A volta ao mundo no Guruçá Cat

Publicado por Elson - Mucuripe em 04/08/2016 às 23h35

A vida é mesmo feita de sonhos, e estes são para ser vividos. Soltar as amarras em busca de um grande sonho é para muitos um ato de loucura, mas para os corajosos é um ato de pura sanidade. Guta e Fausto não mediram esforços, se entregaram de corpo e alma e realizaram muitos desses loucos sonhos, e nessa magnífica loucura dos bravos velejadores, soltaram as amarras e abriram os panos para uma pequena volta ao mundo de quase quatro anos a bordo de sua casa-barco, o belíssimo Guruçá Cat.
Guta e Fausto, muito obrigado por compartilhar esse belo sonho!
 
Entrevistando Guta Favarato

-Há quanto tempo moram a bordo?
Fausto há 28 anos e eu, Guta, há 14 anos na vida náutica. Variou entre morarmos a bordo e o tempo em terra construindo os barcos.


-Sempre tiveram o sonho de dar a volta ao mundo num veleiro? Como e quando ocorreu essa idéia?
Essa idéia surgiu quando começamos a acompanhar outros velejadores viajando pelo mundo.  Nossa idéia era trabalhar a bordo e vivermos na costa brasileira, mas depois com os relatos e fotos de viajantes,  a vontade ficou cada vez maior.


-O que levou vocês a construírem um veleiro para poder colocar esse plano em ação?
Já morávamos em um catamarã 62' projetado e construído pelo Fausto para morarmos a bordo e fazermos charter pela costa brasileira.
Foi um barco projetado para charter, era muito grande para uma volta ao mundo.  Então,  decidimos vender e construir outro projeto de Fausto, o atual Guruçá Cat de 54 ' ideal para longas viagens.


-Como foi construir o novo catamaran? O nome é o mesmo do primeiro?
Foram três anos e três meses trabalhando de 6 da manhã até as 19 da noite todos os dias da semana. Somente nós dois construindo.  O primeiro barco de Fausto se chamava Guruçá (o apelido dele na infância),  hoje se chama Utopia.
O Cat Guruçá e o atual Guruçá Cat.  Cat de catamarã.  Não é lá muito criativo,  mas gostamos do nome e não queríamos colocar em sequência,  tipo: Guruçá 2, 3...


-Qual a rota planejada para a circunavegação? Vocês planejaram detalhadamente todo o percurso?
Não planejarmos detalhadamente e na viagem descobrimos que não adiantava planejar.  São muitos fatores que acontecem durante a viagem que te faz mudar de idéia.  O que faz tudo ficar muito mais interessante.


-E quanto a reabastecimento de alimentos e combustível no percurso?
Abastecimento de alimentos fiz a grande parte na cidade do Panamá onde tem excelentes supermercados com ótimos preços. Compramos quase 4 mil dólares em comida (massas,  enlatados etc...)  guardei a maioria dos produtos em embalagem a vácuo e tenho a bordo até hoje... Não estraga com umidade,  não dá broca.  Foi um ótimo investimento (maquininha de vácuo).
Abastecer de água,  apesar de termos o dessalinizador,  o que mais usamos foi captar água da chuva. Diesel é complicado na maioria dos países porque não tem postos de combustível náutico como estamos acostumados na nossa costa. Temos que carregar em bombonas,  um trabalho de formiguinha que é muito cansativo.  Para nós que temos 1200 litros de armazenamento,  haja coluna! Rsrsrs


-Quais os equipamentos utilizados na navegação? Utilizaram navegação astronômica também?
Radar,  AIS,  piloto automático,  VHF,  2 chartetplotters,  IPad com o programa de navegação NAVIONICS foi o que mais usamos. Não usamos navegação astronômica.  Amém rsrsrsrs
-Que documentação tiveram que providenciar para sair do Brasil?
Só demos a saída da capitania dos portos para termos um documento de entrada no nosso primeiro porto internacional, que no caso foi Tobago,  no Caribe..


-É necessária permissão para fundear em águas internacionais? ou somente no caso de desembarque?
Em todos os países que chegamos,  temos que fazer os papéis de entrada, pedir autorização para permanecermos, mesmo que só fundeados.  As autorizações (vistos) podem variar de 3 meses há 6 meses. Alguns países renovam esses vistos e outros não.  Em alguns países como Galápagos (pertence ao Equador),  e a Indonésia, tivemos que pedir a autorização de entrada antes de chegarmos.. Essas informações se encontram em guias e sites náuticos.


-Quanto ao planejamento meteorológico, como faziam no decorrer do percurso e nas grandes travessias?
Não tínhamos um telefone via satélite ou outra forma de baixarmos a previsão do tempo em alto mar. Fazíamos a previsão na saída,  mas pela nossa experiência,  só é confiável por três dias, então saíamos preparados para o que viesse! Fausto é muito bom em metereologia e sabia identificar quando a coisa iria ficar brava. Rsrsrs


-Em algum momento pensaram em desistir do plano e regressar de onde estavam?
Nunca pensamos em desistir.


-Quanto tempo durou toda a viagem? Ficou próximo do planejado?
A viagem durou o tempo que a grana durou,  rsrsrs,  quase 4 anos.


-Vocês trabalharam com charter em alguma fase da viagem?
Sim,  recebemos brasileiros para charter durante a viagem e também trabalhamos na Malásia.


-Tiveram alguma situação de dificuldades na navegação? Pegaram algum mar bravo?
Passamos por um sufoco com a formação de um tufão na Micronésia,  que desviou da rota. A rota seria passar em cima de nós (estávamos fundeados em um atol na Micronésia). "Mar bravo"  pode ter vários significados. Para mim é quando as ondas são grandes e desencontradas,  atrapalhando muito o barco desenvolver velocidade e velejar. A travessia do Pacífico foi assim. Ondas grandes,  desencontradas e pouco vento. Foram 22 dias super cansativos.


-Encontraram mais velejadores realizando uma volta ao mundo?
Tem muitos velejadores fazendo a volta ao mundo.  Famílias com até 6 filhos,  casais jovens,  casais de idade.. A maioria dos veleiros bem equipados e na faixa dos 40' 45'. É  raro ver veleiros menores e não equipados fazendo a volta ao mundo.

-Planejam uma nova volta ao mundo?
Outra volta ao mundo acho que não,  mas a rota do Atlântico e mediterrâneo daqui há uns anos quem sabe!?


-Enquanto não decidem partir novamente, quais os planos de vida e navegação no Brasil?
Agora voltamos a trabalhar com charter aqui em Angra /Paraty até o verão e depois subiremos a costa recebendo tripulantes e participaremos da REFENO 2017 também com vagas para tripulantes. Continuaremos vivendo a bordo e trabalhando até vendermos o barco. Nosso plano é passar um tempo em terra construindo o novo projeto de Fausto. Um catamarã de 57' ainda mais bonito que o Guruçá Cat rsrsrsrsrs


-Como se sentiram ao final da viagem?
Como se tivéssemos ganhado uma medalha de ouro!  E o que mais desejamos e que todos ganhem sua medalha de ouro naquilo que eles sonhem.

É isso aí...Bons Ventos ao Guruçá Cat!!!

Acesse o site e viaje no Guruçá: http://www.gurucacat.com.br/

Categoria: viver a bordo

Comentários

José Luiz Azeredo em 05/08/2016 13:47:39
Esse é o meu maior sonho. Já naveguei muito no oceano atlântico, mas quero um dia largar tudo e cair no mato! Oh inveja!

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