia sempre foi um barco de aço com quilha retrátil para se deslocar no Guaíba e lagoa dos Patos, onde o calado é baixo. E o Caboges foi um achado.

Barco de aço dá muita manutenção?

MUITAA, requer uma atenção maior.


Qual é o modelo do Caboges? onde foi construído? onde compraram?

Construção de aço francesa projeto Caroff-Modelo Bulle de Soleil 37 pés. Compramos ele na Bahia, foi projetado para desbravar a Antártida. 

Por onde pretendem navegar?

o jairo não abre mão de conhecer a Patagônia e o Caribe. E não descartamos a possibilidade de volta ao mundo. Mas nossa casa por enquanto será entre Ilhabela, Paraty e Angra.

O que faziam antes de morar a bordo?

Jairo, fisioterapeuta.

Bruna, formada em direito, assistente jurídica. 

Hoje qual é o meio de sobrevivência?

Charter


Quando começaram a fazer charter?

No início de fevereiro deste ano.

Quais são as opções de serviços oferecidos no charter?

Conhecimento de navegação e de vela; Day Charter, Pernoite, refeições, bebidas e drinks, snorkel, bote para deslocamento para a praia, stand up, e troca de conhecimentos de como funciona a vida a bordo.

Pretendem ter filhos e criá-los a bordo?

Pensamos muito sobre o assunto, mas nunca decidimos nada. Deixar acontecer. Se tivermos, serão criados a bordo.

Como a família encara essa opção de vocês?

No começo achavam que era loucura. Hoje gostam, e acham que não poderíamos ter escolhido melhor estilo de vida, em tempos com tanta violência. 

 

Muito obrigado, Bruna e Jairo, por compartilharem essa bela história de vida a bordo!

Bons Ventos ao Caboges!

Categoria: viver a bordo

Comentários

ANGELA MONI em 02/06/2017 19:29:46
Queridos da minha vida !!
torço sempre pela felicidade de vcs
estejam vcs aonde estiverem sejam sempre assim unidos por este amor
e que a cada amanhecer seja assim cheio de descobertas e alegrias !
bjo grande
Luiz Carlos Silva em 02/06/2017 14:30:43
Sou muito suspeito no que vou dizer, já que sou pai da marinheira... mas temos muito orgulho deste casal de gaúchos mais do que especial e em uma outra vida gostaria muito de voltar no mínimo com metade da coragem que estes dois já demonstraram nestes mares afora. A comunidade náutica gaúcha está muito bem representada na figura do comandante Jairinho e sua partner Bruna. Sejam felizes, é só o que peço... Beijos para todos...

Luiz Carlos, pai e sogro orgulhoso dos seus...
Artur carpes em 01/06/2017 16:08:52
Sou velejador há 40 anos, sempre com muita vontade de aventuras, mas os compromissos familiares e após os infartos me tiraram o foco. Hoje moro com vista psra o Guaíba, possui um Delta 32, estou no 3º relacionamento, deixei duas pensões atravessadas e tenho que trabalhar para viver com o 3º relacionamento e com o último filho (com 11 anos) que irá participar do Norte Americano de Optmist nesse mês. Um abraço
Leonel baptista R. em 31/05/2017 11:36:58
Bom dia Jairo e Bruna, tudo bem?

Adorei a historia de vocês, pelo fato que eu e minha namorada também estamos nos projetando para viver em um barco, não temos experiencia em relação a navegação e todas as dificuldades que podemos enfrentar, mas acho valido conversar com vocês para entender melhor o estilo de vida. Fico muito feliz por vocês e desejo toda a sorte do mundo e ponho muita fé pela volta ao mundo no barco. heheheh....nossa ideia é comprar o barco na Nova Zelandia e dar a volta ao mundo, nos informamos que lá seria o local mais barato para comprar um barco...
Leonardo em 31/05/2017 08:53:59
Histórias assim inspiram muita gente nesse sonho compartilhado de um dia, quem sabe, soltar as amarras e dar a volta ao mundo.
Vanessa em 31/05/2017 08:08:57
Parabéns MUCURIPE! Adorei a matéria!
Bins ventos!
Marcelo Rodrigues Gonçalves em 31/05/2017 07:25:51
Parabéns Elson por disponibilizar essa história e para o casal, muito inspirador! Estamos indo pro mesmo caminho.
Lusiani em 31/05/2017 07:08:19
Casal muito querido e com todo perfil para a vida à bordo. Desejamos sempre bons ventos e águas calmas!

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