Estudos de Capitão

Cálculo de Navegação pelo Sol na REFENO 2016

Publicado por Capitão Mucuripe em 08/11/2017 às 12h46

Uma reta de altura é uma linha de posição astronômica. Com apenas uma reta não podemos determinar uma posição, mas saberemos que a posição do barco se encontra em qualquer ponto dessa reta. No caso do Sol, utilizamos o transporte de retas para podermos estabelecer uma posição astronômica, ou seja, uma posição determinada pelo cruzamento de retas. Mais adiante veremos em outro texto um exemplo de como fazer esse transporte de retas. No exemplo abaixo, veremos como determinar uma reta de altura do Sol. Esta reta de altura foi tirada logo no início da REFENO 2016, a mais ou menos 10 milhas da costa.

Assista aos vídeos no final do post!

Bons Ventos!

DATA 24/09/2016      HMG 17:30:32

LAT estimada     =     7°44' S LONG estimada = 034°39' W

No Almanaque buscar os valores de AHG e declinação para 17:00

AHG  =  77°03' DEC   =  0°49.3'S

Valores corrigidos para 17:30:32 =>  AHG = 84°41’            DEC = 0°49.8'S
Calcular o AHL e o t1. Nesse cálculo o valor da long estimada será arredondado para que se obtenha um AHL com valor inteiro.

AHG – LONG W = AHL

84°41' – 34°41' = 50°    LONG ASSUMIDA = 034°41'W

AHL 50° 


O t1 (ângulo no pólo) é calculado da seguinte forma:
Se AHL < 180°,  t1 = AHL (astro está a oeste do meridiano local)
Se AHL > 180°,  t1 = 360° - AHL (astro está a leste do meridiano local)

Então, t1 = 50° W
Para entrar na tábua Pub249vol2, temos:

LAT ASSUMIDA  8° S

DEC 0° S                         SAME NAME

AHL 50°

Incremento da dec = 49.8’ (este valor será utilizado mais adiante na TABLE 5, para correção do valor da altura tabulada)

O valor da latitude estimada foi arredondado para o valor inteiro mais próximo para entrar na tábua. Nesse caso, onde a lat assumida e dec têm o mesmo nome (sul), iremos na pág SAME NAME correspondente à lat 8° S, e interpolando o valor do AHL com a DEC encontraremos:
 HC 39°32     d 10'     Z 97°

OBS: O valor de Z encontrado na pub249vol2 pode ser interpolado a olho para chegarmos a um valor mais preciso em função do valor completo da declinação, que nesse caso é de 0°49.8’S. Na pub249 verifica-se que o valor de Z para a dec de 0° é de 97° e, para a dec de 1° no mesmo AHL, Z = 95°. Daí, conclui-se que para uma dec de 0°49.8’ teremos Z = 96°

interpolando d x incremento da dec na table5, temos 10' <=> 49.8’ = 8'  

soma-se esse valor ao HC para obter a altura estimada:

HC + 8' = ALT EST

39°32' + 8' = 39°40'

O próximo passo é calcular a altura verdadeira no momento da observação. Sabendo que o ei (erro instrumental do sextante) = 0', altura do olho = 3m. Para altura do olho = 3m, temos o valor de depressão = 3’

Altura com o sextante = 39°33’

ei = 0'

ai= 39°33’

ao = ai + ei = 39°33’

aap  = ao – dep = 39°30'

av = aap + corr = 39°45'

Com isso, vamos calcular a diferença entre altura verdadeira e altura estimada:

DIF AV-ALT EST = 5'

O último passo é calcular o azimute verdadeiro. Para tanto, deve-se antes verificar as características do ângulo zenital. Z é leste ou oeste de acordo com o valor do t1.

Deve-se levar em conta o pólo elevado (hemisfério onde se encontra o observador):

Hemisfério norte - Se Z é leste, AZ = Z

                               Se Z é oeste, AZ = 360-Z 

Hemisfério Sul    -  Se Z é leste, AZ = 180-Z

                               Se Z é oeste, AZ = 180+Z 

Nesse caso, teremos Z = S50°W, onde S é o pólo elevado e W refere-se ao t1.

AZ = 180 + Z = 276°

Teremos os elementos determinativos para o traçado da reta da tarde:

Lat. Ass                                  8° S

Long. Ass                               034°41’ W

Dif entre as alturas av e ae    5’

AZ                                            276°

 

Assista nos vídeos as explicações detalhadas e saiba como plotar uma reta de altura na carta náutica ou na folha N7:

VÍDEO 01

VÍDEO 02

VÍDEO 03

Ilustração retirada do livro Navegação: A Ciência e a Arte, vol.02, do cmte Altineu Miguens

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Categoria: Estudos de Capitão
Comentários (0) e Compartilhar

Como realizar a prova para Capitão Amador

Publicado por Elson - Mucuripe em 23/10/2017 às 22h29

Dia 26/10 está chegando e muitos amigos navegantes estão ansiosos com esta data, pois irão prestar o exame para Capitão Amador, a habilitação máxima que um navegador de embarcações de lazer pode obter no Brasil, que lhe permite navegar sem fronteiras pelo Mundo afora. Só mesmo alguns oficiais da Marinha e aquaviários do último nível possuem equivalência com um Capitão Amador no que se refere à navegação oceânica. Daí o desejo de muitos navegantes obterem essa importante habilitação.

O exame para Capitão Amador requer uma boa dedicação aos estudos sobre Meteorologia e Oceanografia, Comunicação Marítima, Navegação Eletrônica, Navegação Astronômica, Estabilidade de embarcações, Conhecimento de Sobrevivência no Mar. Dentre essas matérias as questões que requerem maior conhecimento de cálculos são a Navegação Astronômica e questões de movimento relativo com o uso da Rosa de Manobra.

Para obter aprovação o candidato tem que obter no mínimo a média de 50% de acerto das 40 questões da prova. Dessas 40 questões, pelo menos de 10 a 12 questões são referentes à Navegação Astronômica e cálculos com o uso da Rosa de Manobra. Sendo assim, considero de muito bom proveito que o candidato inicie a prova por essas questões, pois as outras questões serão mais tranquilas por não exigirem cálculos.

Nas últimas semanas tenho gravado alguns vídeos e corrigido algumas questões de provas anteriores a pedido de amigos, alunos e amigos virtuais que irão prestar o exame no dia 26/10. Espero que possa ajudar a todos! Também tenho publicado aqui neste blog textos com questões resolvidas. Então, para os que estão na reta final dos estudos deixo minha contribuição e desejo a todos um excelente exame, e que façam uma boa navegada para comemorar!

Para assistir aos vídeos sobre Passagem Meridiana do Sol CLIQUE AQUI

Para assistir aos vídeos sobre o uso da Rosa de Manobra CLIQUE AQUI

Link para as provas anteriores e questões resolvidas neste blog CLIQUE AQUI

 

E quando estiver com sua habilitação em mãos tenha orgulho de usar a insígnia de Capitão Amador!

 

 

Categoria: Estudos de Capitão
Comentários (6) e Compartilhar

Como determinar a posição do barco pelas estrelas

Publicado por Elson - Mucuripe em 06/06/2016 às 07h54

Hoje em dia nas provas para Capitão Amador o assunto de Navegação Astronômica aborda apenas a Navegação pelo Sol , limitando-se os cálculos de posição pela passagem meridiana do Sol. Mas, para os amantes da navegação astronômica o estudo se estende a outras situações, como é o caso da Navegação pelas Estrelas. Esse post que escrevo agora não tem a intenção de detalhar sobre o assunto, e sim de elaborar um despretensioso passo a passo para aqueles que já tem um pouco de afinidade com o assunto.

Antes mesmo de empunhar o sextante para medir a altura de uma estrela, o navegante deve planejar o momento das visadas fazendo o “Preparo do Céu”, que significa saber antecipadamente quais serão as estrelas propícias para as observações e em que alturas e azimutes aproximados estarão no momento da observação. Com essas informações o navegante selecionará as estrelas para fazer suas visadas e calcular sua posição pelo cruzamento das retas de alturas obtidas. Como o uso do sextante se restringe aos momentos em que ainda visualizamos o horizonte, fazemos o preparo do céu principalmente para os instantes dos crepúsculos matutino e vespertino.

Na navegação astronômica normalmente são utilizadas duas maneiras para fazer o preparo do céu. Uma, pelo uso do Star Finder, e a outra, pela pub249 vol I, sendo exclusiva para as estrelas. Das 57 estrelas selecionadas para navegação astronômica, a pub249 vol I trabalha com 41 delas. 

Após calcularmos o ângulo horário local do ponto vernal (AHLY)para o instante desejado, em função de nossa posição estimada,  a pub249 vol I nos mostra pela combinação do AHLY e da latitude assumida, quais são as sete estrelas indicadas para realizarmos as observações, a fim de traçarmos as retas de posição para calcularmos nossa localização.

Vamos a um exemplo prático:

Um navegante estima que no crepúsculo civil vespertino do dia 02/09/2014 estará  na localização 10°05'S 035°15'W.Quais seriam as estrelas identificadas para a navegação astronômica?

- o primeiro passo é calcular o horário do crepúsculo civil vespertino para a data escolhida. Entramos no almanaque náutico 2014 (pg.181) na página referente à data e fazemos o cálculo para o crepúsculo. Encontraremos na página diária as informações referentes ao horário do crepúsculo em HML (hora média local), que deverá ser combinada com a longitude estimada convertida em tempo (35°15' = 2h21m) para transformaros em HMG (hora média em Greenwcich). Obtida a HMG, subtrairemos o fuso correspondente, visto que a longitude é oeste, e encontraremos a Hora Legal referente ao crepúsculo civil vespertino para essa posição estimada.
latitude 10°S => HML do crep. civil     = 18h19
                 HMG = 18h19 + 2h21       = 20h40
                 HORA LEGAL = 20h40 - 3 = 17h40 

 - Calcular o ângulo horário em Greenwich do ponto vernal(AHGY). Em seguida, utilizando a longitude estimada, calcular o AHLY. No cálculo do AHLY assumimos um valor de longitude para que resulte em um valor inteiro de AHLY.

Na pág 180 encontraremos os dados para calcularmos o AHGY para HMG 20h40.
                 Para HMG 20h temos AHGY = 281°53.4'
                 acréscimo para 40m          =    10°01.6'
                 Para HMG 20h40 o AHGY    =  291°55'
                 AHLY = AHGY - longitude W => 291°55' - 36°55' = 256°

- para entrarmos na pub249 vol I precisamos de um valor inteiro para a latitude e para o AHLY. Para a latitude, escolhemos o valor mais próximo (10°S). O AHLY foi calculado anteriormente = 256°. Na pág 200 da pub249 vol I temos as estrelas selecionadas para essa combinação de latitude e AHLY:

 

ESTRELA

ALTURA

AZIMUTE

VEGA

36°35

023

ALTAIR

44°17

067

Peacock

29°14

151

RIGIL KENT

32°40

200

SPICA

36°26

263

ARCTURUS

39°25

305

Alpheca

47°27

330


Obs:
Astrês estrelas com os nomes em negrito são as mais convenientes para a determinação da posição pelo cruzamento das retas de alturas das mesmas.

 

No exemplo apresentado acima o navegante estimou sua posição em latitude S10°05’ e longitude W035°15’, no dia 02/09/2014, crepúsculo vespertino. A hora legal calculada do crepúsculo foi de 17h40m. Ângulo horário local do ponto vernal (AHLY) = 256°.

Dentre as 07 estrelas sugeridas pela PUB249 VOL I o navegante escolheu Altair, Rigel Kent e Arcturus.

Dados da PUB249 para as 03 estrelas:

ESTRELA

ALTURA

AZIMUTE

Altair

44°17

067

Rigel Kent

32°40

200

Arcturus

39°25

305

 

O navegante iniciou as observações alguns minutos após o início do crepúsculo vespertino, quando as estrelas se apresentaram com brilho suficiente e ainda havia horizonte definido para o uso do sextante.

Às 17:55 observou Altair , fez as correções para altura, obtendo altura verdadeira = 48°14

Às 17:57 observou Rigel Kent obtendo altura verdadeira = 31°04

Às 17:58:30 observou Arcturus obtendo altura verdadeira = 34°51

Para o cálculo das retas de altura de cada estrela teremos o seguinte roteiro:

- Para cada estrela calcularemos o AHGY (ângulo horário em Greenwich do ponto vernal) de acordo com a HMG da observação, e depois calcularemos o AHLY. O Almanaque fornece o AHGY para as HMG inteiras. Entra-se na página diária do almanaque na HMG inteira correspondente e anota-se o valor do AHGY:

AHGY (20h) = 281°53.4’

Vai nas páginas de acréscimos e correções do almanaque para encontrar o valor de acréscimo para os minutos: 55m = > 13°47.3’     57m = > 14°17.3’      58m30s = > 14°39.9’

Então, teremos:

ESTRELA

HMG DA OBSERVAÇÃO

AHGY

Altair

20h55m

295°40.7’

Rigel Kent

20h57m

296°10.7’

Arcturus

20h58m30s

296°33.3’

 

Para cada estrela teremos uma longitude aproximada para encontrarmos um AHLY com valor inteiro. Então, teremos:

ESTRELA

HMG

AHGY

LONG APROX

AHLY

Altair

20h55m

295°40.7’

35°40.7’ W

260°

Rigel Kent

20h57m

296°10.7’

35°10.7’ W

261°

Arcturus

20h58m30s

296°33.3’

35°33.3’ W

261°

 

- Feitos os cálculos anteriores, temos os elementos para entrarmos na PUB249 VOL I e buscarmos os valores das alturas calculadas e azimutes para os novos valores de AHLY, com a latitude aproximada de 10°S. Os valores dos Azimutes fornecidos pela tábua serão usados para o traçado das retas de altura; já as alturas, serão comparadas às alturas verdadeiras e as diferenças entre elas é que determinarão o ponto de Saint Hilaire para traçado das retas. Buscando os dados na PUB249 VOL I e calculando a diferença entre as alturas teremos os elementos para o traçado das retas a seguir:

 

ESTRELA

LAT aproximada

LONG aprox.

Altura verdadeira

Altura calculada

diferença/ ALTURAS

AZIMUTE

Altair

10°S

35°40.7’W

48°14

47°53

21’

065

Rigel Kent

10°S

35°10.7’W

31°04

30°55

9’

202

Arcturus

10°S

35°33.3’W

34°51

35°19

-28’

302

 

  - Após traçarmos as retas e determinarmos a posição da embarcação, devemos ainda entrar na tábua de correção referente à precessão e nutação (encontrada na própria PUB249), devido ao pequeno deslocamento do ponto vernal, e em função do AHLY, latitude aproximada e o ano achamos o valor em milhas a ser deslocado no rumo correspondente apontado na tábua. A correção é aproximada, escolhendo-se os dados de AHLY e latitude mais próximos na tábua, ou interpolando a olho. Nesse caso a posição encontrada deverá ser deslocada em 3.7 milhas no rumo de 90°.

Após o traçado das retas e a correção pela tábua de precessão e nutação a posição encontrada foi latitude = 10°10’S longitude = 35°06’W.

Retas de Alturas - Folha N7

 

Categoria: Estudos de Capitão
Comentários (2) e Compartilhar

VISADAS COM SEXTANTE NO LAGO PARANOÁ - RETAS DO SOL

Publicado por Elson - Mucuripe em 06/05/2016 às 00h06

À primeira vista parece algo sem sentido utilizar o sextante a bordo de um veleiro no Lago Paranoá, e muitos me perguntam se é possível medir a altura dos astros com um horizonte tão limitado. Então, convido a todos a conhecerem um pouco mais sobre as possibilidades com o sextante e sobre o entendimento de horizontes de referência na Navegação Astronômica!

Quando medimos a altura do Sol, por exemplo, primeiramente estamos utilizando como referência o nosso horizonte visual, que a grosso modo podemos dizer que é um plano que passa pelo olho do observador tangenciando a superfície terrestre. Quando estamos no Mar, nosso horizonte visual é limitado pela linha do horizonte, e a distância que conseguimos enxergar estando a bordo de um veleiro, em boas condições de tempo, é mais ou menos de 04 milhas náuticas. Podemos saber dessa distância aproximada calculando a raiz quadrada da altura do nosso olho em relação à superfície, e multiplicar por 02, ou seja, se nosso olho estiver a 04 metros de altura em relação à superfície do Mar, nosso alcance visual será de 04 milhas aproximadamente.

Bom, mas essa altura obtida tendo como referência o horizonte visual, não é a altura verdadeira do Sol, pois a altura verdadeira tem como referência o horizonte verdadeiro, que é um plano que passa pelo centro da Terra e é perpendicular à linha zênite-nadir. Por fim, temos o horizonte aparente, que é um plano também perpendicular ao zênite e que passa pelo olho do observador, sendo assim, paralelo ao horizonte verdadeiro. Como o horizonte aparente é paralelo ao horizonte verdadeiro, fica fácil determinarmos a altura do Sol fazendo apenas algumas correções tabuladas no Almanaque Náutico, em função da refração atmosférica que projeta o astro acima do que realmente este se encontra, e outras correções como semidiâmetro e paralaxe.

Como vimos anteriormente, o horizonte visual tangencia a superfície terrestre, enquanto o horizonte aparente é um plano que passa pelo olho do observador, sendo perpendicular ao zênite. Então, em função da altura do olho teremos uma diferença entre esses dois horizontes, que chamamos de depressão aparente. Quanto mais baixo estiver o olho do observador em relação à superfície, menor será a depressão aparente, e quanto menor a distância ao horizonte, teremos menor refração terrestre, que nada mais é do que o desvio que o horizonte visual apresenta em função da curvatura da superfície.

Disso tudo podemos concluir que estando um observador a bordo de um veleiro no Lago Paranoá com um horizonte visual de uma milha, por exemplo, a diferença para um observador que estivesse no Mar também em um veleiro, seria de mais ou menos 03 milhas de distância ao horizonte, o que não implica em uma grande diferença em relação à refração terrestre. Nesse caso, o erro no cálculo da altura verdadeira do Sol seria de não mais que 03 minutos de arco. Sendo assim, levando em conta esses possíveis erros, nada nos impede de treinar com o sextante num local com o horizonte visual limitado e obter bons resultados. É certo que trata-se apenas de treinamento, tanto do uso do sextante como da prática do uso das tábuas e do raciocínio para determinar os elementos para as retas de altura.

Para quem tem familiaridade com o assunto, segue folha de cálculos e o traçado de retas do Sol de visadas com o sextante realizadas no dia 23/04/16. A diferença para o GPS foi de uma milha de longitude e duas milhas de latitude.

Bons Ventos!

 

Categoria: Estudos de Capitão
Comentários (1) e Compartilhar

PROVA DE CPA - CÁLCULO DE MARÉ PELA PASSAGEM MERIDIANA DA LUA

Publicado por Elson - Mucuripe em 24/04/2016 às 20h09

Essa é mais uma questão frequente nas provas de Capitão Amador. Trata-se de determinar a hora da preamar utilizando o Almanaque Náutico juntamente com informações de marés contidas nas cartas náuticas. Esse método é utilizado principalmente quando a Tábua de Marés não traz informações para determinado local. Nesse caso, a carta da região traz a informação HWF&C , correspondente à quantidade média de horas em dias de Sigízia em que a preamar ocorrerá após a passagem meridiana da lua, e consultando o Almanaque Náutico, é necessário fazer os cálculos para determinar a hora legal da pmd da lua e, em seguida, somar o valor de HWF&C ao valor da hora legal da pmd da lua, obtendo assim a hora legal da preamar.

Vamos à resolução de uma questão do Exame para Capitão Amador de 22/10/2015:

1.8) Já aterrando no Atol das Rocas, o Capitão verificou que as profundidades fornecidas pelo ecobatímetro nas proximidades do atol estavam bastante baixas para o calado do iate, pois era baixa-mar em dia de sizígia (lua cheia). Verificou também que a publicação "Tábua das Marés" não contempla o Atol, razão pela qual, para determinar o melhor horário de demanda para o fundeio (preamar), seria necessário consultar o Almanaque Náutico e o quadro de "informações sobre a maré" constante da carta de maior escala da região. Considerando o quadro abaixo e os dados do Almanaque Náutico, constantes dos anexos, determine a hora legal da preamar diurna na região no dia 22/10/2015.

 

SOLUÇÃO:

Primeiro temos que fazer a conversão da longitude, fornecida no quadro, em tempo. 033°49W => 2h15m.

Da página diária do Almanaque Náutico teremos as informações da HMG da pmd da lua:

22/10/2015 pmd superior lua = 19h38m     pmd inferior da lua = 7h12m

Temos que calcular a HML da pmd da lua para a longitude do lugar. Devido ao movimento diário da lua em relação à Terra, a HML da pmd varia de meridiano para meridiano, sendo necessário utilizar a TÁBUA II - PARA A LONGITUDE, para fazer a interpolação em longitude da HML da pmd da lua. Para isso, devemos pegar os valores do dia seguinte com os dados dos horários da pmd da lua. Essa tábua consta do Almanaque e é fornecida nos anexos da prova, onde pode-se encontrar as orientações para seu uso.

Conforme descrito na tábua, sendo a longitude oeste, utilizamos os valores do dia seguinte para calcularmos as diferenças dos instantes da pmd da lua de um dia pro outro e fazermos a interpolação para encontrarmos o valor de correção.

23/10/2015 pmd superior da lua = 20h32m   pmd inferior da lua = 8h05m

A questão pede para determinarmos a preamar diurna. Sendo assim, nosso cálculo será em função da pmd inferior da lua, visto o valor de HWF&C = 7h40m.

Então, comparando os horários da pmd inferior dos dias 22 e 23 teremos uma diferença de 53 minutos. Conforme orientações de uso da tábua II, entraremos na coluna de longitude com o valor mais próximo de 33°, nesse caso será 30°, e na coluna da diferença dos minutos faremos a interpolação a olho, obtendo a correção de 4m.

Soma-se os 4m às 7h12m para termos o horário corrigido da pmd inferior da lua no dia 22/10/2015 para o meridiano local, obtendo HML da pmd = 7h16m;

A esse valor da HML da pmd somaremos a longitude convertida em tempo obtendo a HMG da pmd = 9h31m;

Para obter a hora legal da pmd da lua basta diminuir o fuso do local (+2), obtendo 7h31m;

e finalmente, para encontrarmos a hora legal da preamar, basta somar o HWF&C ao valor da hora legal da pmd, obtendo 15h11m.

Boa prova e Boa Sorte aos novos Capitães!

 

 

 

 

Categoria: Estudos de Capitão
Comentários (2) e Compartilhar

CAPITÃO AMADOR - QUESTÕES DE PROVA DE NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA

Publicado por Elson - Mucuripe em 22/04/2016 às 07h39
Espero que ajude aos amigos que farão a prova para Capitão Amador.
 
DO EXAME DE 28/04/2015
 
No dia 15/04/2015, um Capitão Amador, navegando com destino a Abrolhos, preparou-se para determinar com o sextante (erro instrumental -0,4') a posição de seu iate na passagem meridiana do Sol e, para isso, ainda de manhã, calculou alguns parâmetros aproximados do Sol no momento da culminação, considerando estar durante o evento, na posição estimada Lat = 18°12,2'S Long = 037°20,5'W. Baseado na situação descrita e nos demais dados apresentados no corpo das perguntas, responda às questões que se seguem, assinalando a opção correta.

1.1 - Durante o planejamento, o Capitão calculou a hora legal prevista para a passagem meridiana do Sol nesse dia 15/04/2015. Qual foi essa hora calculada?
    a) 12h00m
X b) 12h29m
    c) 11h45m
    d) 11h59m
    e) 12h15m

Para a solução o candidato recebe junto com a prova os anexos para utilização nos cálculos.


SOLUÇÃO:

- o primeiro passo é ir na página diária do almanaque náutico de 15/04/2015 e consultar no canto inferior direito da página os dados sobre a passagem meridiana do Sol. Os dados fornecidos são em hora média local, nesse caso, a hml da pmd (passagem meridiana) = 12h00m
- Em seguida devemos converter a longitude estimada em tempo para calcularmos a HMG (hora média em Greenwich) prevista da passagem meridiana, pois só após esse cálculo chegaremos à hora legal da pmd.
Devemos usar a tábua de Conversão de Arco em Tempo:
     037° = 2h28m
     20,5' = 1m22s
Então, aproximando ao minuto mais próximo, teremos 037°20,5' = 2h29m
HMG = HML + LongW   => HMG = 14h29m
- Para chegarmos na hora legal calculamos antes o fuso atribuido a essa longitude. Nesse caso, fuso = 2
Como se trata de longitude oeste, diminuiremos o fuso da HMG.
Hora legal = 12h29m.


1.2 - O Capitão calculou também qual seria a distância zenital estimada do centro do Sol na pmd nesse dia. Qual foi essa distância zenital estimada?
    a) 24°04,9'
    b) 26°15,7'
    c) 28°43,0'
X d) 27°59,4'
    e) 29°51,6'

SOLUÇÃO:

- Nesse caso, temos que a latitude estimada = 18°12,2'S. O cálculo da latitude meridiana está associado com a declinação e com a distância zenital. Como a questão está pedindo a distância zenital estimada, consideraremos para os cálculos a latitude estimada. Então, devemos antes de tudo, calcular a declinação do Sol para a hora prevista da passagem meridiana. Vimos que a HMG da pmd = 14h29m. Para entrarmos na página diária e calcularmos a declinação devemos entrar com a HMG inteira (14h) e depois fazer as correções para os minutos (29m).
- Para a HMG 14h a declinação = 9°46,8'N , ou seja, declinação norte. Comparando com a HMG anterior, a declinação é crescente. Isso é importante para a correção dos minutos.
- Para a correção dos minutos, no que se refere à declinação do Sol, devemos anotar o fator d encontrado no rodapé da página = 0,9. Com esse fator, iremos na página de acréscimos referente aos 29m para corrigir o valor da declinação do Sol para HMG 14h29m.
- Na página de acréscimos dos 29m iremos na coluna de correção de v ou d, e teremos o valor de correção para 0,9' igual a 0,4'. Será esse valor de 0,4' que acrescentaremos à declinação.
No final teremos que a declinação para para HMG 14h29m = 9°47,2' N
- Para chegarmos ao valor da distância zenital estimada, nesse caso, somaremos o valor da latitude com o valor da declinação, visto que a latitude é sul e a declinação é norte.
distância zen.estimada = 18°12,2' + 9°47,2' = 27°59,4'
 
1.4) Observando a posição relativa entre o seu iate e o Sol, no triângulo astronômico de posição, o
Capitão verificou que a latitude do iate, no instante da Passagem Meridiana, nesse dia 15 de abril,
poderia ser calculada pela expressão:
( a ) latitude = 90° – altura do centro do Sol + declinação.
( b ) latitude = 90° – altura do centro do Sol – declinação.
( c ) latitude = declinação do Sol + altura do centro do Sol – 90°.
( d ) latitude = altura do centro do Sol – declinação do Sol – 90°.
( e ) latitude = 90° + altura do centro do Sol – declinação.

SOLUÇÃO:
Conforme calculamos no item 1.2 a dec = 9°47,2'N,  e o enunciado da questão
nos informou que lat.estimada = 18°12,2'S
Como a distância zenital é a distância do Astro ao zênite do observador, podemos concluir que nessa situação, a distância zenital é igual a soma da declinação (norte) mais a latitude sul.
Sendo assim, o valor da latitude é igual à distância zenital menos a declinação, ou seja,
latitude = (90° – altura do centro do Sol) – declinação. 

1.5) Às HMG = 14h 28m 13,0s, na longitude estimada desse mesmo dia, o Capitão colimou o limbo
inferior do Sol na passagem meridiana e obteve a altura instrumental (ai) de 61° 46,7'. Sabendo que seu
olho durante a observação estava com uma elevação de 2,7 metros em relação ao nível do mar, o Capitão
calculou a altura verdadeira do astro, tendo achado:
( a ) 61° 58,8’ .
( b ) 62° 00,5’ .
( c ) 61° 51,6’ .
( d ) 61° 46,5’ .
( e ) 62° 03,1’ .

SOLUÇÃO:

Para chegarmos à altura verdadeira do Sol temos que fazer as correções desde o erro instrumental, o valor
da depressão atribuído à altura do olho e as correções em função do semidiâmetro, refração e paralaxe, conforme a tábua A2 baseando-se na data e no limbo observado.
- O enunciado da questão nos forneceu erro instrumental = -0,4'. Com isso, calculamos a altura observada.
Altura observada = altura instrumental - 0,4' = 61°46,3'
- Veremos na tábua A2 que o valor de correção para altura do olho de 2,7m é 2,9'(depressão).
Altura aparente = altura observada - depressão = 61°43,4'
- O próximo passo é ir novamente na tábua A2 na coluna dos meses Abr-Set e procurar o valor mais próximo da altura aparente e pegar o valor de correção referente ao limbo inferior. Esse valor de correção já engloba a correção para o semidiâmentro, a refração média e a paralaxe.
Basta observar que na coluna da aap (altura aparente) não temos o valor de 61°43,4', então pegamos o valor de correção para as aap inferior e superior a esta.
Altura verdadeira = aap + 15.4' = 61°58,8'

1.6) A Latitude na Passagem Meridiana calculada pelo Capitão foi:
( a ) 18° 08,7’ S
( b ) 18° 01,2’ S
( c ) 18° 14,0’ S
( d ) 18° 11,7’ S
( e ) 17° 59,5’ S

SOLUÇÃO:
Conforme vimos no item 1.4 a latitude, nessa situação, será igual a distância zenital menos a declinação do Sol.
A distância zenital é igual a 90° - altura verdadeira.Então, dist.zenital = 90° - 61°58,8' = 28°01,2'
 Sendo assim, latitude meridiana = 28°01,2' - 9°47,2' = 18°14,0'S
 
Boa Sorte aos novos Capitães!
 
Categoria: Estudos de Capitão
Comentários (4) e Compartilhar

QUESTÕES RESOLVIDAS DE PROVAS DE CAPITÃO AMADOR - RADAR

Publicado por Elson - Mucuripe em 20/04/2016 às 20h42

Dia 27/04 está se aproximando, e muitos devem estar estudando intensamente para a prova de Capitão Amador. Resolvi algumas questões de provas anteriores e compartilho com os Amigos do Mar para tentar ajudar de alguma forma. Bons estudos!

DO EXAME DE 22/10/2015 - QUESTÕES SOBRE MOVIMENTO RELATIVO (RADAR)

Enunciado da questão:

Um Capitão Amador navegando com seu iate numa área de declinação magnética 020°W, às 00:15 horas, detectou, com seu radar de bordo um alvo na marcação verdadeira 310° e distância de 06 milhas náuticas. Nesse momento, a velocidade do iate era de 6 nós e seu rumo magnético 285°. Às 00:21 horas, o mesmo alvo estava na marcação relativa 045° e distância 5,5 milhas, quando o Capitão resolveu guinar para o Rmg 330°, mantendo a velocidade. Com base na situação descrita, faça as cinco questões que se seguem utilizando a Rosa de Manobra.

Comentário:

Antes de respondermos as questões, teremos que montar os vetores na rosa de manobra. Inicialmente, traçaremos o vetor "tr", referente ao iate do Capitão com os dados do rumo (converter para verdadeiro) e velocidade. Para isso, podemos utilizar a escala 1:1. Em seguida, plotaremos as posições relativas do alvo nos horários informados conforme marcações e distâncias fornecidas, lembrando também de converter as marcações para verdadeiras.Unindo as duas posições, encontraremos a DMR (Direção do Movimento Relativo) e, podemos concluir que o alvo está numa marcação constante e distância diminuindo, o que representa um risco de colisão.

Rumo Verdadeiro do Iate = 265°. A segunda marcação do alvo foi de 045° relativos, que corresponde a 310° verdadeira, ou seja, igual à primeira marcação.

 

 

O próximo passo é traçar o vetor "rm" do movimento relativo, com os dados da DMR e da VMR. A VMR pode ser calculada levando em conta a distância percorrida no intervalo de tempo entre as duas posições relativas do alvo (M1 e M2), ou seja, o alvo percorreu 0,5 milhas náuticas em 06 minutos, o que equivale a uma velocidade de 05 nós (VMR). O vetor do movimento relativo sempre se inicia na extremidade do vetor do barco de referência, nesse caso, o iate.

Após traçar o vetor do movimento relativo fica fácil descobrir o rumo verdadeiro e velocidade aproximados do alvo, basta traçar um vetor saindo de t para m, e encontraremos rumo = 210° e velocidade = 4,4 nós.

 

Em seguida, após o iate guinou para 310° verdadeiros, com velocidade de 06 nós. Então, veremos que ele guinou exatamente coincidindo seu rumo com a linha da DMR inicial no sentido oposto, teríamos então um novo vetor na mesma linha das marcações iniciais do alvo. E, para encontrarmos a nova DMR, como já temos o vetor do rumo verdadeiro e velocidade do alvo (tm), basta ligarmos a extremidade do novo vetor tr à extremidade do vetor tm, obtendo 162°.

 

Com isso, teremos as respostas para as 05 questões:

2.1) Em relação ao iate do Capitão, o alvo antes da guinada:

resposta correta - estaria em rumo de colisão.

2.2) Quanto à guinada podemos dizer que:

 resposta correta - Era necessária, pois o rumo era de colisão e o Capitão estava avistando a luz de bombordo encarnada do alvo.

2.3) Após o Capitão ter guinado, a direção do novo movimento relativo (DMR), considerando que o alvo não alterou seu rumo nem velocidade será:

 resposta correta - 162°

2.4) Qual o rumo verdadeiro e velocidade aproximados do alvo?

 resposta correta - 210° com 4,4 nós

2.5) Logo após a guinada, as luzes de navegação que o Capitão veria do alvo seriam:

 resposta correta - uma luz branca e outra encarnada.

 

Boa sorte e Bons Ventos aos novos Capitães!

 

 

Categoria: Estudos de Capitão
Comentários (7) e Compartilhar

center fwB||||||news login|c05 normalcase uppercase fwR|c05|login news c05 normalcase uppercase|c05 tsN normalcase uppercase|c05|content-inner||