Blog Velas do Mucuripe

Cálculo de Navegação pelo Sol na REFENO 2016

Publicado por Capitão Mucuripe em 08/11/2017 às 12h46

Uma reta de altura é uma linha de posição astronômica. Com apenas uma reta não podemos determinar uma posição, mas saberemos que a posição do barco se encontra em qualquer ponto dessa reta. No caso do Sol, utilizamos o transporte de retas para podermos estabelecer uma posição astronômica, ou seja, uma posição determinada pelo cruzamento de retas. Mais adiante veremos em outro texto um exemplo de como fazer esse transporte de retas. No exemplo abaixo, veremos como determinar uma reta de altura do Sol. Esta reta de altura foi tirada logo no início da REFENO 2016, a mais ou menos 10 milhas da costa.

Assista aos vídeos no final do post!

Bons Ventos!

DATA 24/09/2016      HMG 17:30:32

LAT estimada     =     7°44' S LONG estimada = 034°39' W

No Almanaque buscar os valores de AHG e declinação para 17:00

AHG  =  77°03' DEC   =  0°49.3'S

Valores corrigidos para 17:30:32 =>  AHG = 84°41’            DEC = 0°49.8'S
Calcular o AHL e o t1. Nesse cálculo o valor da long estimada será arredondado para que se obtenha um AHL com valor inteiro.

AHG – LONG W = AHL

84°41' – 34°41' = 50°    LONG ASSUMIDA = 034°41'W

AHL 50° 


O t1 (ângulo no pólo) é calculado da seguinte forma:
Se AHL < 180°,  t1 = AHL (astro está a oeste do meridiano local)
Se AHL > 180°,  t1 = 360° - AHL (astro está a leste do meridiano local)

Então, t1 = 50° W
Para entrar na tábua Pub249vol2, temos:

LAT ASSUMIDA  8° S

DEC 0° S                         SAME NAME

AHL 50°

Incremento da dec = 49.8’ (este valor será utilizado mais adiante na TABLE 5, para correção do valor da altura tabulada)

O valor da latitude estimada foi arredondado para o valor inteiro mais próximo para entrar na tábua. Nesse caso, onde a lat assumida e dec têm o mesmo nome (sul), iremos na pág SAME NAME correspondente à lat 8° S, e interpolando o valor do AHL com a DEC encontraremos:
 HC 39°32     d 10'     Z 97°

OBS: O valor de Z encontrado na pub249vol2 pode ser interpolado a olho para chegarmos a um valor mais preciso em função do valor completo da declinação, que nesse caso é de 0°49.8’S. Na pub249 verifica-se que o valor de Z para a dec de 0° é de 97° e, para a dec de 1° no mesmo AHL, Z = 95°. Daí, conclui-se que para uma dec de 0°49.8’ teremos Z = 96°

interpolando d x incremento da dec na table5, temos 10' <=> 49.8’ = 8'  

soma-se esse valor ao HC para obter a altura estimada:

HC + 8' = ALT EST

39°32' + 8' = 39°40'

O próximo passo é calcular a altura verdadeira no momento da observação. Sabendo que o ei (erro instrumental do sextante) = 0', altura do olho = 3m. Para altura do olho = 3m, temos o valor de depressão = 3’

Altura com o sextante = 39°33’

ei = 0'

ai= 39°33’

ao = ai + ei = 39°33’

aap  = ao – dep = 39°30'

av = aap + corr = 39°45'

Com isso, vamos calcular a diferença entre altura verdadeira e altura estimada:

DIF AV-ALT EST = 5'

O último passo é calcular o azimute verdadeiro. Para tanto, deve-se antes verificar as características do ângulo zenital. Z é leste ou oeste de acordo com o valor do t1.

Deve-se levar em conta o pólo elevado (hemisfério onde se encontra o observador):

Hemisfério norte - Se Z é leste, AZ = Z

                               Se Z é oeste, AZ = 360-Z 

Hemisfério Sul    -  Se Z é leste, AZ = 180-Z

                               Se Z é oeste, AZ = 180+Z 

Nesse caso, teremos Z = S50°W, onde S é o pólo elevado e W refere-se ao t1.

AZ = 180 + Z = 276°

Teremos os elementos determinativos para o traçado da reta da tarde:

Lat. Ass                                  8° S

Long. Ass                               034°41’ W

Dif entre as alturas av e ae    5’

AZ                                            276°

 

Assista nos vídeos as explicações detalhadas e saiba como plotar uma reta de altura na carta náutica ou na folha N7:

VÍDEO 01

VÍDEO 02

VÍDEO 03

Ilustração retirada do livro Navegação: A Ciência e a Arte, vol.02, do cmte Altineu Miguens

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Categoria: Estudos de Capitão
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Como realizar a prova para Capitão Amador

Publicado por Elson - Mucuripe em 23/10/2017 às 22h29

Dia 26/10 está chegando e muitos amigos navegantes estão ansiosos com esta data, pois irão prestar o exame para Capitão Amador, a habilitação máxima que um navegador de embarcações de lazer pode obter no Brasil, que lhe permite navegar sem fronteiras pelo Mundo afora. Só mesmo alguns oficiais da Marinha e aquaviários do último nível possuem equivalência com um Capitão Amador no que se refere à navegação oceânica. Daí o desejo de muitos navegantes obterem essa importante habilitação.

O exame para Capitão Amador requer uma boa dedicação aos estudos sobre Meteorologia e Oceanografia, Comunicação Marítima, Navegação Eletrônica, Navegação Astronômica, Estabilidade de embarcações, Conhecimento de Sobrevivência no Mar. Dentre essas matérias as questões que requerem maior conhecimento de cálculos são a Navegação Astronômica e questões de movimento relativo com o uso da Rosa de Manobra.

Para obter aprovação o candidato tem que obter no mínimo a média de 50% de acerto das 40 questões da prova. Dessas 40 questões, pelo menos de 10 a 12 questões são referentes à Navegação Astronômica e cálculos com o uso da Rosa de Manobra. Sendo assim, considero de muito bom proveito que o candidato inicie a prova por essas questões, pois as outras questões serão mais tranquilas por não exigirem cálculos.

Nas últimas semanas tenho gravado alguns vídeos e corrigido algumas questões de provas anteriores a pedido de amigos, alunos e amigos virtuais que irão prestar o exame no dia 26/10. Espero que possa ajudar a todos! Também tenho publicado aqui neste blog textos com questões resolvidas. Então, para os que estão na reta final dos estudos deixo minha contribuição e desejo a todos um excelente exame, e que façam uma boa navegada para comemorar!

Para assistir aos vídeos sobre Passagem Meridiana do Sol CLIQUE AQUI

Para assistir aos vídeos sobre o uso da Rosa de Manobra CLIQUE AQUI

Link para as provas anteriores e questões resolvidas neste blog CLIQUE AQUI

 

E quando estiver com sua habilitação em mãos tenha orgulho de usar a insígnia de Capitão Amador!

 

 

Categoria: Estudos de Capitão
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Navegação Astronômica versus GPS

Publicado por Elson - Mucuripe em 02/09/2017 às 10h50

A Navegação Astronômica surgiu da necessidade de nossos antepassados Navegantes poderem cruzar os oceanos com uma maior precisão em relação à sua localização geográfica. No início, a resolução do que chamamos de Triângulo de Posição ou Triângulo Astronômico, que corresponde a um triângulo esférico compreendendo a posição geográfica estimada do navegante, o pólo equivalente ao hemisfério em que se encontra (conhecido como pólo elevado) e a posição do Astro quanto às suas coordenadas horárias, era feita através de cálculos complexos de trigonometria esférica. Em seguida, foram surgindo as tábuas astronômicas, que simplificam os cálculos para resolução do triângulo de posição, obtendo uma linha de posição astronômica.

Diante de toda essa complexidade, o navegante de hoje se pergunta: Pra quê eu vou querer aprender navegação astronômica se tenho o GPS?

As respostas podem ser várias. Muitos já têm a resposta pronta em função de apenas levarem em conta a necessidade de usar ou não a Navegação Astronômica a bordo de um veleiro, ou seja, estou me referindo aos velejadores de cruzeiro. Se estendermos a pergunta aos oficiais de Marinha, com certeza serão a favor do aprendizado da Navegação Astronômica por questões de segurança, visto que o controle do sistema GPS está na mão de poucos.

O sistema GPS é fantástico e de fácil uso, e com o avanço tecnológico na área de softwares de navegação, temos hoje a facilidade de utilizar vários aplicativos de auxílio à navegação integrados com o sistema GPS, bem como vários modelos de equipamentos de GPS náutico, o que faz com que realmente a Navegação Astronômica caia no esquecimento, e que muitos nem sequer pensem em conhecer um pouco do assunto.

Grande parte dos velejadores de cruzeiro navega apenas em águas costeiras, o que descarta por completo a necessidade de conhecer a Navegação Astronômica, cujo uso se aplica à navegação oceânica, principalmente em travessias de um continente a outro.

Sempre que possível utilizo meu sextante tanto navegando aqui no Mar de Brasília quanto nas navegadas no Mar do Brasil, simplesmente pelo fato de admirar muito essa forma de auxílio à navegação, por me sentir mais próximo do espírito dos grandes navegantes de outrora, por estar mais conectado com nosso pequeno universo dentro de nossa Esfera Celeste, interagindo com nossos astros, observando o caminho diurno de cada um, percebendo as estações do ano de uma outra forma. De forma alguma abro mão da navegação eletrônica, principalmente porque a Navegação Astronômica tem seu uso específico na navegação oceânica, bem ao largo da costa. Mas, o simples fato de fazer o exercício da Navegação Astronômica com todos seus cálculos possíveis me traz um grande sentimento de liberdade!

Tanto a Navegação Astronômica quanto o sistema GPS são auxílios à navegação, permitindo ao navegante ajustar seu rumo e navegar com segurança. Nenhuma forma desmerece a outra, e todo conhecimento enriquece mais ainda o espírito do Navegador. Então, fica a pergunta para reflexão: Mesmo que eu tivesse a certeza de que nunca ficaria sem o auxílio do GPS, por que motivo deveria descartar o estudo secular da Navegação Astronômica?

Conheça nossos vídeos de Navegação Astronômica:http://velas-do-mucuripe.sitepx.com/videos-de-navegacao-astronomica.html

 

Ilustração retirada do livro Navegação: A Ciência e a Arte, do cmte Altineu Miguens.

Bons Ventos!

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A Espetacular Volta ao Mundo do Veleiro Petit Prince

Publicado por Elson Mucuripe em 01/07/2017 às 12h46

Paulo Vinícius, Velejador Brasileiro. Esse é um navegador com muita história para contar! A bordo de seu Veleiro Petit Prince, um Fast 345, está fazendo uma circunavegação espetacular, ora em solitário, ora recebendo tripulantes com ou sem experiência para vivenciarem essa magnífica aventura a bordo.

Há poucos dias a amiga velejadora Marina Bruschi me ligou dizendo que o Paulo estaria vindo ao Brasil, com passagem por Brasília, e que nos presentearia com um bom bate-papo sobre esta volta pelo mundo. Então, através da ABVC DF e da FNB, com o apoio do Clube da Aeronáutica, estamos organizando para o dia 10/08/2017 uma palestra com o Paulo Vinícius para conhecermos detalhes dessa circunavegação como: Escolha da rota, preparação para a viagem, preparação da embarcação, documentação para partida, alimentação, equipamentos de navegação, estudo meteorológico, situações vividas durante a viagem.

Para já irmos conhecendo um pouco sobre esta aventura e seu comandante, tivemos um bate-papo descontraído com o Paulo, onde Ele nos conta boas histórias. Dá até vontade de largar as amarras e se mandar por aí!

 

Quando e como surgiu a idéia de fazer a circunavegação?

Sonho de infância, conhecer o mundo inteiro a bordo de um navio, um barco. Desde leituras de Robson Crusoé do Daniel Defoe, sempre quis ter maiores contatos com outras culturas e morar fora do Brasil.

Papai não tinha dinheiro para nos comprar carrinhos de ferro, o que todos os coleguinhas de escola possuíam e eu ficava morrendo de inveja. Aos onze, papai nos aparece com um mini veleiro oceânico, o super bom Atoll 22. Baita brinquedão, muito melhor que carrinhos de ferro. Paixão instantânea, veleiros e vida no mar. Já naquela época vi gente falando que queria dar a volta ao mundo em um Atoll 22.

Desde aquele primeiro contato com o mundo da navegação, iniciei e continuei a vida toda lendo sobre pessoas cruzando oceanos, velejando ao redor do mundo. Aos 45 anos de idade, resolvi que aos 50 anos iria sim velejar por todo planeta, sem data para voltar. Preparei o barco e as finanças para poder partir enfim, em 2014.

Como foi a escolha da rota a ser navegada?

A ida à Patagônia se deu porque tinha ido com o Petit Prince, barco que é nosso desde zero, por dois verões consecutivos de Angra para Búzios, ao encontro da mana caçula e seus lindos rebentos. Crianças com menos de três anos.

Em 2012 esta mana reservou um hotel em Gramado para passar o Natal de 2014. Reunião gigante de toda nossa família. Pessoal de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Decidi então que iria naquele verão para Porto Alegre com o Petit Prince. Tenho tantos amigos velejadores no sul, mais a família gaúcha, por que não? Os primos gaúchos, desde adolescentes, sempre amaram navegar conosco.

E já que iria até Porto Alegre, por que não dar uma esticada até a Patagônia?  Sonho chegar lá com o nosso bravo barco. Resolvi então ir até Península Valdes, lugar que conheço desde quando tinha 20 anos de idade. Esta saída de Angra dos Reis para a Patagônia, em dois de dezembro de 2014, foi o início da circunavegação.

Após a nossa volta para Angra, a nova saída, final de julho de 2015, já tinha como destino, Tronso na Noruega. Ou seja, nossa ideia sempre foi cruzar do Atlântico para Europa por primeiro e conhecer de perto os povos dos países mais frios. Conhecemos um pessoal daquele extremo norte escandinavo, velejaram no Petit Prince em fevereiro de 2011, de Paraty para Ilha Grande. Norueguesas. Essas pessoas são as quais conheço que mais perto moram do Pólo Norte.  Resolvi então que um dia ia visitá-las em sua cidade.

Sou totalmente fascinado por aquelas regiões. Por tudo que li das aventuras dos primeiros aventureiros que foram "descobrindo" aquelas terras e mares. Navegadores, exploradores polares, tais como Fitz Roy, Cook, Bouganville, Bhering, Bird, Amundsen, Schakleton e tantos outros.

Resolvi que a volta ao mundo não seria a convencional pelos trópicos, mas sim por lugares que tenho gigantesca curiosidade em conhecer. Ter contato com a cultura dos povos que vivem nos mais duros invernos do planeta. Chegar navegando com nosso Petit Prince, e uma bicicleta, nas altas latitudes, à terra deles.

Existe um cronograma previamente definido para toda a rota a ser navegada com as datas prováveis de saída e chegada nos pontos principais?

Sim, existe um cronograma mais detalhado para os próximos 12 meses e estações do ano para os próximos trechos. Pretendemos navegar 43 mil milhas.

Nossos planos são sair para Cuba após o feriado americano de quatro de julho.

 

Quem são os tripulantes?

Variam de trecho para trecho. Poucas vezes navego em solitário. Talvez somente alguns trechos mais duros, ou quando tenho que ir para não perder a estação do ano, ou algum compromisso. Tais como encontrar alguém em um porto. Na maioria das pernas velejamos com amigos, antigos ou novos.

Muitos amigos são colaboradores. Financiam a viagem através de aluguel do Petit Prince, por cruzeiros que programamos. Ida de um trecho a outro, estadia em Saint-Martin e região, Cuba e por ai vai...

Outras vezes conseguimos que os amigos colaborem participando de algum evento. Tais como a Semana de Vela de Ilhabela, a Regata Recife - Fernando de Noronha, ou a Conch Republic Cup que iremos fazer.

A Conch Republic Cup é uma semana de regata que entre Key West, na Florida e Cuba. Velejaremos para Varadero e Havana, e retornaremos a Key West. Esta semana de vela e de 26 de janeiro de 2018 a três de fevereiro.

http://conchrepubliccup.org/

https://www.facebook.com/ConchRepublicCup/

Quando pretende fazer a travessia do Atlântico Norte e qual será a rota dessa travessia?

O caminho então escolhido foi através do Canadá. Terra Nova para o sul da Groenlândia, com escala na Islândia e seguir para Noruega. Dependendo das condições do verão boreal de 2018, talvez com escalas nas Ilhas Faroe e Shetland, que ficam um pouco mais ao sul do grande destino, o norte norueguês. Se conseguirmos, tentaremos sair direto da Islândia para Tronso.

Isto na temporada 2018. A navegação pelo norte do Pacifico dependera da nossa evolução na navegação pelo Mediterrâneo.

Caso possamos sim, cruzar o canal de Suez para o mar Vermelho e ir navegando até Cingapura, onde poderemos guinar novamente para as altas latitudes. Caso não encontremos a condição favorável no sul do mar Vermelho, como pirataria, teremos de circundar todo o continente africano.

Será feita alguma alteração estrutural no veleiro para esta navegada?

Planejamos reforçar a mastreação, mudando sua concepção original de sloop para cutter. Isto significa colocar um novo estai de proa, para suportar a vela trinqueta. Colocar dois estais volantes (runing's). Modificar o "back stay" de único para duplo. Na proa pretendemos colocar uma luva de aço inox. Não pretendemos navegar no gelo, porém, mesmo no verão, para onde iremos, existem sim alguns fragmentos de gelo.

E quanto aos custos envolvidos? Há patrocínio de empresas?

Os custos envolvidos estão sendo bancados da seguinte forma:

- poupança que fiz no Brasil antes de sair;

- trabalhos manuais que consigo fazer em países que remuneram com moeda mais forte, estilo Trinidad Tobago, onde trabalhei de pedreiro e muito pouco com manutenção de barcos;

- todos os trabalhos que envolvem manutenção de barcos, o que estou fazendo desde que cheguei aos Estados Unidos, no final de abril de 2017 até agora, final de junho;

- tripulantes que pagam estadias ou alugam o veleiro;

Não existem patrocínios.

Poderia nos contar um pouco sobre o trecho que já foi navegado desde dezembro de 2014?

Desde dezembro de 2014 já navegamos 9.730 milhas. Neste primeiro um quarto de volta ao mundo, os principais lugares já visitados foram:

- Península Valdes, no paralelo 42 S;

- Argentina entre Buenos Aires até a Península Valdes;

- Uruguai;

- Costa Sul do Brasil toda, incluindo duas idas a hiper querida Porto Alegre, tanto na ida, como na volta, onde o tradicional clube Veleiros do Sul foi nosso hiper anfitrião;

- A costa brasileira desde Angra dos Reis até o indescritível Delta do Parnaíba;

- Trinidad Tobago;

- Praticamente todas as ilhas de sota e barla vento do leste caribenho, entre Trinidad Tobago até Saint-Martin;

- Rapidamente as Ilhas Virgens Britânicas e Americanas;

- Passagem pela República Dominicana. Um mês em Cuba;

- Estamos em Key West, extremo sudoeste da Florida, Estados Unidos, desde o final de abril.

Saímos de Angra em dezembro. Escala em Itajaí, Rio Grande, onde embarcou o amigao Plinio Fasolo para nos conduzir pela Lagoas dos Patos ate seu clube, o tradicional Veleiros do Sul (VDS), em Porto Alegre. O VDS foi nosso grande anfitrião. Ficamos como seu convidado na ida para o sul até o dia 26 de dezembro/2014.

Nesta data zarpamos para Patagonia. Paramos em Tapes na lagoa dos Patos, e chegamos de volta a Rio Grande. De Rio Grande partimos para La Paloma, URUGUAI, nosso primeiro porto estrangeiro.

Neste porto passamos o ano novo. Seguimos então para Piriapolis e Montevideo, de porto do Buceo fomos para a ARGENTINA, em Puerto Madero, Yacht Club Argentina, por uma semana de cortesia. Seguimos para a baia de Nunes, onde ficamos em dois clubes por cerca de mais duas semanas.

De Nunes navegamos a jusante do Rio da Prata para La Plata, por cerca de 20 milhas. Lá ficamos em outro clube mais uma semana.

De La Plata fizemos uma excelente velejada para o sul, Mar Del Plata. Onde acredito que tenha ficado só dois ou três dias, porque tinha de aproveitar a janela de tempo para ir para a Península Valdes.

Mesmo eu tendo me programado dois anos antes que iria até a Península Valdes, o tempo todo, no caminho, via as alternativas. Caso as condições meteorológicas não favorecessem, abortaria a missão. Regressaria. Tava com muito medo mesmo.

De Mar Del Plata para a Península Valdes fiz em solitário. Todos os que eu tinha convidado para este trecho, por um motivo ou outro, não puderam se juntar a mim. Três dias espetaculares indo para o Sul. O grande companheiro desta viagem foi o senhor Medo. Visitas constantes de cardumes de golfinhos, cada dia aparecia um tipo diferente.

A chegada na Península Valdes foi muito tranqüila. Brisa de SW, dia de sol. Consegui parar o barco em uma praia isolada daquele fantástico lugar. Ficar apreciando de perto seus selvagens banhistas, irritadiços, agitados, medrosos leões marinhos, pacatos e dorminhocos adolescentes elefantes marinhos. Isto era final de janeiro, inicio de fevereiro de 2015.

Desta praia, na costa sul da península, entramos no final do dia dentro do Golfo Nuevo, em uma velejada memorável. Vento bom, mar liso, por do Sol espetacular. Jogamos ferro nas praias em frente Puerto Madryn. Gigante foi a  felicidade de ter conseguido chegar ali, sozinho. Quando a âncora unhou nas areias do fundo do Golfo Nuevo, parte de um sonho acabava de ser realizado.

Um par de semanas em Puerto Madry, outra semana em Puerto Pirâmides. Em Puerto Madryn foi o maior susto de toda a viagem, 60 nós de vento ancorado, em uma congelante noite. Ondas curtas, cavadas e rápidas. O barco pulava muito. Não tinha coragem de ir a proa verificar a corrente e o cabo da segunda ancora. Tal medo paralisante de cair n’água. Lembro de ter colocado três casacos de tempo, um sobre o outro. Duas calcas, mais a calca de tempo. Duas meias  e bota de borracha, gorro. Mesmo assim morria de frio. A grande preocupação eram as ancoras garrarem e o barco ser arrastado para o monumental pier de navios, com mais de 20 metros de altura, que estava a sota vento.

Foi um tormento aquelas horas da tempestade. Era sábado de carnaval de 2015. Uma hora pensei, “o Brasil inteiro se embriagando, pulando carnaval no maior calor, e eu aqui, quase pulando no bloco dos pingüins naufragados! Kekitofazendoaki pelamordideus??!!???”

Porem, sério, este stress leva a um cansaço físico. Acabei dormindo. As ancoras e as amarras aguentaram bem. Sendo que a danfort, de 15 quilos, envergou sua haste.

De Madryn naveguei 40 milhas para o outro lado do Golfo, Puerto Pirâmides.

Puerto Pirâmides é o pequeno povoado dentro do parque que é a Península Valdes. Lá a bandeira brasileira foi nosso grande cartão de visita. Chegamos em uma sexta feira linda, verão já adiantado, meio que final de estação. A amplitude de maré dentro do Golfo Nuevo atinge 4 metros. Então tivemos que ancorar bem longe da praia. O motor de popa do botinho não estava nada confiável.

Com o movimento de barcos que vi em volta, pedi carona para uma lancha inflável bem grande. Isto com a bicicleta pronta para desembarcar. O casal que me deu carona, de pronto me ofereceram um quarto no hotel deles. Porque tinham um amigo, local também, que ama o Brasil. Convidaram-me para jantar o salmão branco que tinham pescado e conhecer seus amigos lá de Pirâmides.

Assim fui fazendo amizade com estes argentinos que exploram turismo em um lugar que considero incrível, a Península Valdes. Lá, o forte é a estação das baleias, de junho a dezembro. Muitos barcos para avistar os gigantes cetáceos de perto.

Em Pirâmides, naquela noite de sexta feira, terminou os últimos goles da cachaça Gabriela, Tinha trazido três garrafões de 5 litros. Bom grogue de Paraty para fazer novos relacionamentos. Cachaça, melado de cana, cravo e canela. Memorável festa naquela sexta. Dizem que nunca fiz amigos oferecendo leite. Dizem!

O casal fez questão que eu ficasse no hotel deles a semana toda.

De Pirâmides começou o regresso. Uma bela francesa e um novo camarada italiano embarcaram conosco para o Norte. A previsão era pegarmos 40 nós de proa, nordeste que iria ser por um curto período, e depois passar. A saída do Golfo Nuevo é pelo sul. Então, aquele nordestão favorecia, mar plano e vento favorável, na saída sul, e depois través fora da boca do Golfo.

Chegamos na boca do Golfo por volta da meia noite. Caso não quisesse mar, tinha que navegar bem grudado a costa, na direção leste. Cansado como estava, dormi um pouco, para isto, coloquei o rumo no piloto automático um pouco mais para fora.

Quando amanheceu, estávamos 10 milhas longe da costa. Com o nordeste de 40 nós, o mar já tinha virado um inferno, com ondas fortes e aquele mar de proa, então eu reduzi ao máximo e entrei na capa, esperando aquela ventania acabar, conforme tinha visto na previsão.

Dito e feito, por volta do meio dia já tava tudo calmo. Tivemos uma baixa, o italiano queria me matar! A francesa aguentou firme, ela e o Petit Prince. Gozado como nestas horas parece que o Petit Prince fica tirando uma comigo. Meio que perguntando, ta com medinho, ta??? E ele diz para mim, eu não, seu bundão! kkkkkk. Sério, o barco é muito mais forte e valente que eu.

A previsão era para os próximos dias entrar novos nordestes. Então fomos para a alternativa San Blás, um estuário antes de Mar Del Plata. Lá, o amigão italiano se pirulitou de carona em um caminhão de levar pescado, para baia Blanca. Fiquei com a francesa em um hotel, por uns três dias, esperando a janela de tempo para podermos ir para Mar Del Plata.

Em Mar Del Plata entrou mais um amigo que tinha conhecido em Ilha Grande, ele foi conosco direto para Montevidéu. Na capital uruguaia, saiu a francesa e entrou um casal de italianos. Com os italianos fizemos Buceo, porto do Yacht Club Uruguaio para Punta Del Leste, La Paloma, Rio Grande, Porto Alegre, Rio Grande, Imbituba e Florianópolis.

Em Florianópolis reencontrei o grande amigo, e apoiador desta circunavegação, o Comandante, Físico, Professor, velejador do tradicional Veleiros do Sul, de Porto Alegre, amigo Plínio Fasolo. Conforme ja citado acima, Plínio já tinha vindo a bordo quando, na qualidade de nosso prático, nos conduziu de Rio Grande a Porto Alegre na primeira vez. Plinio, Cicerto Hartmam, Eduardo Ribas e toda a galera do Veleiros do Sul foram hiper parceiros conosco.

Plinio comentou algo como, que ele, em seus 50 anos que navega no rio Guaiba, sempre ve no veroes, ao menou um, ou mais barcos saindo de Porto Alegre para Angra dos Reis. Vir um barco de Angra para Porto Alegre, para passar o verao no sul, era primeira vez que via acontecer.

Com seu barco, o Feitiço, um exclusivo Delta 32 Pilot House, navegamos lado a lado de Florianópolis até o Caixadaço, em Porto Belo. Com direito a resgatarmos uma canoa virada em uma praia de Floripa.

A programação era estar em Itajaí em abril de 2015, junto com a Volvo Ocean Race. Consegui trabalhar no time Turco-americano Alvi Medica, como "shore crew".

Terminada festa da Volvo, navegamos para São Francisco do Sul. Ficamos no Museu do Mar e fui hiper bem recebido pela nova amiga Marina Bruschi. Plínio e seu muito bom Feitiço chegaram logo depois.

De São Francisco do Sul saí com uma amiga mexicana para Ilhabela, 40 milhas antes da lage de Santos, na madrugada, o eixo do hélice quebrou, 7 horas da noite, de um domingo, estávamos encalhados, com genaker içada, sem vento, no canal de acesso do Clube Internacional de Regatas – CIR, na Poca Farinha, Guarujá. Lá consertamos o eixo e fizemos pintura de fundo.

Destaque para a muito boa hospitalidade do CIR. Bom serviço dos estaleiros do Guarujá, e o auxilio dos pescadores da Poca Farinha.

Do Guarujá em solitário para Ilhabela. Dois dias por lá.

Cheguei a Paraty e encontrei o amigo Plínio Fasolo com seu Feitiço. Fomos para Angra e ele ficou um curto período no nosso clube, Angra dos Reis Marina Clube, ARMC.

No mês de junho tinha um compromisso, acredito que marcado com dois anos de antecedência, de receber a mana de Brasília e seus filhos, os pequenos de quatro e seis anos. Passamos o feriado de Corpus Christi na espetacular Ilha Grande, na muito agradável temperatura do ameno inverno fluminense.

Em julho participamos da famosa Semana de Vela de Ilhabela.  Vieram seis tripulantes. Novo reforço de caixa para o barco.

Final de julho despedida do ARMC.  Rumo a Tronso, Noruega. Sabia que ia dar a volta ao Mundo, porem sem muito planejar por onde ou quando.

Barco cheio de amigos. Argentinas, brasileira, argentino e uruguaio. Chegamos a Cabo Frio. Embarcou mais uma bela gata brasileira. Final de semana em Búzios.

De Búzios fui com um casal de amigos, ele argentino, ela uma gatinha mineira/italiana, para Vitoria, Abrolhos e Porto Seguro.

Em Porto Seguro embarca o amigão Gilson Prudente, que tem com base o Pontal do Sul, no Paraná. Navega muito a região de Paranaguá.

O Petit Prince estava nos flutuantes da Associao Nautica de Itajai, ANI, e o Gilson dia bateu no casco, me procurando. Fiquei meio surpreso. Disse que acompanhava as navegadas do Petit Prince pela redes sociais. Sabia que estavamos vindo da Patagonia e gostaria de me conhecer pessoalmente.  Virou um amigão instantaneamente. Junto com o Plínio, e outros velejadores, fizemos uma super festa no Itajaí StopOver, da Volvo Ocean Race.

Com Gilson fomos para Ilhéus, e seguimos para Barra Grande, no litoral baiano, em Camamu. Na Ilha do Sapinho conhecemos o casal do Andante, um Delta 36. Paula e Fernando e seu amado cãozinho Chopinho. Eles já tinham ido e voltado com seu veloz Andante ate Portugal. Quando nos encontramos em Barra Grande, Bahia, os dois veleiros estavam subindo a costa brasileira para a Refeno.

Continuamos Gilson e eu para Morro de São Paulo, onde ele desembarca.

Sigo solo para Salvador, e de lá para Aratu, outro lugar bem legal. Em Aratu embarca um camarada francês para fazer a perna para Recife. Isto já estamos em setembro de 2015.

Participamos da Refeno. Estávamos em cinco tripulantes. Em Fernando de Noronha conheço o hiper simpático e anfitrião casal Edna e Eder, do barco de aço Piata. Eles nos convidaram para irmos para sua casa em Barra do Cunhau, sul de Natal, ao lado da cidade de Baia Formosa, ainda no Rio Grande do Norte.

Saí de Fernando de Noronha para Natal na Fenat, em solitário. Por Natal algumas semanas, fomos junto com mais três barcos para Barra do Cunhau e para sermos recepcionados pelos amigos Edna e Eder.

Os barcos eram a Argos, outro Fast 345 do casal Mariana e Andre, o Andante, Delta 36 do casal Paula e Fernando e o Carapitanga, Aladin 30, do casal Viviane e Filipe. Chegou mais o Pura Vida, catamaram da família Artur, acho que quatro anos, Elaine e Peter, de Florianópolis;

Ficamos neste grupo por poucos meses na agradabilíssima Barra do Cunhau. O Andante de Paula e Fernando voltou para o sul, os outros três foram para o norte, para seguirem para o Caribe.

Fiquei sozinho por novembro e dezembro e passei Natal e ano novo lá em Barra do Cunhau. Em janeiro voltei solo para Natal. De lá, junto com um amigo potiguar, fomos para Galinhos, RN. Este amigo desembarcou e então embarcou um novo tripulante com o qual fomos até Jericoacoara, Ceara.

Em Jericoacoara ele desembarca e entra um grupo de três meninas e um camarada. Fomos nós cinco para Tutoia, Maranhão, e Ilhas Canárias, no Piauí. Este pessoal desembarca naquele paraíso.

Fico por um par de meses "hospedado" na comunidade do Morro do Meio, nas Ilhas das Canárias. Eita povo maravilhoso. Atividade principal daquele povo: catadores de caranguejo. Famílias muito bacanas.

Fiz amizades com eles, reformamos a chalana escolar, matamos dois bodes, algumas pescarias. Lugar bom demais!

Penso em me aposentar por lá, caso consiga sobreviver a todas as navegações que ainda me proponho até os 85 anos de idade.

No Delta do Parnaíba embarcou uma amiga Luiza Torquato.

Luiza tinha conhecido junto com o Gilson, quando paramos em Porto Seguro. Paulistana hiper do bem, garota nova. Nos vendeu uns “chot’s” doidos la em Arraial d’Ajuda no bar restaurante onde trabalhava.

Com Luiza fizemos direto Tutoia para Tobago em 14 dias. Tive que evitar entrar em Belém, e outros lugares devido ao medo de pirataria. Tinha ouvido alguns causos. E com uma menina a bordo, mais medo ainda.

Em Tobago chegamos por Charloteville, um encanto de lugar. Tobago é o grande resort deste rico país que é Trinidad Tobago. Eles têm petróleo. E uma antiga colônia do Reino Unido.

Em Tobago praticamente toda a população é descendente de africanos. Pense em um povo grande, são os tobaquenses. Lá trabalhei de pedreiro e Luiza de garçonete por 20 dias. Fez sucesso fazendo caipirinhas e distribuindo “fartos e belos sorrisos brasileiros”. Conseguiu boas gorgetas, que tinha de dividir com a hiper mal humorada colega no boteco lindo a beira de uma praia cartao postal caribenha.

Depois de ficar por dois meses em Tobago, rumamos para Chaguaramas, em Trinidad. Era já o inicio da temporada de furacões de 2016.

A Luiza conseguiu um barco para trabalhar, e foi com este barco para o norte caribenho. Fiquei de castigo por lá até novembro. Sem poder trabalhar em Trinidad. Chegou uma nova tripulante italiana. Com ela saímos dia 11 de dezembro, para ir subindo as ilhas caribenhas de sota e a barla vento até Saint-Martin.

Fizemos Granada, São Vicente e Granadinas, onde passamos o Natal e ano novo 2016/17.

De Bequia, nas Granadinas, seguimos para Santa Lucia, Martinica, Dominica, Guadalupe. De Guadalupe direto para Saint-Martin, onde iria receber uma amiga velejadora gaúcha. Com a gaúcha e mais dois amigos de Florianópolis, navegamos por Anguilla, Saint Barthelemy e Saint-Martina. Foram os meses de fev e mar de 2016.

Combinei com uma amiga, que conheci lá na Patagônia, de dançarmos salsa em Cuba. Consegui convencê-la a vir lá de Península Valdes para Havana. Tinha de pegá-la no último dia de março no aeroporto.

Saiu comigo de Saint Martin, Marigot, capital da parte francesa, uma nova amiga portuguesa, a Sonia Silva. Sonia já estava há uns meses velejando de carona, morando em fazendas orgânicas, trocando trabalho por teto e comida. Tranqüila e brava. Mais uma amizade formada. Com Sonia, fomos direto para Ilhas Virgens Britânicas. Chegamos à Virgem Gorda, espetacular, com Iates gigantes e muito veleiros. Tivemos a colher de chá do super resort Bitther End Yacht Club. “Iate Clube Amargo Fim”, em traducao livre.

De amargo nao tinha nada. E sim, como foi doce nosso inicio junto as virgens. Mesmo ela sendo uma a virgem mais fofa.  Serio, lugar super lindo, pessoas hiper educadas.

Da Virgem Gorda navegamos para Saint Thomás. Foi nossa entrada nos Estados Unidos. Esta ilha faz parte do arquipélago da Ilhas Virgens Americanas. De Saint Thomás para Puerto Rico e de Puerto Rico para Republica Dominicana, RD.

A parada na RD foi estratégica. Acabar de abastecer o barco de comidas legais para receber a amiga pinguina. Estava em uma baita dúvida se encontraria comida ou não em Cuba. Já tinha escutado coisas muito ruins sobre a RD e suas autoridades. Sonia e eu entramos por Luperon, litoral norte, bem oeste do país, próximo a fronteira com o Haiti.

Chegamos na calada na noite, em uma sexta feira, naquele porto que é um excelente "hurricane hole", abrigo para se proteger de furacões. Sábado bem cedo, já tem alguém batendo papo com a Sonia logo pela manha. Já tinha me desacostumado disto.

Nos países, ilhas, mais pobres caribenhas, tu és abordado por todos. Pessoal oferecendo serviços. Água, combustível, lavanderia, poita, o que seja para conseguirem te tirar algum e poderem sobreviver.

Já estava há quase dois meses só passando por ilhas ricas. Puerto Rico, Virgens Americanas e Britânicas, Saint Martin, Anguila, a caríssima Saint Barthelemy, onde o Sylvester Stallone passa o ano novo. Tu te esbarras com o Leonardo DiCaprio comprando sapato. Assiste a Bruna Marquezine e a Sasha, filha da Xuxa, nervosas porque a mega celebridade internacional tá na área.

Nestas ilhas ricas, entra e sai sem ninguém lhe dar um simples bom dia. Nas ilhas pobres caribenhas, de longe os prestadores de serviços já vêm como podem, de barcos a motor, ou mesmo a remo, oferecer seus préstimos ou mercadorias.

Entrando na RD, não foi diferente. Tinha um senhor local, que há anos limpa fundos de barco e auxilia bem quem está chegando ao seu país. Vende a bandeira de cortesia e tudo mais. Fizemos lavanderia e compramos água com aquele senhor. Era sábado pela manhã, e perguntei onde ficavam as autoridades para fazermos o "clearance".

Tudo certo, saí para a cidade mais próxima, para terminar o abastecimento de alimentos. Na volta, à noite, encontro Sonia dentro de um minúsculo barco oceânico. Tava de maior papo com o jovem polonês, seu capitão. Claro que me enturmei com os dois. Combinamos no domingo, de irmos passear pela agradável e pequena cidade de Luperon. Almoçamos, tomamos um par de cervejas, e resolvemos ir ao boteco onde se reúnem os velejadores locais. Estava cheio de veleiros em Luperon.

Boteco bem meia boca, com um povo de astral não tão alto. Porém tinham três mochilas lá, e já a noticia correndo que três russas que tinham chegado. Estavam procurando um barco para irem até Cuba. O Michal, polonês, estava indo para a Bahamas, no seu rumo para cruzar o atlântico de volta para Europa com aquele botinho a vela.

Bom, olhei para ele, e disse, vum bora ver como são estas pobres soviéticas, aí nois decide se podemos ajudá-las ou não. Bão, não demorou dez minutos aparecem as moiçolas, duas lindas siberianas e outra bela forte moscovita. Papu vem, papu vai, vum bora todo mundo para Cuba. Assim o Petit Prince chegou em Puerto de Vita, no final de março, com a Sonia, portuguesa, e duas hiper agradáveis, meninas hiper cultas e descoladas, alem de serem super gatinhas. As siberianas.

A chegada em Cuba foi um show a parte. O motor quebrou nos baixios do porto. Eu tentando desencalhar o barco. Fomos rebocados para a marina. Antes disto, eles fizeram todos os procedimentos de entrada como lemos nos manuais. Bandeira Q, de Quebec, quarentena hasteada. Fundeados fora, veio o médico. Examinou um por um de todos nós. Todos saudáveis, arria a bandeira Quebec, hasteia a de Cuba e vamos para os outros procedimentos. Dois cães vêm a bordo, procurar explosivos e narcóticos. Fora as revistas, trocentas perguntas das autoridades. Em Puerto de Vita desembarcam as meninas, e sigo solo, sem motor, para Havana. Saio em um ventão, porem a favor, sozinho nas 400 e poucas milhas.Cheguei na marina Hemingway, 8 milhas oeste do porto de Havana. Depois de dois dias fui buscar a querida no aeroporto, em um lindo classico azul Chevrolet dos anos 50.

Consertamos o motor em Hemingway. Bailamos salsa no Malecon e em belo hotel da marina Hemingway, a beira da piscina, em uma caliente noite cubana. Fomos navegar para os cayos, a oeste. Espetaculares! Lembram a tranquilidade das águas de Paraty, porém, muito mais transparentes e quentes. Fizemos turismo rural pelo interior de Cuba. A amiga voltou para a Argentina e nós, Petit Prince e eu para Hemingway.

Da marina, parti solo para Key West, Florida, EUA à 90 milhas. Chegamos ao final de abril. Nossos planos são agora, depois do feriado de quatro de julho, sairmos de Key West e voltarmos para Cuba.

 

Como é a questão da permanência nos diferentes países?

Cada país tem sua regra de permanência. São acordos de reciprocidade com o governo Brasileiro. 

Faço da nossa permanência, o interesse em esticar ou não nestes países. Estilo ficar em Trinidad Tobago aguardando o final da temporada de furacões ou ir para outros países porque temos passeios agendados, ou a busca de trabalhos e fazer turismo.

Qual a data da próxima etapa e qual o trecho a ser navegado?

Até fevereiro de 2018, estaremos navegando entre Flórida, Cuba, México e Bahamas. Os próximos trechos serão: a ida até Nova Iorque, Montreal, no final do inverno boreal e começo da primavera. No final da primavera, já deveremos estar na Terra Nova, Canadá, aguardando a janela de tempo para podermos navegar para o sul da Groenlândia. Nossa rota cruzando o Atlântico Norte será esta. Caso as condições recomendem irmos direto para Noruega, assim o faremos. 

Como está sendo documentada essa circunavegação?

Muitas publicações na rede social Facebook. Fotos e filmes, um pouco registro no diário de bordo.

Pretendem publicar algum trabalho impresso ou em vídeo?

Sim, após completar esta primeira circunavegação, pretendo escrever um livro e porque não editar as filmagens e publicar no Youtube também, afinal de contas, acredito que assim, muitas pessoas são inspiradas pelos sonhos de nosso caminho e acabam tomando coragem para realizá-las!

 

Bons Ventos ao Petit Prince!

 

 

Categoria: viver a bordo
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Do Brasil ao Caribe no Veleiro Unforgettable

Publicado por Elson - Mucuripe em 14/06/2017 às 07h44

Esta é uma bela história de um casal apaixonado pelo Mar e por navegar. É uma história que vem sendo vivida a bordo do Unforgettable, um belo veleiro clássico de 32 pés.

Diego e Georgia, unidos pelo Mar, estão fazendo uma belíssima navegada que se iniciou nas águas do Guaíba e ganhou os mares, subindo a costa do Brasil até o Caribe, onde sacramentaram a união numa belíssima cerimônia à beira-mar.

O que é muito bom nessa história é que estão fazendo um rico registro da viagem em vídeos, mostrando as belezas do Caribe e contando sobre as diferentes culturas e atrações turísticas de suas ilhas.

 

 

Bate-papo com o amigo velejador Diego Maio

 

Onde e quando vocês se conheceram?

Eu e Georgia nos conhecemos quando adolescentes num balneário litorâneo no Rio Grande do sul final dos anos 90, éramos bons amigos e fazíamos parte da mesma turminha. Apos alguns anos cada um foi para o seu lado, e nos reencontramos em 2011, quando começamos a namorar.

 

 

 

Já velejavam nessa época?

A Georgia nunca tinha velejado antes de nosso reencontro, mas logo no começo do namoro já saímos para velejar no Rio Guaíba, onde o Unforgettable morava na época. Eu comecei velejando na classe Optimist aos 11 anos e aprendi a velejar no Unforgettable na mesma época.

 Conte-nos um pouco sobre o Unforgettable. Desde quando está com a família?

O Unforgettable foi adquirido pelo meu pai em 1996, durante 5 anos saímos muitas vezes pelo Rio Guaíba para passeios durante os finais de semana. Em 2001 foi vendido, e o então dono iniciou uma reforma que nunca terminou, em 2009 meu pai comprou o barco novamente e o pôs para navegar ainda no Rio Guaíba. Em 2012, com a mudança da família para Florianópolis decidimos levar o Veleiro, então com 46 anos, para o mar, onde foi reformado à atual condição, apto para longas navegações até novembro de 2015, data da nossa partida.

Como foi surgindo a idéia de morar a bordo? A vontade de ir velejando para o Caribe surgiu ao mesmo tempo?

Desde o início do namoro tínhamos a idéia de fazer uma grande viagem, de experimentar algo além da vida cotidiana. O veleiro era uma das possibilidades que ao passar dos anos foi tomando forma. Sempre pensamos em vir ao Caribe, mas não sabíamos se nós e o veleiro seríamos capazes de suportar, então nos propusemos a ir até o Rio de Janeiro. Após alguns meses em Angra dos reis já sabíamos que queríamos ir além.

Já haviam velejado no Unforgettable em Alto Mar?

A  vida salgada do Unforgettable começou em 2012, com velejos  ao redor da Ilha de Santa Catarina, e pernadas até Itajaí, Porto Belo, Ilha do Arvoredo etc.

Quanto tempo ficaram pela costa do Brasil até decidirem ir para o Caribe?

Velejamos pela costa brasileira por um ano, entre novembro de 2015 e novembro de 2016 parando e explorando muitas localidades até então desconhecidas para nós. Vale aqui destacar a Baía de Paranaguá e o canal de Varadouro, Ilha Bela, Baía de Ilha Grande, Búzios, Abrolhos, Itacaré, e Baía de Camamu. Ao sairmos de Salvador já estávamos decididos a ir até o Caribe e por já ser um pouco tarde na temporada de subida ao Caribe só paramos para descanso e reabastecimento.

No Aratu Iate Clube - Salvador

Como foi esse planejamento de seguir para o Caribe?

O planejamento para o Caribe foi feito de forma séria e com muita humildade e respeito ao mar. Quando estávamos em Salvador já tínhamos muita confiança no barco e na capacidade dele de navegar em condições duras, já tínhamos também uma certa experiência e preparo mental. Conversar com velejadores mais experientes foi fundamental e pegamos muitas dicas e ouvimos muitas palavras de incentivo. Preparamos o barco de maneira criteriosa tendo peças de reposição e planejamento para situações de emergência.

Como foi a velejada até o Caribe?

A velejada ao Caribe não pode ser descrita de outra maneira senão mágica. Contávamos com mais dois tripulantes que abrilhantaram nossa travessia com entusiasmo e alto astral. Onze dias se passaram desde o zarpe em Fortaleza até chegarmos na fabulosa Carlisle Bay em Barbados. O vento foi constante entre 15 e 25 nós, o Unforgettable nos surpreendeu com uma ótima velocidade e não tivemos nenhum problema com o barco durante a travessia. O piloto automático havia parado de funcionar alguns dias antes da nossa partida, então levamos o barco no braço, o que foi um pouco puxado, mas também ajudou a tornar essa aventura ainda mais inesquecível. A Georgia parecia uma maruja de longa data acostumada a travessias oceânicas, foi o lastro de tranquilidade da tripulação, cuidando do bem estar de todos.

 

 Quais as ilhas que mais gostaram de conhecer no Caribe até o momento?

A nossa porta de entrada no Caribe, Barbados vai ficar sempre em meu coração, a emoção de chegar em Barbados me faz arrepiar sempre que penso nisso, depois de tanto empenho o nosso sonho se realizava. Barbados é um lugar lindíssimo com belas praias e um povo muito hospitaleiro. Também gostamos muito das ilhas francesas Martinica e Guadalupe, principalmente pela estrutura oferecida aos velejadores. E agora estamos desfrutando das Ilhas Virgens Britânicas que são possivelmente o lugar de maior beleza cênica do Caribe.

Quanto tempo pretendem ficar pelo Caribe e quais lugares pretendem conhecer?

Devemos ficar a próxima temporada no Caribe, não temos um planejamento de longo prazo, mas ainda queremos conhecer St Martin, St BArths, Antigua, Barbuda, Anguilla, ST Vincent Grenada Tobago, Los Roques, Curacao, Aruba e Bonaire e finalmente Panamá. São muitos lugares para visitar e cada um tem seu charme  e peculiaridades com certeza.

Há muitos velejadores brasileiros pelo Caribe?

Sim, bastante, há algumas semanas atrás  tivemos um encontro histórico de onze barcos brasileiros na  Norman Island nas ilhas virgens Britânicas. Acredito que tenha muitos brazucas navegando por aí sim.

Como estão sendo recebidos pelos habitantes das Ilhas?

O fato de sermos brasileiros sempre gera uma simpatia imediata por parte dos locais. O povo caribenho é alegre e preza pela tranquilidade, estão acostumados aos visitantes e fazem do turismo seu principal negócio.

O que tiveram que providenciar para fundear e desembarcar nos lugares em que chegaram?

Cada lugar tem suas regras e burocracias e taxas especificas. mas são necessários apenas os Passaportes da tripulação, documento do barco e declaração de saida do porto anterior.

Como estão sobrevivendo?  

Eu sou oceanógrafo ,trabalho ocasionalmente como free lancer em pesquisas geofísicas. Durante o período de preparação fizemos uma poupança e agora mais recentemente estamos produzindo vídeos sobre a viagem e contamos com apoiadores, no entanto o recurso dos vídeos ainda está sendo totalmente investido na aquisição de material para melhoria das produções.

Além da produção de vídeos sobre o Caribe, pretendem fazer charter?

Sempre consideramos essa possibilidade, com o novo barco será mais fácil, ainda estamos pensando no assunto

O que dizem por aí sobre a temporada de furacões? O que pretendem fazer nessa época?

A temporada de furacões oficialmente compreende o período entre Junho e Novembro, sendo Agosto e Setembro o período mais crítico. Existem ilhas que são mais atingidas e outras menos, mas na verdade é sempre uma grande loteria. Vamos tirar o barco da água e deixar no seco entre Agosto e Novembro.

Pretendem voltar ao Brasil com o Unforgettable?

O Unforgettable está à venda, compramos um novo barco aqui no Caribe, isso impossibilita um retorno ao Brasil de barco por questões burocráticas. O Unforgettable está apto para retornar ao Brasil se o  comprador assim desejar.

Como as pessoas podem contribuir para que continuem com a produção de vídeos sobre o Caribe?

Atualmente nossas produções de vídeos podem ser apoiadas através do site APOIA.se, trata-se de financiamento coletivo e recorrente. Os interessados podem apoiar nossas produções com quantias variadas de maneira mensal, iniciando com 5 reais. Em troca além dos vídeos os apoiadores recebem recompensas e têm acesso a conteúdos exclusivos . Em breve colocaremos no ar uma lojinha virtual para aquisição de diversos itens com a marca do Unforgettable Sailing ( camisetas, canecas etc.) 

As pessoas podem nos apoiar ainda, compartilhando e curtindo nossas publicações nas redes sociais e mandando mensagens de apoio , críticas, sugestões, pedidos e dúvidas. A energia que sentimos ao receber o carinho daqueles que nos acompanham tem sido algo fantástico.

 

Diego e Georgia, desejamos a vocês muitas milhas de Amor e União a bordo do Unforgettable. Que o Mar seja sempre o doce lar desse casal magnífico!

Aproveito para registrar aqui uma recordação de quando velejamos no Unforgettable em Salvador:

 

 Essa é uma aventura que merece todo nosso apoio. Segue o link para fazer sua contribuição:

https://apoia.se/unforgettablesailing

Saiba mais sobre o Unforgettable Sailing:

https://unforgettablesailing.com.br/

Categoria: viver a bordo
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Morando, vivendo e trabalhando a bordo de um veleiro

Publicado por Elson - Mucuripe em 30/05/2017 às 22h43

Parece até que viver a bordo de um barco está virando moda! Não, não é bem assim, pois viver a bordo requer muito desprendimento. Mas, alguns casais estão descobrindo que essa forma de vida não é lá tão complicada assim, e que não é privilégio de quem tenha muita grana, muito pelo contrário. Temos visto que vários casais brasileiros estão investindo suas pequenas economias, e até mesmo vendendo o que têm para realizarem o sonho de viver a bordo. Comprar um barco usado e em boas condições de moradia não é algo tão dispendioso, é até bem mais barato do que comprar um imóvel simples. Mas, ter esse desprendimento e coragem, isso sim é para poucos.

Recentemente conheci em um grupo de velejadores que participo, um casal do Sul do Brasil que resolveu soltar as amarras, vendendo tudo o que tinham para investir numa nova forma de viver, num veleiro de 37 pés. Bruna e Jairo não pensaram duas vezes para fazer essa escolha, e estão felizes morando, vivendo e trabalhando a bordo do Caboges.

Bruna tirou um tempinho para nos contar um pouco sobre a vida a bordo do Caboges:

 Há quanto tempo moram no barco?

Desde Janeiro de 2015

Como surgiu a idéia de morar a bordo?

Já tínhamos o barco que era nossa casa de praia, que estava em reforma. Morávamos no sítio do meu pai. Compramos uma casa na planta que seria entregue em março de 2015. Pensamos em ficar no barco esses 3 meses e adiantar a reforma. A casa foi entregue somente em 2017, então fomos ficando no barco até não querermos mais ir para casa, onde nunca dormimos uma noite sequer e que vendemos recentemente.

Há quanto tempo velejam? onde começaram?

O Jairo veleja há uns 10 anos e eu desde que estamos juntos, há 6 anos. Tudo começou no Lago Guaíba com um atol 23 e depois um S2 minuano 28. O jairo sempre foi apaixonado por água, surfava todos os finais de semana mesmo no inverno Gaúcho. Quando pisou no veleiro passou a surfar as ondas do Guaíba de barco.

Por quais lugares já passaram desde que decidiram morar a bordo?

Conhecemos o Guaíba de ponta a ponta, algumas partes do Rio Jacuí e Lagoa dos Patos, a qual recomendamos a todos conhecerem. Há muitas belezas escondidas e uma navegação bem diferente. Viemos em uma única perna de Rio Grande a Garopaba.  Conhecemos toda a região de Florianópolis e Porto Belo, depois tocamos em outra perna para Ilhabela, Ilha Anchieta e região de Ubatuba. E agora ficamos entre Paraty e Angra.

Quanto tempo pretendem ficar pela região de Paraty?

Não temos previsão, a idéia é de ficarmos pelo menos até a Páscoa do ano que vem, quando começaremos a subir para Refeno. A partir daí não sabemos.

Vocês ficam em alguma Marina?

Não, ficamos na âncora,  nos deslocamos com o bote de apoio. Mas ainda somos sócios do iate clube Guaíba, Porto de origem.


Como foi a escolha do barco?

A idéia sempre foi um barco de aço com quilha retrátil para se deslocar no Guaíba e lagoa dos Patos, onde o calado é baixo. E o Caboges foi um achado.

Barco de aço dá muita manutenção?

MUITAA, requer uma atenção maior.


Qual é o modelo do Caboges? onde foi construído? onde compraram?

Construção de aço francesa projeto Caroff-Modelo Bulle de Soleil 37 pés. Compramos ele na Bahia, foi projetado para desbravar a Antártida. 

Por onde pretendem navegar?

o jairo não abre mão de conhecer a Patagônia e o Caribe. E não descartamos a possibilidade de volta ao mundo. Mas nossa casa por enquanto será entre Ilhabela, Paraty e Angra.

O que faziam antes de morar a bordo?

Jairo, fisioterapeuta.

Bruna, formada em direito, assistente jurídica. 

Hoje qual é o meio de sobrevivência?

Charter


Quando começaram a fazer charter?

No início de fevereiro deste ano.

Quais são as opções de serviços oferecidos no charter?

Conhecimento de navegação e de vela; Day Charter, Pernoite, refeições, bebidas e drinks, snorkel, bote para deslocamento para a praia, stand up, e troca de conhecimentos de como funciona a vida a bordo.

Pretendem ter filhos e criá-los a bordo?

Pensamos muito sobre o assunto, mas nunca decidimos nada. Deixar acontecer. Se tivermos, serão criados a bordo.

Como a família encara essa opção de vocês?

No começo achavam que era loucura. Hoje gostam, e acham que não poderíamos ter escolhido melhor estilo de vida, em tempos com tanta violência. 

 

Muito obrigado, Bruna e Jairo, por compartilharem essa bela história de vida a bordo!

Bons Ventos ao Caboges!

Categoria: viver a bordo
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Opções de Charter de veleiros no litoral do Brasil

Publicado por Elson - Mucuripe em 16/04/2017 às 19h32

Uma boa opção para quem quer velejar no Mar é contratar um serviço de Charter. Muitos amigos velejadores oferecem charter em vários pontos do litoral brasileiro. O Charter consiste em um aluguel da embarcação por um determinado período, podendo ser tripulado ou não. Geralmente o charter não tripulado (bareboat) é oferecido por empresas especialistas no ramo, e o público alvo desse tipo de charter são pessoas já habilitadas e com experiência em navegação e rotinas a bordo.

Para os que não têm muita experiência, ou mesmo não querem ter trabalho, deixando o comando do barco com o comandante ou skipper contratado, a melhor opção é o charter tripulado. Nessa modalidade de Charter, temos empresas e também proprietários de veleiros que oferecem diversos serviços diferenciados para proporcionar uma boa experiência a bordo, com conforto e segurança. Essa, com certeza, é a melhor opção para quem quer curtir uma boa hospedagem em um veleiro, podendo fazer ótimos passeios em família. Os serviços oferecidos no Charter variam bastante, podendo ser incluído apenas o fornecimento de roupas de cama e utensílios de cozinha para que você possa ficar à vontade para preparar suas refeições, ou um charter completo com todas as refeições a bordo preparadas pela tripulação.

Com isso, me sinto à vontade para indicar algumas opções de charter oferecidos por amigos velejadores espalhados pelo litoral brasileiro. Aqui no site criei uma seção somente para este fim, e na medida do possível, procuro trazer novas opções.

CLIQUE AQUI

Acrescentei na seção mais algumas opções de charter de amigos do Sul e Sudeste do Brasil.

 

Quem pretende conhecer a região de Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo,  a bordo de um veleiro muito confortável e espaçoso, o amigo velejador Marco Cordeiro, oferece excelentes passeios a bordo do Labadee, um Bruce Farr 38, com opções para pernoite ou não. Os serviços são combinados conforme as necessidades do cliente. O comandante Marco também oferece oportunidades em travessias pelo litoral do Brasil quando sobe seu barco para fazer a Refeno, quando também disponibiliza vagas para tripulantes pagantes na regata para Noronha e na volta para o continente.

Contato whatsApp 22.998835332

https://www.facebook.com/veleirollabadee/

 

 

Uma excelente opção em Paraty é o charter a bordo do veleiro Oceanos, um Trinidad 37, do Capitão Marco Ferrari. O veleiro Oceanos é um barco muito confortável e muito bem equipado. O próprio Capitão Ferrari é quem tripula o charter, e isso faz com que seja um charter personalizado, onde você terá a oportunidade de aprender a velejar com um Capitão experiente, que já formou vários velejadores no Brasil. O charter é para 04 pessoas além do comandante. O barco possui duas cabines com cama de casal e um salão com duas de solteiro. São oferecidas roupas de cama e utensílios de cozinha. É uma ótima oportunidade para quem quer entrar para o mundo da vela oceânica.

capitaoferrari@gmail.com

 

Também em Paraty temos a Latitude Charter, empresa de charter do renomado velejador Hélio Magalhães, autor de vários guias náuticos do litoral brasileiro, indispensáveis para qualquer navegante. A Latitude Charter é especialista em charter de alto padrão de serviçõs oferecidos a bordo com muito conforto e segurança. Faça uma visita no site e conheça melhor a Latitude Charter.

http://latitudecharter.com.br/

 

Em Angra dos Reis o casal Guta e Fausto oferece um ótimo charter a bordo do Guruçá Cat, um confortável catamarã de 54 pés, que já deu a volta ao mundo. É uma ótima opção para um grupo de amigos ou familiares, onde irão conhecer a belíssima região da Ilha Grandee conhecer este famoso catamarã que foi projetado e construído pelo próprio comandante Fausto.

http://www.gurucacat.com.br/p/chartes-passeios.html

 

Se você pretende ter uma experiência de como é viver a bordo, o amigo Previdi, que mora a bordo com a família, oferece essa oportunidade alugando camarotes de seu catamarã. Essa é uma opção muito interessante, onde você irá interagir com uma família do Mar. Por enquanto eles estão com o veleiro em Florianópolis, e depois irão subir a costa brasileira permanecendo um tempo em cada recanto desse nosso lindo litoral.

catguina@gmail.com

 

 

Acesse a seção exclusiva com todas as opções de Charter.

http://velas-do-mucuripe.sitepx.com/aluguel-de-veleiros-no-litoral-e-no-exterior.html

 

Categoria: Charter
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Traga seu filho para Velejar no Lago Paranoá!

Publicado em 23/01/2017 às 07h22

O Mundo da Vela nos ensina bem mais do que podemos imaginar, nos traz uma nova percepção do sentido de viver plenamente com a natureza, aprendendo sempre com o vento, a água, o céu, e o barco que se torna parte de nós. E, neste mundo mágico fazemos grandes amizades, e aprendemos a valorizar mais ainda o prazer de velejar em família. Trazer nossos filhos para esse maravilhoso mundo náutico é uma enorme felicidade.

Tenho iniciado muitos alunos e casais na Arte de a Vela Oceânica, ou Vela de Cruzeiro no Lago Paranoá de Brasília, e é sempre muito gratificante quando vejo a felicidade estampada no rosto de meus alunos por estarem descobrindo um mundo fascinante. Então, recentemente lancei uma campanha para incentivar mais ainda a Vela em Família, para que os Pais tragam seus filhos para aprenderem juntos, fortalecendo assim os laços de família através da arte de velejar. Nessa campanha os filhos até 18 anos não pagam para fazer aula junto com os Pais que estiverem fazendo o curso de vela.

No curso de vela a bordo do Veleiro Mucuripe, os alunos aprendem todas as manobras feitas em um veleiro oceânico, trabalhando com as duas velas, genoa e mestra, em todos os tipos de vento. Aprendem também técnica de fundeio, atracação, uso de motor de popa e nós utilizados em marinharia. O curso é livre, ou seja, os alunos fazem quantas aulas acharem necessário para se sentirem seguros para navegarem sozinhos, sendo que em média são suficientes 05 aulas para quem nunca velejou. As aulas são agendadas conforme disponibilidade de horários e das condições meteorológicas.

Aulas individuais de 1h30m   = R$ 90,00

Aulas para casais de 1h30m  = R$ 120,00

 

Acesse nossa página no facebook e veja vídeos e fotos de alunos: Curso de Vela em Brasília

 

 

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O prazer de ensinar a Arte de Velejar

Publicado por Elson - Mucuripe em 13/12/2016 às 09h24

Iniciei na vela sem saber que seria um apaixonado por essa Arte. Isso foi em 2008, quando embarquei pela primeira vez em um veleiro, e por coincidência o comprei anos mais tarde depois de ter um dingue e em seguida um cabinado de 18 pés, e hoje, o Mucuripe, um oday de 23 pés. E, em 2012 comecei a dar algumas aulas, uma atividade que sempre gostei desde o tempo em que lecionava violão, e porque me ajudaria a pagar as despesas com o barco. Com o tempo, criei uma página no facebook para divulgar, além do site, e essa atividade se tornou parte do meu dia a dia. A grande maioria dos alunos jamais havia subido a bordo de um veleiro, e todos ficam fascinados quando começam a sentir o barco deslizando na água pela força do vento. Esse encantamento arrebata a todos, e como dizem, é um vício que se inicia e não tem mais como largar.

Muitos casais encontram na vela um novo sentido para a vida a dois, e passam a viver em função dessa Arte. Velejar requer paciência e dedicação, e muito respeito às forças da natureza. Nos proporciona momentos de reflexão e meditação, e nos dá força e coragem para lidar com os desafios, e resignação para aceitarmos nossa pequenez. Nos faz enxergar a natureza de outra forma, e percebermos o quanto somos presenteados todos os dias por sua beleza. O aprendizado da Vela é constante, e isso é que nos motiva cada vez mais a continuar a aprendendo e ensinando o pouco que sabe para os novos velejadores.

Neste ano tive a felicidade de poder compartilhar desse sentimento com vários alunos, e tive a honra de poder ajudá-los a descobrirem esse magnífico mundo da Vela. Uma das maiores realizações é quando vejo que o aluno já está seguro e com condições de sair velejando sozinho seu próprio barco, como o Israel da foto abaixo.

Agradeço a todos meus alunos e amigos(as), e desejo muitos Bons Ventos em 2017!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Categoria: vela
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Enxu Queimado e o Retratista

Publicado por Elson - Mucuripe em 30/10/2016 às 20h03

Enxu Queimado é assim...
O tempo parou por aqui. O parque eólico chegou pelas vizinhanças, mas não tirou o sossego, a vida segue pacata, arrastada pelo vento forte que agita os paquetes no Mar de Enxu. "Nessa cidade todo mundo é..." de Enxu. Todo mundo é daqui, mesmo que não tenha nascido por essas bandas, mas quem tá aqui é porque é daqui, o lugar escolheu, a vila acolheu. As portas estão sempre abertas, a conversa é sempre boa, os causos contados no alpendre são reais, tanto faz os da casa de Nelson ou de Pedrim, ou de Manoel, os causos são de verdade, e a conversa não tem fim, só termina quando os olhos miúdos de sono se fecham a sonhar.
O Nelson tá sempre ali escrevendo as Cartas de Enxu pro Tonho, assunto não falta, se falta, arruma mais. O violão tá sempre ali, ou descansando, ou nas mãos de quem se atreve. E as canções são sempre praieiras, pois o Mar de Enxu se junta com o coqueiral e dá o tom pro violeiro que se inspira e não pára de tocar, até que os olhos míúdos de sono se fecham a sonhar.
O retratista de Enxu caminha pela praia, corre os olhos no Mar, pensa e repensa, bate um retrato e volta a caminhar. Sabe lá o que pensa, mas se sabe o que vê. Enxu Queimado o escolheu pra ficar por ali a divagar, no aconchego do colo de sua doce amada, até que seus olhos miúdos de sono se fechem a sonhar...

 

 

Categoria: coisas do Mar
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