coisas do Mar

Enxu Queimado e o Retratista

Publicado por Elson - Mucuripe em 30/10/2016 às 20h03

Enxu Queimado é assim...
O tempo parou por aqui. O parque eólico chegou pelas vizinhanças, mas não tirou o sossego, a vida segue pacata, arrastada pelo vento forte que agita os paquetes no Mar de Enxu. "Nessa cidade todo mundo é..." de Enxu. Todo mundo é daqui, mesmo que não tenha nascido por essas bandas, mas quem tá aqui é porque é daqui, o lugar escolheu, a vila acolheu. As portas estão sempre abertas, a conversa é sempre boa, os causos contados no alpendre são reais, tanto faz os da casa de Nelson ou de Pedrim, ou de Manoel, os causos são de verdade, e a conversa não tem fim, só termina quando os olhos miúdos de sono se fecham a sonhar.
O Nelson tá sempre ali escrevendo as Cartas de Enxu pro Tonho, assunto não falta, se falta, arruma mais. O violão tá sempre ali, ou descansando, ou nas mãos de quem se atreve. E as canções são sempre praieiras, pois o Mar de Enxu se junta com o coqueiral e dá o tom pro violeiro que se inspira e não pára de tocar, até que os olhos míúdos de sono se fecham a sonhar.
O retratista de Enxu caminha pela praia, corre os olhos no Mar, pensa e repensa, bate um retrato e volta a caminhar. Sabe lá o que pensa, mas se sabe o que vê. Enxu Queimado o escolheu pra ficar por ali a divagar, no aconchego do colo de sua doce amada, até que seus olhos miúdos de sono se fechem a sonhar...

 

 

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A Baía de Todos os Santos é do Avoante

Publicado por Elson - Mucuripe em 07/07/2016 às 22h27

Ele pode até dizer que não é especialista no que diz respeito a conhecer a Baía de Todos os Santos, mas eu digo o contrário, ele conhece a Baía de Todos os Santos como ninguém, e olhe que ele nem é Baiano. Nelson Mattos Filho, Capitão do Avoante, navegou por aquelas águas abençoadas da BTS como ninguém, explorando cada lugarejo, cada cantinho escondido ali a sete chaves. Quem não já navegou pelas águas da Bahia no Diário do Avoante?

O Avoante se tornou patrimônio da Baía de Todos os Santos, e um não vive sem o outro. Há pouco mudou de mãos, o Casal Avoante, Nelson e Lúcia, teve que desembarcar por um breve tempo pra ajeitar umas coisinhas em terra firme. Mas, o Avoante ficou lá onde é seu lugar, embalado pela Dona das águas do Mar da Bahia. Está lá com toda sua história e seus segredos, conhecedor profundo daquelas águas segue seu destino de arribaçã. Nelson e Lúcia foram os escolhidos pelo Avoante para descobrirem todos os encantos da Baía de Todos os Santos, se tornaram filhos do Mar da Bahia.

Se você quer conhecer a Baía de Todos os Santos, leia esse magnífico texto do Capitão Nelson no Diário do Avoante:

https://diariodoavoante.wordpress.com/2016/07/07/o-que-fazer-na-baia-de-todos-os-santos/

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Os Guias Náuticos de Hélio Magalhães

Publicado por Elson - Mucuripe em 05/06/2016 às 12h10

 É tradição entre os navegantes compartilhar informações e dicas em geral sobre tudo o que se refere ao mundo náutico. Participo de vários grupos de navegantes, onde a troca de conhecimentos é costumeira. E, nesse meio, alguns se destacam pela dedicação e realização de feitos de extrema importância e beleza.

Tive a honra de entrevistar o grande Navegador Hélio Magalhães, autor de guias náuticos de altíssima qualidade, onde estão reunidas informações valiosas como: Mapas e croquis, dicas de navegação local, marinas, ancoragens, fotos, informações sobre clima, sistema de ventos, histórias locais e causos...

 

Nascido em João Pessoa (PB), em 21 de fevereiro de 1961, Hélio teve o primeiro contato com a navegação aos 5 anos, quando navegou com seu pai em um pequeno veleiro da classe Lightining. Ganhou a primeira embarcação  aos 8 anos – uma jangada de pesca tipicamente nordestina, que estava destruída, mas que foi restaurada. O ajudante de carpinteiro seria o próprio Hélio, que trabalhou intensamente durante as férias escolares daquele ano. No final do verão, navegava enfim, em seu primeiro barco. Aos 15 anos, conheceu Brian Stevens, um inglês radicado no Brasil, dono de um veleiro onde trazia toda a sua família a bordo. O barco naufragou na Paraíba. O estaleiro de manutenção e construção de veleiros que o inglês fundou, foi o local onde Hélio aprendeu a fazer manutenção em barcos. Em pouco tempo, já assumia a papel de “skipper” de transporte de barcos na costa brasileira.

Fotógrafo, Escritor e Navegador com milhares de horas de mar e mais de 200 mil milhas náuticas navegadas, o Navegador Hélio Magalhães acaba de lançar o “Roteiro Santos – Rio de Janeiro”.

 

“Você vê a foto de abertura e já se apaixona pelo lugar. Depois você fica sabendo tudo o que ele oferece como Bar, Restaurante, Praia, Trilhas, Marinas e muito mais. Lê o texto de abertura e toma a decisão de navegar para lá. Daí, você encontra tudo o que precisa saber para ancorar como os ventos para os quais ela é abrigada, a profundidade o waypoint e até o tipo de fundo que existe para sua ancora unhar.
Isso nenhuma Carta Náutica nem Plotter traz para você!”

 

Como e quando você idealizou fazer seu primeiro guia?

Entre um café e outro, entre um barco transportado e outro, entre as milhares de horas sozinho, navegando, entre os lugares que vi na vida, os mares, os ventos, a idéia de levar as pessoas para as ancoragens que eu havia visitado foi crescendo e ganhando forma de livro. Um Guia! Mas não um Guia seco, como um manual de TV! Um guia que fosse uma gostosa mistura de informação e troca de experiência. Que olhasse o mar com a dificuldade do navegador iniciante, mas que pudesse também ser usado pelo experiente e até o profissional gostasse de usar. E foi do amor pela fotografia, por navegar, por querer que todo mundo vá pro mar e se divirta e por escrever e gostar de contar histórias, que me vi de repente envolvido nesse projeto. E nem sei bem quando foi que isso começou exatamente. Eu só sei que em 1999 larguei meu trabalho que era justamente transportar barcos, e me mandei com meu barco, uma camera velha F3 Nikon, um caderno de 10 matérias mil reais por mês e 3 outros sócios malucos que acreditaram que eu faria esses livros e viraram meus sócios! rs

Qual foi seu primeiro guia náutico?

Meus primeiros Guias foram alguns croquis que fiz para mostrar aos navegadores que encontrava pelo mundo, para levá-los para a Paraíba. Primeiro eu falava e falava das belezas de lá e quando eles se interessavam eu pegava uma folha de papel e desenhava a barra, anotava como entrar e dava os alertas de cuidados. Muitos foram. Um deles inclusive eu encontrei no Lançamento do meu segundo livro na Bahia. O Afonssim, um Espanhol muito simpático, estava na festa com meu croqui na mão gritando e mostrando que aquele tinha sido feito por mim nas Canárias. Ele dizia que eu era o responsável por ele nunca mais ter saído do Brasil. rsrsrsr

Mas o primeiro Roteiro de fato ainda não foi lançado. Trata da costa entre Nova Viçosa e Ilhéus. Isso inclui Abrolhos, Cumuruxatiba, Caravelas, a Ilha da Cassumba, Porto Seguro etc. Foi lá, durante a comemoração dos 500 anos do Brasil que conheci o Ernani Paciornick da Revista Náutica. Essa cara mudaria para sempre meus projetos. Eu estava encalhado na entra de Porto Seguro. Maré baixando. Fadado a ficar ali até a próxima enchente, quando uma lancha se aproximou. Alguém gritou lá de dentro dela. - Tá encalhado? - Eu respondi que sim. - Me passe um cabo que vou tentar te puxar! - O que vc está fazendo aqui? me perguntou o cara. - Estou fazendo um Guia da Costa Brasileira - Me procura. eu quero esse livro. E assim fomos parceiros pelos 3 próximos livros. Ernani foi meu primeiro grande patrocinador e  parceiro. Lançamos juntos o 1.Bahia de Ilhéus a Morro de São Paulo e o 2. Bahia a Baía de Todos os Santos. Infelizmente nossa parceria acabou e lancei o Guia Santos - Rio de forma independente. Mas jamais vou esquecer esse cara.

 

Qual a proposta de se fazer um guia náutico? Quem foram os principais parceiros e apoiadores?

O foco é ajudar as pessoas a usarem seus barcos. O mercado já existe. Você tem onde comprar o barco, onde aprender a navegar, onde achar as novidades do mercado, as feiras náuticas, os fornecedores, as lojas, os prestadores de serviço, as marinas, enfim. O mercado está pronto, e funcionando. Os Guias são o óleo lubrificante da máquina. Ele faz o dono do barco ter vontade de navegar, de se aventurar, de levar a família para as ancoragens, dormir no barco, conhecer lugares que nem sabia existir. Usando o barco ele gasta diesel, peças, bombas, o barco fica apertado, gasta-se e o mercado inteiro começa a girar mais lubrificado. Entende? Isso já aconteceu em todos os lugares. Na Bahia o uso do barco e  quantidade de barcos mudou extraordinariamente após os guias. Chegam emails e telefonemas de pessoas agradecendo o livro quase todo dia. A missão foi alcançada.

Já tivemos muitos patrocinadores, a cada volume surgem novos parceiros. No livro da Bahia o próprio governo da Bahia, Bahia Marina, Solar do Unhão, Ford, Papéis Suzano, etc. No Santos-Rio a North Sail, B&G, Bropc, Pier Boat, ABVC, Marina 188, etc.

Como foram os processos de planejamento e execução?

A execução passa por vários processos. O planejamento, onde escolhemos como fazer, a rota cíclica para não precisar ir e voltar, a cara do livro, os formulários de levantamentos, as rotas, os lugares com potencial, os lugares a serem explorados, a fotografia, as pesquisas de campo, (que são a melhor parte), as pesquisas de conteúdo, a editoração, diagramação, revisões, de texto e conteúdo, edição de arte, comercialização, distribuição, etc.

Editar um livro como esse é uma viagem muito interessante. Às vezes árdua, mas não deixa de ser altamente desafiadora. 

Nos conte um pouco da emoção de ter o primeiro guia pronto em mãos.

Cada livro é um choro compulsivo ao tê-lo nas mãos. Como o nascer de um filho. E usando a mesma percepção o primeiro filho é ainda mais pesado. Mas a emoção maior é quando alguém nos liga ou envia um e-mail testemunhando o uso do livro. Até mesmo quando são críticas. Aliás, adoro as críticas. Elas ajustam o livro ao usuário que percebe, e somente o usuário para perceber algum erro durante o uso. As críticas são sempre muito bem recebidas. Mesmo as cacetadas. rs

Todos os seus guias seguem um mesmo padrão?

Obviamente um foi subindo nas costas do outro. Vamos ganhando experiência e melhorando. Aprendendo com as críticas. O Santos - Rio para mim é o mais técnico, enquanto o 1. Bahia é o mais emocional. Porém todos possuem as duas coisas. Eu jamais faria um livro apenas técnico ou apenas emocional. 

E quanto ao seu novo guia Santos – Rio?

Acho que este é o melhor livro. Estudei as dinâmicas Humanas para escrevê-lo. Agora sei que ao dizer para alguém entrar um pouco para a direita da enseada para ancorar, tenho que dizer que ele deve entrar 20 metros para a direita. Sei que algumas pessoas vão simplesmente olhar a foto e já fazer a demanda, enquanto outras vão ler seguidamente o texto em busca de informações. E se você quer fazer um livro para ser seguido por todas as dinâmicas humanas, você tem escrever para cada uma delas. Além disso estudei e usei os melhores Guias do mundo. Tenho todos comigo. E consegui achar boas ideias neles, que juntas com as minhas resultaram em um livro de fácil entendimento para ser usado pelo navegador inexperiente, pelo experiente e pelo expert ou profisssional. Espero que as pessoas aproveitem tudo isso e desfrutem do livro.

Quais são os próximos projetos?

Estão surgindo propostas muito interessantes, como um novo Guia da Bahia que na verdade seja o Rio - Salvador, um livro do nordeste que seria o Salvador - Noronha, um livro sobre furnas e até um especial sobre o Lago Paranoá que já habita minha cabeça por muitas horas por dia. Não gosto muito de esticar o planejamento por longos anos. Posso morrer aflito. Vou velejando cada um deles devagar e curtindo suas belezas. Uma coisa que será sempre nossa marca é que eu preciso ir pessoalmente a cada lugar, que eu preciso gostar do lugar e que jamais vou aceitar patrocínios antecipados que possam exigir de mim uma opinião que não tenha. O meu cliente é e será sempre o navegador.

 

Além dos guias náuticos, você tem uma empresa de Charter de alta qualidade de serviços oferecidos. Conte-nos um pouco sobre a Latitude Charter e os serviços oferecidos a bordo.

Dentro da ótica de levar as pessoas para o mar surgiu um impasse. Para quem tem seu barco basta comprar um Guia e soltar as amarras. Mas, e para quem não tem barco? Para quem nunca teve um barco mas adoraria experimentar?

Então pensamos que essas pessoas poderiam simplesmente alugar um barco. E teria que ser um sistema completo, onde elas não precisassem aprender a navegar. Então a Latitude veio desse pensamento. Você tem ou já teve vontade de velejar sob ventos frescos, em mar azul e chegar em uma das praias do Guia? Então venha. Agora mesmo! Pegue algumas roupas em casa e venha. O seu barco estará pronto, com sua cerveja na geladeira, sua comida predileta preparado pelo seu Chef de Cozinha, seu Capitão estará uniformizado e vai ensinar você a velejar, vai te levar nos mais lindos lugares, vai cuidar de você. Sua cama está forrada com lençóis de Percal, suas toalhas estão secas, seu vinho à mesa, enfim. Sinta-se um navegador de verdade e tome suas decisões porque o barco é seu.

Hoje a Latitude tem 11 anos de mercado com números importantes, por exemplo, 85% dos clientes se transformaram em clientes habituais e quase 8% compraram seus próprios barcos.

E a Latitude não para aí. Nós levamos as pessoas para navegar em qualquer lugar do mundo, com expertise no Brasil, Caribe e Mediterrâneo, damos consultoria na compra e construção de barcos, somos representantes das melhores marcas de velas e equipamentos como a North Sails, B&G, Simrad e Navico, ajudamos as pessoas na compra de barcos usados ou novos e ainda conseguimos manter nosso espirito de velejador. Ajudamos gratuitamente qualquer um que nos procure com dúvidas ou problemas em seus barcos. 

E o mais importante. Velejamos em nosso veleirinho Clássico nas regatas! Porque afinal é no meio do vento que encontramos inspiração e força para continuar curtindo a vida.

Acesse o site http://www.latitudeguias.com/ e prepare-se para conhecer o Mar!

 

 

 

 

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As Velas do Mucuripe ainda saem para pescar

Publicado por Elson - Mucuripe em 23/03/2016 às 07h18

"As Velas do Mucuripe vão sair para pescar...". Essa canção eternizada por Fagner me encanta desde menino, pois admiro os Mestres Jangadeiros do Mucuripe desde cedo. E, por esses motivos, dei nome a meu barco e meu apelido náutico.

Fiz uma viagem há pouco pelo litoral do Ceará e Rio Grande do Norte com a intenção de estar novamente junto aos Mestres Jangadeiros e aprender um pouco mais de suas sabedorias. E, como não podia deixar de ser, minha primeira parada foi na beira-mar, mais precisamente no ponto de concentração dos Jangadeiros do Mucuripe. Assim que cheguei ao Hotel, nem mesmo subi ao quarto, fui direto ao encontro dos Mestres e por lá fiquei proseando com um e com outro, admirando as Jangadas, a Praia de Mucuripe eternizada na belíssima canção de Fagner e Belchior. O Mestre Nego me convidou para embarcar no outro dia em sua Jangada, mas eu tinha que seguir de manhã bem cedo para Jericoacoara, já estava tudo programado.

Conheci o seu Audir, velho Jangadeiro do Mucuripe, acabara de comprar sua quinta jangada e estava começando a reforma. Sua vida inteira foi ali com suas jangadas e sua pesca. Conversamos sobre sua forma de navegar para longe do continente sem uso de GPS ou qualquer instrumento de navegação. Me contou que ao sair pro Mar vai observando os pontos de referência na costa, a praia, os prédios altos da beira-mar que vão sumindo, os morros, tudo some até estar rodeado somente pelas águas do Mar. E, continua mais algumas milhas até chegar num local com umas 100 braças de profundidade (01 braça = 1.83m), é ali o pesqueiro. E para voltar? O Mestre contou que volta pelos caminhos do Mar até começar a enxergar os primeiros picos dos morros, depois os prédios aparecem, e pronto. Assim foi por toda vida.

Diante disso tudo, me senti novamente aquele menino franzino, sem conhecimento algum do mundo, encantado observando as Jangadas sumindo longe como se jamais fossem voltar.

Primeira gravação de Fagner - 1973

 

 

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