Blog Velas do Mucuripe

Bons Ventos no Lago Paranoá

Publicado em 03/07/2016 às 18h56

Os ventos chegaram nas águas do Lago Paranoá! Mês de Julho é talvez o mês mais propício para Vela em Brasília. Boas rajadas chegam com o vento frio para fazer a alegria dos amantes da vela no Mar de Brasília. Nesse mês teremos a tradicional Regata 24 horas nos dias 23 e 24/07, que promete ser de bons ventos como foi no ano passado.

Mas nem só de regata vive um velejador. Na vela temos os que curtem bastante a emoção das regatas, os determinados regateiros, que não perdem uma regata por nada, que cultivam a tradição das competições. Temos também os velejadores esporádicos, que muito raramente botam o barco na água para fazer um breve passeio. E, temos os velejadores cruzeiristas, que é o meu caso, que curtem uma boa velejada e participam de regatas sem o compromisso com a melhor performance do barco, visto que um veleiro de cruzeiro não tem a mesma configuração que um veleiro de regata. E são esses perfis de velejadores que mantém viva a tradição da vela em Brasília, embelezando ainda mais as águas do Paranoá nessa estação de ventos constantes que geralmente se inicia em junho e vai até outubro. Nos demais meses do ano os ventos são inconstantes, ocorrendo mesmo dias seguidos de total ausência de vento.

Temos o privilégio de ter esse belíssimo Lago que nos dá vida e beleza, deixando ainda mais bonito o Céu de Brasília. Velejar no Lago Paranoá é além de uma prática esportiva, um momento de contemplação. Ouvir o som do vento e das águas que lavam o costado do veleiro que segue seu rumo tranquilo nos traz um sincero sentimento de gratidão. Na tarde desse sábado passado, enquanto dava uma aula de vela, registrei esse momento meditativo nas águas do Paranoá, Mar de Brasília.

Confira a previsão de ventos para os próximos dias na raia sul:

http://www.windguru.cz/pt/index.php?sc=30317

 

Se você deseja aprender a velejar ou fazer um passeio de veleiro em Brasília, aproveite que os bons ventos estão aí. Conheça nossos cursos com aulas individuais e também para casais. Acesse no Menu a seção de Cursos e Charter.

 

Bons Ventos!

 

 

 

Categoria: vela
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Como determinar a posição do barco pelas estrelas

Publicado por Elson - Mucuripe em 06/06/2016 às 07h54

Hoje em dia nas provas para Capitão Amador o assunto de Navegação Astronômica aborda apenas a Navegação pelo Sol , limitando-se os cálculos de posição pela passagem meridiana do Sol. Mas, para os amantes da navegação astronômica o estudo se estende a outras situações, como é o caso da Navegação pelas Estrelas. Esse post que escrevo agora não tem a intenção de detalhar sobre o assunto, e sim de elaborar um despretensioso passo a passo para aqueles que já tem um pouco de afinidade com o assunto.

Antes mesmo de empunhar o sextante para medir a altura de uma estrela, o navegante deve planejar o momento das visadas fazendo o “Preparo do Céu”, que significa saber antecipadamente quais serão as estrelas propícias para as observações e em que alturas e azimutes aproximados estarão no momento da observação. Com essas informações o navegante selecionará as estrelas para fazer suas visadas e calcular sua posição pelo cruzamento das retas de alturas obtidas. Como o uso do sextante se restringe aos momentos em que ainda visualizamos o horizonte, fazemos o preparo do céu principalmente para os instantes dos crepúsculos matutino e vespertino.

Na navegação astronômica normalmente são utilizadas duas maneiras para fazer o preparo do céu. Uma, pelo uso do Star Finder, e a outra, pela pub249 vol I, sendo exclusiva para as estrelas. Das 57 estrelas selecionadas para navegação astronômica, a pub249 vol I trabalha com 41 delas. 

Após calcularmos o ângulo horário local do ponto vernal (AHLY)para o instante desejado, em função de nossa posição estimada,  a pub249 vol I nos mostra pela combinação do AHLY e da latitude assumida, quais são as sete estrelas indicadas para realizarmos as observações, a fim de traçarmos as retas de posição para calcularmos nossa localização.

Vamos a um exemplo prático:

Um navegante estima que no crepúsculo civil vespertino do dia 02/09/2014 estará  na localização 10°05'S 035°15'W.Quais seriam as estrelas identificadas para a navegação astronômica?

- o primeiro passo é calcular o horário do crepúsculo civil vespertino para a data escolhida. Entramos no almanaque náutico 2014 (pg.181) na página referente à data e fazemos o cálculo para o crepúsculo. Encontraremos na página diária as informações referentes ao horário do crepúsculo em HML (hora média local), que deverá ser combinada com a longitude estimada convertida em tempo (35°15' = 2h21m) para transformaros em HMG (hora média em Greenwcich). Obtida a HMG, subtrairemos o fuso correspondente, visto que a longitude é oeste, e encontraremos a Hora Legal referente ao crepúsculo civil vespertino para essa posição estimada.
latitude 10°S => HML do crep. civil     = 18h19
                 HMG = 18h19 + 2h21       = 20h40
                 HORA LEGAL = 20h40 - 3 = 17h40 

 - Calcular o ângulo horário em Greenwich do ponto vernal(AHGY). Em seguida, utilizando a longitude estimada, calcular o AHLY. No cálculo do AHLY assumimos um valor de longitude para que resulte em um valor inteiro de AHLY.

Na pág 180 encontraremos os dados para calcularmos o AHGY para HMG 20h40.
                 Para HMG 20h temos AHGY = 281°53.4'
                 acréscimo para 40m          =    10°01.6'
                 Para HMG 20h40 o AHGY    =  291°55'
                 AHLY = AHGY - longitude W => 291°55' - 36°55' = 256°

- para entrarmos na pub249 vol I precisamos de um valor inteiro para a latitude e para o AHLY. Para a latitude, escolhemos o valor mais próximo (10°S). O AHLY foi calculado anteriormente = 256°. Na pág 200 da pub249 vol I temos as estrelas selecionadas para essa combinação de latitude e AHLY:

 

ESTRELA

ALTURA

AZIMUTE

VEGA

36°35

023

ALTAIR

44°17

067

Peacock

29°14

151

RIGIL KENT

32°40

200

SPICA

36°26

263

ARCTURUS

39°25

305

Alpheca

47°27

330


Obs:
Astrês estrelas com os nomes em negrito são as mais convenientes para a determinação da posição pelo cruzamento das retas de alturas das mesmas.

 

No exemplo apresentado acima o navegante estimou sua posição em latitude S10°05’ e longitude W035°15’, no dia 02/09/2014, crepúsculo vespertino. A hora legal calculada do crepúsculo foi de 17h40m. Ângulo horário local do ponto vernal (AHLY) = 256°.

Dentre as 07 estrelas sugeridas pela PUB249 VOL I o navegante escolheu Altair, Rigel Kent e Arcturus.

Dados da PUB249 para as 03 estrelas:

ESTRELA

ALTURA

AZIMUTE

Altair

44°17

067

Rigel Kent

32°40

200

Arcturus

39°25

305

 

O navegante iniciou as observações alguns minutos após o início do crepúsculo vespertino, quando as estrelas se apresentaram com brilho suficiente e ainda havia horizonte definido para o uso do sextante.

Às 17:55 observou Altair , fez as correções para altura, obtendo altura verdadeira = 48°14

Às 17:57 observou Rigel Kent obtendo altura verdadeira = 31°04

Às 17:58:30 observou Arcturus obtendo altura verdadeira = 34°51

Para o cálculo das retas de altura de cada estrela teremos o seguinte roteiro:

- Para cada estrela calcularemos o AHGY (ângulo horário em Greenwich do ponto vernal) de acordo com a HMG da observação, e depois calcularemos o AHLY. O Almanaque fornece o AHGY para as HMG inteiras. Entra-se na página diária do almanaque na HMG inteira correspondente e anota-se o valor do AHGY:

AHGY (20h) = 281°53.4’

Vai nas páginas de acréscimos e correções do almanaque para encontrar o valor de acréscimo para os minutos: 55m = > 13°47.3’     57m = > 14°17.3’      58m30s = > 14°39.9’

Então, teremos:

ESTRELA

HMG DA OBSERVAÇÃO

AHGY

Altair

20h55m

295°40.7’

Rigel Kent

20h57m

296°10.7’

Arcturus

20h58m30s

296°33.3’

 

Para cada estrela teremos uma longitude aproximada para encontrarmos um AHLY com valor inteiro. Então, teremos:

ESTRELA

HMG

AHGY

LONG APROX

AHLY

Altair

20h55m

295°40.7’

35°40.7’ W

260°

Rigel Kent

20h57m

296°10.7’

35°10.7’ W

261°

Arcturus

20h58m30s

296°33.3’

35°33.3’ W

261°

 

- Feitos os cálculos anteriores, temos os elementos para entrarmos na PUB249 VOL I e buscarmos os valores das alturas calculadas e azimutes para os novos valores de AHLY, com a latitude aproximada de 10°S. Os valores dos Azimutes fornecidos pela tábua serão usados para o traçado das retas de altura; já as alturas, serão comparadas às alturas verdadeiras e as diferenças entre elas é que determinarão o ponto de Saint Hilaire para traçado das retas. Buscando os dados na PUB249 VOL I e calculando a diferença entre as alturas teremos os elementos para o traçado das retas a seguir:

 

ESTRELA

LAT aproximada

LONG aprox.

Altura verdadeira

Altura calculada

diferença/ ALTURAS

AZIMUTE

Altair

10°S

35°40.7’W

48°14

47°53

21’

065

Rigel Kent

10°S

35°10.7’W

31°04

30°55

9’

202

Arcturus

10°S

35°33.3’W

34°51

35°19

-28’

302

 

  - Após traçarmos as retas e determinarmos a posição da embarcação, devemos ainda entrar na tábua de correção referente à precessão e nutação (encontrada na própria PUB249), devido ao pequeno deslocamento do ponto vernal, e em função do AHLY, latitude aproximada e o ano achamos o valor em milhas a ser deslocado no rumo correspondente apontado na tábua. A correção é aproximada, escolhendo-se os dados de AHLY e latitude mais próximos na tábua, ou interpolando a olho. Nesse caso a posição encontrada deverá ser deslocada em 3.7 milhas no rumo de 90°.

Após o traçado das retas e a correção pela tábua de precessão e nutação a posição encontrada foi latitude = 10°10’S longitude = 35°06’W.

Retas de Alturas - Folha N7

 

Categoria: Estudos de Capitão
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Os Guias Náuticos de Hélio Magalhães

Publicado por Elson - Mucuripe em 05/06/2016 às 12h10

 É tradição entre os navegantes compartilhar informações e dicas em geral sobre tudo o que se refere ao mundo náutico. Participo de vários grupos de navegantes, onde a troca de conhecimentos é costumeira. E, nesse meio, alguns se destacam pela dedicação e realização de feitos de extrema importância e beleza.

Tive a honra de entrevistar o grande Navegador Hélio Magalhães, autor de guias náuticos de altíssima qualidade, onde estão reunidas informações valiosas como: Mapas e croquis, dicas de navegação local, marinas, ancoragens, fotos, informações sobre clima, sistema de ventos, histórias locais e causos...

 

Nascido em João Pessoa (PB), em 21 de fevereiro de 1961, Hélio teve o primeiro contato com a navegação aos 5 anos, quando navegou com seu pai em um pequeno veleiro da classe Lightining. Ganhou a primeira embarcação  aos 8 anos – uma jangada de pesca tipicamente nordestina, que estava destruída, mas que foi restaurada. O ajudante de carpinteiro seria o próprio Hélio, que trabalhou intensamente durante as férias escolares daquele ano. No final do verão, navegava enfim, em seu primeiro barco. Aos 15 anos, conheceu Brian Stevens, um inglês radicado no Brasil, dono de um veleiro onde trazia toda a sua família a bordo. O barco naufragou na Paraíba. O estaleiro de manutenção e construção de veleiros que o inglês fundou, foi o local onde Hélio aprendeu a fazer manutenção em barcos. Em pouco tempo, já assumia a papel de “skipper” de transporte de barcos na costa brasileira.

Fotógrafo, Escritor e Navegador com milhares de horas de mar e mais de 200 mil milhas náuticas navegadas, o Navegador Hélio Magalhães acaba de lançar o “Roteiro Santos – Rio de Janeiro”.

 

“Você vê a foto de abertura e já se apaixona pelo lugar. Depois você fica sabendo tudo o que ele oferece como Bar, Restaurante, Praia, Trilhas, Marinas e muito mais. Lê o texto de abertura e toma a decisão de navegar para lá. Daí, você encontra tudo o que precisa saber para ancorar como os ventos para os quais ela é abrigada, a profundidade o waypoint e até o tipo de fundo que existe para sua ancora unhar.
Isso nenhuma Carta Náutica nem Plotter traz para você!”

 

Como e quando você idealizou fazer seu primeiro guia?

Entre um café e outro, entre um barco transportado e outro, entre as milhares de horas sozinho, navegando, entre os lugares que vi na vida, os mares, os ventos, a idéia de levar as pessoas para as ancoragens que eu havia visitado foi crescendo e ganhando forma de livro. Um Guia! Mas não um Guia seco, como um manual de TV! Um guia que fosse uma gostosa mistura de informação e troca de experiência. Que olhasse o mar com a dificuldade do navegador iniciante, mas que pudesse também ser usado pelo experiente e até o profissional gostasse de usar. E foi do amor pela fotografia, por navegar, por querer que todo mundo vá pro mar e se divirta e por escrever e gostar de contar histórias, que me vi de repente envolvido nesse projeto. E nem sei bem quando foi que isso começou exatamente. Eu só sei que em 1999 larguei meu trabalho que era justamente transportar barcos, e me mandei com meu barco, uma camera velha F3 Nikon, um caderno de 10 matérias mil reais por mês e 3 outros sócios malucos que acreditaram que eu faria esses livros e viraram meus sócios! rs

Qual foi seu primeiro guia náutico?

Meus primeiros Guias foram alguns croquis que fiz para mostrar aos navegadores que encontrava pelo mundo, para levá-los para a Paraíba. Primeiro eu falava e falava das belezas de lá e quando eles se interessavam eu pegava uma folha de papel e desenhava a barra, anotava como entrar e dava os alertas de cuidados. Muitos foram. Um deles inclusive eu encontrei no Lançamento do meu segundo livro na Bahia. O Afonssim, um Espanhol muito simpático, estava na festa com meu croqui na mão gritando e mostrando que aquele tinha sido feito por mim nas Canárias. Ele dizia que eu era o responsável por ele nunca mais ter saído do Brasil. rsrsrsr

Mas o primeiro Roteiro de fato ainda não foi lançado. Trata da costa entre Nova Viçosa e Ilhéus. Isso inclui Abrolhos, Cumuruxatiba, Caravelas, a Ilha da Cassumba, Porto Seguro etc. Foi lá, durante a comemoração dos 500 anos do Brasil que conheci o Ernani Paciornick da Revista Náutica. Essa cara mudaria para sempre meus projetos. Eu estava encalhado na entra de Porto Seguro. Maré baixando. Fadado a ficar ali até a próxima enchente, quando uma lancha se aproximou. Alguém gritou lá de dentro dela. - Tá encalhado? - Eu respondi que sim. - Me passe um cabo que vou tentar te puxar! - O que vc está fazendo aqui? me perguntou o cara. - Estou fazendo um Guia da Costa Brasileira - Me procura. eu quero esse livro. E assim fomos parceiros pelos 3 próximos livros. Ernani foi meu primeiro grande patrocinador e  parceiro. Lançamos juntos o 1.Bahia de Ilhéus a Morro de São Paulo e o 2. Bahia a Baía de Todos os Santos. Infelizmente nossa parceria acabou e lancei o Guia Santos - Rio de forma independente. Mas jamais vou esquecer esse cara.

 

Qual a proposta de se fazer um guia náutico? Quem foram os principais parceiros e apoiadores?

O foco é ajudar as pessoas a usarem seus barcos. O mercado já existe. Você tem onde comprar o barco, onde aprender a navegar, onde achar as novidades do mercado, as feiras náuticas, os fornecedores, as lojas, os prestadores de serviço, as marinas, enfim. O mercado está pronto, e funcionando. Os Guias são o óleo lubrificante da máquina. Ele faz o dono do barco ter vontade de navegar, de se aventurar, de levar a família para as ancoragens, dormir no barco, conhecer lugares que nem sabia existir. Usando o barco ele gasta diesel, peças, bombas, o barco fica apertado, gasta-se e o mercado inteiro começa a girar mais lubrificado. Entende? Isso já aconteceu em todos os lugares. Na Bahia o uso do barco e  quantidade de barcos mudou extraordinariamente após os guias. Chegam emails e telefonemas de pessoas agradecendo o livro quase todo dia. A missão foi alcançada.

Já tivemos muitos patrocinadores, a cada volume surgem novos parceiros. No livro da Bahia o próprio governo da Bahia, Bahia Marina, Solar do Unhão, Ford, Papéis Suzano, etc. No Santos-Rio a North Sail, B&G, Bropc, Pier Boat, ABVC, Marina 188, etc.

Como foram os processos de planejamento e execução?

A execução passa por vários processos. O planejamento, onde escolhemos como fazer, a rota cíclica para não precisar ir e voltar, a cara do livro, os formulários de levantamentos, as rotas, os lugares com potencial, os lugares a serem explorados, a fotografia, as pesquisas de campo, (que são a melhor parte), as pesquisas de conteúdo, a editoração, diagramação, revisões, de texto e conteúdo, edição de arte, comercialização, distribuição, etc.

Editar um livro como esse é uma viagem muito interessante. Às vezes árdua, mas não deixa de ser altamente desafiadora. 

Nos conte um pouco da emoção de ter o primeiro guia pronto em mãos.

Cada livro é um choro compulsivo ao tê-lo nas mãos. Como o nascer de um filho. E usando a mesma percepção o primeiro filho é ainda mais pesado. Mas a emoção maior é quando alguém nos liga ou envia um e-mail testemunhando o uso do livro. Até mesmo quando são críticas. Aliás, adoro as críticas. Elas ajustam o livro ao usuário que percebe, e somente o usuário para perceber algum erro durante o uso. As críticas são sempre muito bem recebidas. Mesmo as cacetadas. rs

Todos os seus guias seguem um mesmo padrão?

Obviamente um foi subindo nas costas do outro. Vamos ganhando experiência e melhorando. Aprendendo com as críticas. O Santos - Rio para mim é o mais técnico, enquanto o 1. Bahia é o mais emocional. Porém todos possuem as duas coisas. Eu jamais faria um livro apenas técnico ou apenas emocional. 

E quanto ao seu novo guia Santos – Rio?

Acho que este é o melhor livro. Estudei as dinâmicas Humanas para escrevê-lo. Agora sei que ao dizer para alguém entrar um pouco para a direita da enseada para ancorar, tenho que dizer que ele deve entrar 20 metros para a direita. Sei que algumas pessoas vão simplesmente olhar a foto e já fazer a demanda, enquanto outras vão ler seguidamente o texto em busca de informações. E se você quer fazer um livro para ser seguido por todas as dinâmicas humanas, você tem escrever para cada uma delas. Além disso estudei e usei os melhores Guias do mundo. Tenho todos comigo. E consegui achar boas ideias neles, que juntas com as minhas resultaram em um livro de fácil entendimento para ser usado pelo navegador inexperiente, pelo experiente e pelo expert ou profisssional. Espero que as pessoas aproveitem tudo isso e desfrutem do livro.

Quais são os próximos projetos?

Estão surgindo propostas muito interessantes, como um novo Guia da Bahia que na verdade seja o Rio - Salvador, um livro do nordeste que seria o Salvador - Noronha, um livro sobre furnas e até um especial sobre o Lago Paranoá que já habita minha cabeça por muitas horas por dia. Não gosto muito de esticar o planejamento por longos anos. Posso morrer aflito. Vou velejando cada um deles devagar e curtindo suas belezas. Uma coisa que será sempre nossa marca é que eu preciso ir pessoalmente a cada lugar, que eu preciso gostar do lugar e que jamais vou aceitar patrocínios antecipados que possam exigir de mim uma opinião que não tenha. O meu cliente é e será sempre o navegador.

 

Além dos guias náuticos, você tem uma empresa de Charter de alta qualidade de serviços oferecidos. Conte-nos um pouco sobre a Latitude Charter e os serviços oferecidos a bordo.

Dentro da ótica de levar as pessoas para o mar surgiu um impasse. Para quem tem seu barco basta comprar um Guia e soltar as amarras. Mas, e para quem não tem barco? Para quem nunca teve um barco mas adoraria experimentar?

Então pensamos que essas pessoas poderiam simplesmente alugar um barco. E teria que ser um sistema completo, onde elas não precisassem aprender a navegar. Então a Latitude veio desse pensamento. Você tem ou já teve vontade de velejar sob ventos frescos, em mar azul e chegar em uma das praias do Guia? Então venha. Agora mesmo! Pegue algumas roupas em casa e venha. O seu barco estará pronto, com sua cerveja na geladeira, sua comida predileta preparado pelo seu Chef de Cozinha, seu Capitão estará uniformizado e vai ensinar você a velejar, vai te levar nos mais lindos lugares, vai cuidar de você. Sua cama está forrada com lençóis de Percal, suas toalhas estão secas, seu vinho à mesa, enfim. Sinta-se um navegador de verdade e tome suas decisões porque o barco é seu.

Hoje a Latitude tem 11 anos de mercado com números importantes, por exemplo, 85% dos clientes se transformaram em clientes habituais e quase 8% compraram seus próprios barcos.

E a Latitude não para aí. Nós levamos as pessoas para navegar em qualquer lugar do mundo, com expertise no Brasil, Caribe e Mediterrâneo, damos consultoria na compra e construção de barcos, somos representantes das melhores marcas de velas e equipamentos como a North Sails, B&G, Simrad e Navico, ajudamos as pessoas na compra de barcos usados ou novos e ainda conseguimos manter nosso espirito de velejador. Ajudamos gratuitamente qualquer um que nos procure com dúvidas ou problemas em seus barcos. 

E o mais importante. Velejamos em nosso veleirinho Clássico nas regatas! Porque afinal é no meio do vento que encontramos inspiração e força para continuar curtindo a vida.

Acesse o site http://www.latitudeguias.com/ e prepare-se para conhecer o Mar!

 

 

 

 

Categoria: coisas do Mar
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VISADAS COM SEXTANTE NO LAGO PARANOÁ - RETAS DO SOL

Publicado por Elson - Mucuripe em 06/05/2016 às 00h06

À primeira vista parece algo sem sentido utilizar o sextante a bordo de um veleiro no Lago Paranoá, e muitos me perguntam se é possível medir a altura dos astros com um horizonte tão limitado. Então, convido a todos a conhecerem um pouco mais sobre as possibilidades com o sextante e sobre o entendimento de horizontes de referência na Navegação Astronômica!

Quando medimos a altura do Sol, por exemplo, primeiramente estamos utilizando como referência o nosso horizonte visual, que a grosso modo podemos dizer que é um plano que passa pelo olho do observador tangenciando a superfície terrestre. Quando estamos no Mar, nosso horizonte visual é limitado pela linha do horizonte, e a distância que conseguimos enxergar estando a bordo de um veleiro, em boas condições de tempo, é mais ou menos de 04 milhas náuticas. Podemos saber dessa distância aproximada calculando a raiz quadrada da altura do nosso olho em relação à superfície, e multiplicar por 02, ou seja, se nosso olho estiver a 04 metros de altura em relação à superfície do Mar, nosso alcance visual será de 04 milhas aproximadamente.

Bom, mas essa altura obtida tendo como referência o horizonte visual, não é a altura verdadeira do Sol, pois a altura verdadeira tem como referência o horizonte verdadeiro, que é um plano que passa pelo centro da Terra e é perpendicular à linha zênite-nadir. Por fim, temos o horizonte aparente, que é um plano também perpendicular ao zênite e que passa pelo olho do observador, sendo assim, paralelo ao horizonte verdadeiro. Como o horizonte aparente é paralelo ao horizonte verdadeiro, fica fácil determinarmos a altura do Sol fazendo apenas algumas correções tabuladas no Almanaque Náutico, em função da refração atmosférica que projeta o astro acima do que realmente este se encontra, e outras correções como semidiâmetro e paralaxe.

Como vimos anteriormente, o horizonte visual tangencia a superfície terrestre, enquanto o horizonte aparente é um plano que passa pelo olho do observador, sendo perpendicular ao zênite. Então, em função da altura do olho teremos uma diferença entre esses dois horizontes, que chamamos de depressão aparente. Quanto mais baixo estiver o olho do observador em relação à superfície, menor será a depressão aparente, e quanto menor a distância ao horizonte, teremos menor refração terrestre, que nada mais é do que o desvio que o horizonte visual apresenta em função da curvatura da superfície.

Disso tudo podemos concluir que estando um observador a bordo de um veleiro no Lago Paranoá com um horizonte visual de uma milha, por exemplo, a diferença para um observador que estivesse no Mar também em um veleiro, seria de mais ou menos 03 milhas de distância ao horizonte, o que não implica em uma grande diferença em relação à refração terrestre. Nesse caso, o erro no cálculo da altura verdadeira do Sol seria de não mais que 03 minutos de arco. Sendo assim, levando em conta esses possíveis erros, nada nos impede de treinar com o sextante num local com o horizonte visual limitado e obter bons resultados. É certo que trata-se apenas de treinamento, tanto do uso do sextante como da prática do uso das tábuas e do raciocínio para determinar os elementos para as retas de altura.

Para quem tem familiaridade com o assunto, segue folha de cálculos e o traçado de retas do Sol de visadas com o sextante realizadas no dia 23/04/16. A diferença para o GPS foi de uma milha de longitude e duas milhas de latitude.

Bons Ventos!

 

Categoria: Estudos de Capitão
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Revezamento da Tocha Olímpica no Lago Paranoá

Publicado em 04/05/2016 às 07h48

O Mar de Brasília ficou bastante agitado no dia 03/05/2016 com a chegada da Tocha Olímpica em suas águas. Muitas pessoas foram prestigiar o evento, aguardando o momento do cortejo náutico que foi acompanhado por veleiros, lanchas, canoas, jet, sup e barcos de passeio. O percurso nas águas do Lago Paranoá foi da Ponte JK até o Pontão, sendo que a Tocha foi revezada por atletas que embarcaram na lancha da polícia ambiental e mais adiante numa canoa havaiana. Para as embarcações mais lentas foi um pouco complicado acompanhar a primeira parte de perto, devido à velocidade com que a lancha navegou, fazendo com que alguns barcos ficassem mais distantes. Mas, no final, todos tiveram tempo de chegar no Pontão para se despedirem da Tocha Olímpica que seguiria pelas ruas do DF conforme a programação do GDF.

Categoria: Notícias náuticas
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PROVA DE CPA - CÁLCULO DE MARÉ PELA PASSAGEM MERIDIANA DA LUA

Publicado por Elson - Mucuripe em 24/04/2016 às 20h09

Essa é mais uma questão frequente nas provas de Capitão Amador. Trata-se de determinar a hora da preamar utilizando o Almanaque Náutico juntamente com informações de marés contidas nas cartas náuticas. Esse método é utilizado principalmente quando a Tábua de Marés não traz informações para determinado local. Nesse caso, a carta da região traz a informação HWF&C , correspondente à quantidade média de horas em dias de Sigízia em que a preamar ocorrerá após a passagem meridiana da lua, e consultando o Almanaque Náutico, é necessário fazer os cálculos para determinar a hora legal da pmd da lua e, em seguida, somar o valor de HWF&C ao valor da hora legal da pmd da lua, obtendo assim a hora legal da preamar.

Vamos à resolução de uma questão do Exame para Capitão Amador de 22/10/2015:

1.8) Já aterrando no Atol das Rocas, o Capitão verificou que as profundidades fornecidas pelo ecobatímetro nas proximidades do atol estavam bastante baixas para o calado do iate, pois era baixa-mar em dia de sizígia (lua cheia). Verificou também que a publicação "Tábua das Marés" não contempla o Atol, razão pela qual, para determinar o melhor horário de demanda para o fundeio (preamar), seria necessário consultar o Almanaque Náutico e o quadro de "informações sobre a maré" constante da carta de maior escala da região. Considerando o quadro abaixo e os dados do Almanaque Náutico, constantes dos anexos, determine a hora legal da preamar diurna na região no dia 22/10/2015.

 

SOLUÇÃO:

Primeiro temos que fazer a conversão da longitude, fornecida no quadro, em tempo. 033°49W => 2h15m.

Da página diária do Almanaque Náutico teremos as informações da HMG da pmd da lua:

22/10/2015 pmd superior lua = 19h38m     pmd inferior da lua = 7h12m

Temos que calcular a HML da pmd da lua para a longitude do lugar. Devido ao movimento diário da lua em relação à Terra, a HML da pmd varia de meridiano para meridiano, sendo necessário utilizar a TÁBUA II - PARA A LONGITUDE, para fazer a interpolação em longitude da HML da pmd da lua. Para isso, devemos pegar os valores do dia seguinte com os dados dos horários da pmd da lua. Essa tábua consta do Almanaque e é fornecida nos anexos da prova, onde pode-se encontrar as orientações para seu uso.

Conforme descrito na tábua, sendo a longitude oeste, utilizamos os valores do dia seguinte para calcularmos as diferenças dos instantes da pmd da lua de um dia pro outro e fazermos a interpolação para encontrarmos o valor de correção.

23/10/2015 pmd superior da lua = 20h32m   pmd inferior da lua = 8h05m

A questão pede para determinarmos a preamar diurna. Sendo assim, nosso cálculo será em função da pmd inferior da lua, visto o valor de HWF&C = 7h40m.

Então, comparando os horários da pmd inferior dos dias 22 e 23 teremos uma diferença de 53 minutos. Conforme orientações de uso da tábua II, entraremos na coluna de longitude com o valor mais próximo de 33°, nesse caso será 30°, e na coluna da diferença dos minutos faremos a interpolação a olho, obtendo a correção de 4m.

Soma-se os 4m às 7h12m para termos o horário corrigido da pmd inferior da lua no dia 22/10/2015 para o meridiano local, obtendo HML da pmd = 7h16m;

A esse valor da HML da pmd somaremos a longitude convertida em tempo obtendo a HMG da pmd = 9h31m;

Para obter a hora legal da pmd da lua basta diminuir o fuso do local (+2), obtendo 7h31m;

e finalmente, para encontrarmos a hora legal da preamar, basta somar o HWF&C ao valor da hora legal da pmd, obtendo 15h11m.

Boa prova e Boa Sorte aos novos Capitães!

 

 

 

 

Categoria: Estudos de Capitão
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CAPITÃO AMADOR - QUESTÕES DE PROVA DE NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA

Publicado por Elson - Mucuripe em 22/04/2016 às 07h39
Espero que ajude aos amigos que farão a prova para Capitão Amador.
 
DO EXAME DE 28/04/2015
 
No dia 15/04/2015, um Capitão Amador, navegando com destino a Abrolhos, preparou-se para determinar com o sextante (erro instrumental -0,4') a posição de seu iate na passagem meridiana do Sol e, para isso, ainda de manhã, calculou alguns parâmetros aproximados do Sol no momento da culminação, considerando estar durante o evento, na posição estimada Lat = 18°12,2'S Long = 037°20,5'W. Baseado na situação descrita e nos demais dados apresentados no corpo das perguntas, responda às questões que se seguem, assinalando a opção correta.

1.1 - Durante o planejamento, o Capitão calculou a hora legal prevista para a passagem meridiana do Sol nesse dia 15/04/2015. Qual foi essa hora calculada?
    a) 12h00m
X b) 12h29m
    c) 11h45m
    d) 11h59m
    e) 12h15m

Para a solução o candidato recebe junto com a prova os anexos para utilização nos cálculos.


SOLUÇÃO:

- o primeiro passo é ir na página diária do almanaque náutico de 15/04/2015 e consultar no canto inferior direito da página os dados sobre a passagem meridiana do Sol. Os dados fornecidos são em hora média local, nesse caso, a hml da pmd (passagem meridiana) = 12h00m
- Em seguida devemos converter a longitude estimada em tempo para calcularmos a HMG (hora média em Greenwich) prevista da passagem meridiana, pois só após esse cálculo chegaremos à hora legal da pmd.
Devemos usar a tábua de Conversão de Arco em Tempo:
     037° = 2h28m
     20,5' = 1m22s
Então, aproximando ao minuto mais próximo, teremos 037°20,5' = 2h29m
HMG = HML + LongW   => HMG = 14h29m
- Para chegarmos na hora legal calculamos antes o fuso atribuido a essa longitude. Nesse caso, fuso = 2
Como se trata de longitude oeste, diminuiremos o fuso da HMG.
Hora legal = 12h29m.


1.2 - O Capitão calculou também qual seria a distância zenital estimada do centro do Sol na pmd nesse dia. Qual foi essa distância zenital estimada?
    a) 24°04,9'
    b) 26°15,7'
    c) 28°43,0'
X d) 27°59,4'
    e) 29°51,6'

SOLUÇÃO:

- Nesse caso, temos que a latitude estimada = 18°12,2'S. O cálculo da latitude meridiana está associado com a declinação e com a distância zenital. Como a questão está pedindo a distância zenital estimada, consideraremos para os cálculos a latitude estimada. Então, devemos antes de tudo, calcular a declinação do Sol para a hora prevista da passagem meridiana. Vimos que a HMG da pmd = 14h29m. Para entrarmos na página diária e calcularmos a declinação devemos entrar com a HMG inteira (14h) e depois fazer as correções para os minutos (29m).
- Para a HMG 14h a declinação = 9°46,8'N , ou seja, declinação norte. Comparando com a HMG anterior, a declinação é crescente. Isso é importante para a correção dos minutos.
- Para a correção dos minutos, no que se refere à declinação do Sol, devemos anotar o fator d encontrado no rodapé da página = 0,9. Com esse fator, iremos na página de acréscimos referente aos 29m para corrigir o valor da declinação do Sol para HMG 14h29m.
- Na página de acréscimos dos 29m iremos na coluna de correção de v ou d, e teremos o valor de correção para 0,9' igual a 0,4'. Será esse valor de 0,4' que acrescentaremos à declinação.
No final teremos que a declinação para para HMG 14h29m = 9°47,2' N
- Para chegarmos ao valor da distância zenital estimada, nesse caso, somaremos o valor da latitude com o valor da declinação, visto que a latitude é sul e a declinação é norte.
distância zen.estimada = 18°12,2' + 9°47,2' = 27°59,4'
 
1.4) Observando a posição relativa entre o seu iate e o Sol, no triângulo astronômico de posição, o
Capitão verificou que a latitude do iate, no instante da Passagem Meridiana, nesse dia 15 de abril,
poderia ser calculada pela expressão:
( a ) latitude = 90° – altura do centro do Sol + declinação.
( b ) latitude = 90° – altura do centro do Sol – declinação.
( c ) latitude = declinação do Sol + altura do centro do Sol – 90°.
( d ) latitude = altura do centro do Sol – declinação do Sol – 90°.
( e ) latitude = 90° + altura do centro do Sol – declinação.

SOLUÇÃO:
Conforme calculamos no item 1.2 a dec = 9°47,2'N,  e o enunciado da questão
nos informou que lat.estimada = 18°12,2'S
Como a distância zenital é a distância do Astro ao zênite do observador, podemos concluir que nessa situação, a distância zenital é igual a soma da declinação (norte) mais a latitude sul.
Sendo assim, o valor da latitude é igual à distância zenital menos a declinação, ou seja,
latitude = (90° – altura do centro do Sol) – declinação. 

1.5) Às HMG = 14h 28m 13,0s, na longitude estimada desse mesmo dia, o Capitão colimou o limbo
inferior do Sol na passagem meridiana e obteve a altura instrumental (ai) de 61° 46,7'. Sabendo que seu
olho durante a observação estava com uma elevação de 2,7 metros em relação ao nível do mar, o Capitão
calculou a altura verdadeira do astro, tendo achado:
( a ) 61° 58,8’ .
( b ) 62° 00,5’ .
( c ) 61° 51,6’ .
( d ) 61° 46,5’ .
( e ) 62° 03,1’ .

SOLUÇÃO:

Para chegarmos à altura verdadeira do Sol temos que fazer as correções desde o erro instrumental, o valor
da depressão atribuído à altura do olho e as correções em função do semidiâmetro, refração e paralaxe, conforme a tábua A2 baseando-se na data e no limbo observado.
- O enunciado da questão nos forneceu erro instrumental = -0,4'. Com isso, calculamos a altura observada.
Altura observada = altura instrumental - 0,4' = 61°46,3'
- Veremos na tábua A2 que o valor de correção para altura do olho de 2,7m é 2,9'(depressão).
Altura aparente = altura observada - depressão = 61°43,4'
- O próximo passo é ir novamente na tábua A2 na coluna dos meses Abr-Set e procurar o valor mais próximo da altura aparente e pegar o valor de correção referente ao limbo inferior. Esse valor de correção já engloba a correção para o semidiâmentro, a refração média e a paralaxe.
Basta observar que na coluna da aap (altura aparente) não temos o valor de 61°43,4', então pegamos o valor de correção para as aap inferior e superior a esta.
Altura verdadeira = aap + 15.4' = 61°58,8'

1.6) A Latitude na Passagem Meridiana calculada pelo Capitão foi:
( a ) 18° 08,7’ S
( b ) 18° 01,2’ S
( c ) 18° 14,0’ S
( d ) 18° 11,7’ S
( e ) 17° 59,5’ S

SOLUÇÃO:
Conforme vimos no item 1.4 a latitude, nessa situação, será igual a distância zenital menos a declinação do Sol.
A distância zenital é igual a 90° - altura verdadeira.Então, dist.zenital = 90° - 61°58,8' = 28°01,2'
 Sendo assim, latitude meridiana = 28°01,2' - 9°47,2' = 18°14,0'S
 
Boa Sorte aos novos Capitães!
 
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QUESTÕES RESOLVIDAS DE PROVAS DE CAPITÃO AMADOR - RADAR

Publicado por Elson - Mucuripe em 20/04/2016 às 20h42

Dia 27/04 está se aproximando, e muitos devem estar estudando intensamente para a prova de Capitão Amador. Resolvi algumas questões de provas anteriores e compartilho com os Amigos do Mar para tentar ajudar de alguma forma. Bons estudos!

DO EXAME DE 22/10/2015 - QUESTÕES SOBRE MOVIMENTO RELATIVO (RADAR)

Enunciado da questão:

Um Capitão Amador navegando com seu iate numa área de declinação magnética 020°W, às 00:15 horas, detectou, com seu radar de bordo um alvo na marcação verdadeira 310° e distância de 06 milhas náuticas. Nesse momento, a velocidade do iate era de 6 nós e seu rumo magnético 285°. Às 00:21 horas, o mesmo alvo estava na marcação relativa 045° e distância 5,5 milhas, quando o Capitão resolveu guinar para o Rmg 330°, mantendo a velocidade. Com base na situação descrita, faça as cinco questões que se seguem utilizando a Rosa de Manobra.

Comentário:

Antes de respondermos as questões, teremos que montar os vetores na rosa de manobra. Inicialmente, traçaremos o vetor "tr", referente ao iate do Capitão com os dados do rumo (converter para verdadeiro) e velocidade. Para isso, podemos utilizar a escala 1:1. Em seguida, plotaremos as posições relativas do alvo nos horários informados conforme marcações e distâncias fornecidas, lembrando também de converter as marcações para verdadeiras.Unindo as duas posições, encontraremos a DMR (Direção do Movimento Relativo) e, podemos concluir que o alvo está numa marcação constante e distância diminuindo, o que representa um risco de colisão.

Rumo Verdadeiro do Iate = 265°. A segunda marcação do alvo foi de 045° relativos, que corresponde a 310° verdadeira, ou seja, igual à primeira marcação.

 

 

O próximo passo é traçar o vetor "rm" do movimento relativo, com os dados da DMR e da VMR. A VMR pode ser calculada levando em conta a distância percorrida no intervalo de tempo entre as duas posições relativas do alvo (M1 e M2), ou seja, o alvo percorreu 0,5 milhas náuticas em 06 minutos, o que equivale a uma velocidade de 05 nós (VMR). O vetor do movimento relativo sempre se inicia na extremidade do vetor do barco de referência, nesse caso, o iate.

Após traçar o vetor do movimento relativo fica fácil descobrir o rumo verdadeiro e velocidade aproximados do alvo, basta traçar um vetor saindo de t para m, e encontraremos rumo = 210° e velocidade = 4,4 nós.

 

Em seguida, após o iate guinou para 310° verdadeiros, com velocidade de 06 nós. Então, veremos que ele guinou exatamente coincidindo seu rumo com a linha da DMR inicial no sentido oposto, teríamos então um novo vetor na mesma linha das marcações iniciais do alvo. E, para encontrarmos a nova DMR, como já temos o vetor do rumo verdadeiro e velocidade do alvo (tm), basta ligarmos a extremidade do novo vetor tr à extremidade do vetor tm, obtendo 162°.

 

Com isso, teremos as respostas para as 05 questões:

2.1) Em relação ao iate do Capitão, o alvo antes da guinada:

resposta correta - estaria em rumo de colisão.

2.2) Quanto à guinada podemos dizer que:

 resposta correta - Era necessária, pois o rumo era de colisão e o Capitão estava avistando a luz de bombordo encarnada do alvo.

2.3) Após o Capitão ter guinado, a direção do novo movimento relativo (DMR), considerando que o alvo não alterou seu rumo nem velocidade será:

 resposta correta - 162°

2.4) Qual o rumo verdadeiro e velocidade aproximados do alvo?

 resposta correta - 210° com 4,4 nós

2.5) Logo após a guinada, as luzes de navegação que o Capitão veria do alvo seriam:

 resposta correta - uma luz branca e outra encarnada.

 

Boa sorte e Bons Ventos aos novos Capitães!

 

 

Categoria: Estudos de Capitão
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Entrevistando o #SAL

Publicado por Elson - Mucuripe em 28/03/2016 às 21h00

No mundo náutico encontramos pessoas iluminadas, e assim vamos ficando cada vez mais encantados com esse universo paralelo ao nosso cotidiano, onde pessoas especiais estão ali para compartilhar impressões e momentos de uma vida forjada no Sal do Mar.

Adriano Plotzki é uma dessas pessoas. Quem nunca ouviu falar do #SAL?!

Tive essa grande honra de poder entrevistá-lo e conhecer um pouco mais de tudo o que o #SAL vem proporcionando de bom a todos que admiram as coisas do Mar.

Adriano e seu veleiro Brutus, com a parceria primordial de Aline Sena, nos presenteiam com belíssimos filmes sobre a vida de quem tem o Sal correndo nas veias.

Obrigado #SAL!

 

Quando o #SAL surgiu, muitas pessoas nem sabiam ao certo o que é uma hashtag. Você escolheu esse termo pensando nessa inovação?

Antes de escolher o canal pensei em várias outras idéias e esta parecia a mais simples e elegante. Queria fazer um canal que mostrasse o mundo da vela como ele realmente é, mas de uma forma que pessoas fora do mundo náutico se interessassem também. Por isso fugi um pouco da estética já estabelecida usando muitos termos náuticos e de símbolos que hoje nem usamos mais, como uma âncora de almirantado por exemplo, nunca vi alguém usando uma, não faz parte do que se vive hoje na vela. Dentro deste espírito a palavra Sal identifica o mar imediatamente e o “hashtag” liga o programa a vida das pessoas que utilizam as redes sociais todos os dias. É um programa que fala sobre simplicidade, a vida no mar que realmente vejo, mas não nega o presente.

Qual o objetivo do #SAL?

Tenho muitos objetivos com o #SAL, mas não vou conseguir te responder um principal. Acho que é como muitos começam uma grande viagem à vela, sem saber se vai dar a volta ao mundo ou não. O que sei de fato é que é algo que gostaria de fazer a vida inteira. Não sei se vou ter energia, dinheiro, apoio ou assunto para tudo isso (risos), mas gostaria. Incentivar a cultura náutica no Brasil, dar visibilidade a quem mora no mar (velejadores e não velejadores) e trazer mais adeptos à vela, certamente são pontos importantes. Um objetivo mais próximo é conseguir me dedicar a isso em tempo integral. Já somos o maior canal de náutica do Brasil no Youtube, temos 7.000 assinantes e mais de 45.000 views por mês, que dão mais de 390.000 minutos assistidos a cada mês. Mais importante que isso, temos uma conexão muito sincera com o público. Acredito que esta conexão vem da sinceridade do programa, sem criar um universo mais lindo do que a realidade, como na publicidade e em boa parte dos programas de TV.

Como é elaborada a pauta do #SAL? Há uma lista de futuras produções?

Eu tenho um software com uma carta náutica da América do Sul no meu computador, cada vez que alguém me dá uma dica bacana de pauta eu coloco lá na posição em que o entrevistado se encontra. Quando já sei a data que eu vou sair para gravar, entro em contato com os entrevistados e vejo se é possível. Por este motivo tenho um grande número de pessoas que gostaria de entrevistar, mas a agenda não bate, o que é uma pena! Mas estão todos na “listinha” do #SAL.  Um outro fator que limita um pouco, mas que na minha opinião é muito importante, é o fato de só irmos navegando até os nossos entrevistados. Nos outros quadros como dicas, até podemos pegar um avião uma vez ou outra, mas não no quadro principal. Para mim isto é o que torna o #SAL algo diferente de um programa só de entrevistas, além de ser uma bela desculpa para velejar mais.

O #SAL conta com algum patrocínio ou parcerias?

Sim, tivemos importantes parcerias! A Copel patrocinou a apresentação do programa na TV Educativa do Paraná nos sábados ao meio dia e a Santosha, loja de artigos náuticos, apoiou vários episódios do programa. Quando caiu um raio no Brutus tivemos a melhor parceria que poderia imaginar, dezenas de pessoas contribuíram para colocarmos o Brutus Navegando novamente. Foi um carinho muito grande que recebemos mostrou o quanto é importante o que fazemos. Deu um grande impulso para continuarmos.

Quais os serviços e produtos oferecidos pelo #SAL além dos filmes?

Temos a loja do #SAL, onde vendemos produtos com a marca, charters e cursos de parceiros e livros; produzimos conteúdos patrocinados como um concurso realizado com a Wind Charter e estamos sempre procurando novas parcerias que possam ser boas para quem a acompanha o programa. Muito mais está por vir.

Qual sua atividade profissional? Como consegue conciliar com o #SAL?

Eu tenho uma produtora de filmes publicitários e corporativos, chamada AiÁ Produtora. Fazemos muitos lançamentos de carros, conteúdos de marcas para o YouTube e treinamentos para empresas. Tenho conseguido conciliar bem, especialmente por que tenho a ajuda da Aline Sena, minha sócia nos negócios e na vida, que também trabalha neste ramo há muitos anos, na verdade antes de eu começar. Conheci a Aline quando trabalhava no SBT. Ela editava os programas do Silvio Santos e eu gravava o Lombardi, entre outras coisas.

Como o velejador Adriano Plotzki consegue conciliar a produção de filmes com as velejadas?

O #SAL é a melhor forma de conciliação possível. Às vezes me sinto até culpado, parece bom demais pra ser verdade!!!… Ou pelo menos vai ser (risos).  Na produção de filmes há muitos momentos em que você não consegue dormir, de tanto trabalho, e outros em que não há nada acontecendo. Apesar de ser bastante cansativo essa falta de rotina ajuda a ter tempo para velejar.

Qual sua formação náutica? Como entrou para o mundo da vela?

Eu me interessei pelo tema quando nadava com a Aline entre veleiros lá no Abraão e vi uma família fazendo churrasco em um. Comecei porque queria fazer churrasco no mar (risos)! Logo depois conheci o Paulo Pêra, que virou um grande amigo. Ele me ensinou quase tudo que aprendi na vela. O primeiro barco que comprei foi um Flash 165, que deixava na Guarapiranga, mas no verão levava a Paraty. Cheguei a ir até o Abraão com ele, o que era bem divertido, mas notei que seria melhor comprar um barco maior.

Você já morou a bordo ou tem planos de morar?

Pretendo sim! Estou preparando o terreno. Tenho ainda algumas coisas para resolver. Não saberia te dizer quando vai acontecer ao certo, mas eu e a Aline já temos isso em vista.

Você já pensou em mudar o nome de seu veleiro para #SAL?

Já pensei sim, mas por enquanto acho que é legal o barco ter personalidade própria. Também não gosto de trocar o nome do barco, só pensaria mais seriamente se comprasse um barco novo, como foi com o Flash 165, que batizei de Sputnik. Não sou supersticioso, é que há muitas vantagens em manter o nome do barco. Uma vez um cara me falou: “Eu ja velejei no teu barco, conhecia o dono…” Isso é muito legal! Ficamos um bom tempo conversando. Um barco deve ter sua própria história.

Quais os planos de futuro para o #SAL?

Dos trabalhos que fiz na vida, o #SAL é o que parece ter mais sentido até hoje. Quero seguir fazendo ele e ajustando as velas conforme o vento, escolhendo o próximo porto a cada janela de tempo que se abre.

Valeu, Adriano, Aline e Brutus! Bons Ventos e muito #SAL!

 

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Categoria: viver a bordo
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As Velas do Mucuripe ainda saem para pescar

Publicado por Elson - Mucuripe em 23/03/2016 às 07h18

"As Velas do Mucuripe vão sair para pescar...". Essa canção eternizada por Fagner me encanta desde menino, pois admiro os Mestres Jangadeiros do Mucuripe desde cedo. E, por esses motivos, dei nome a meu barco e meu apelido náutico.

Fiz uma viagem há pouco pelo litoral do Ceará e Rio Grande do Norte com a intenção de estar novamente junto aos Mestres Jangadeiros e aprender um pouco mais de suas sabedorias. E, como não podia deixar de ser, minha primeira parada foi na beira-mar, mais precisamente no ponto de concentração dos Jangadeiros do Mucuripe. Assim que cheguei ao Hotel, nem mesmo subi ao quarto, fui direto ao encontro dos Mestres e por lá fiquei proseando com um e com outro, admirando as Jangadas, a Praia de Mucuripe eternizada na belíssima canção de Fagner e Belchior. O Mestre Nego me convidou para embarcar no outro dia em sua Jangada, mas eu tinha que seguir de manhã bem cedo para Jericoacoara, já estava tudo programado.

Conheci o seu Audir, velho Jangadeiro do Mucuripe, acabara de comprar sua quinta jangada e estava começando a reforma. Sua vida inteira foi ali com suas jangadas e sua pesca. Conversamos sobre sua forma de navegar para longe do continente sem uso de GPS ou qualquer instrumento de navegação. Me contou que ao sair pro Mar vai observando os pontos de referência na costa, a praia, os prédios altos da beira-mar que vão sumindo, os morros, tudo some até estar rodeado somente pelas águas do Mar. E, continua mais algumas milhas até chegar num local com umas 100 braças de profundidade (01 braça = 1.83m), é ali o pesqueiro. E para voltar? O Mestre contou que volta pelos caminhos do Mar até começar a enxergar os primeiros picos dos morros, depois os prédios aparecem, e pronto. Assim foi por toda vida.

Diante disso tudo, me senti novamente aquele menino franzino, sem conhecimento algum do mundo, encantado observando as Jangadas sumindo longe como se jamais fossem voltar.

Primeira gravação de Fagner - 1973

 

 

Categoria: coisas do Mar
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